28 de jun de 2017

COMO TANTOS

somos
como tantos
entre tantos
que passam

somos
como tantos
que ficam
na espera
de tantos outros
porvires

sentados
olhando
ou apressados
afoitos

como
tantos
que vivem

somos
papéis em branco
guardanapos
amassados
sem poesia

cálices

somos
como tantos
entre tantos
que passam

sem cores
inertes
sombras
de tantos
que passam

JÁ ERA


era

já se foi
um novo
inverno
chegou
em meio
a outros tantos
infernos


era
a luz apagou
o frio
que era
intenso
já não é mais

e o que era
amor
se desfez

foi
sopro
numa vela de verão
foi
atemporal
foi chuva

já era
o que se foi
sem mais
sábados
sem mais esperas

APENAS ESCREVO

apenas
escrevo
sem intenções
sem pretensões

para me esvaziar
das tolices diárias
para que nenhum
desejo
seja maior
do que meu desejo de seguir

apenas
escrevo
para que este rio
siga fluindo
para que minhas artérias
não entupam
com tanto sentir

sigo
assim
entre amores que invento
entre paixões
e prazeres sórdidos

para que a vida valha
a pena
e meu viver
jamais passe em branco

TE OLHO

te cuido
te olho
te cubro
a noite
quando a noite
se faz fria

te espero
quando
as horas
insistem em morrer
rápido demais

te amo
além do amor
de convenções explicítas
e espúrias

te mimo
com margaridas
e girassóis
com poesias
sempre escritas
com declamações
e palavras de amor

como se te amar
fosse só isso

te olho
para sempre

ESCARNECIDO

não falo
mais
teu nome

já não grito
mais
por ai
tuas indecências

minhas feridas
apodreceram
amputei
do meu coração
teus pedaços

não falo
mais
teu nome

deixei
ali teus espinhos
como sinal
do que não quero mais

não
volto mais
só, fico...
sem lembranças
coração amputado
escarnecido

JARDIM VAZIO

gosto
mais
do teu silêncio

gosto
mais
do meu barulho

gosto
das noites
que não terminam

madrugadas
frias
e a cama entre nossos sonhos

gosto
mais
do cigarro aceso
no cinzeiro

e no teu hálito
o cheiro
podre das palavras
não ditas

gosto
das tuas cinzas
dos nossos livros
e do nosso agora
jardim vazio

TEM DIAS

tem dias
que não quero nada

quero
apenas
sair do ar

tem dias
que tudo me consome
ainda mais
a pasta de dente
arde em minha boca
e no espelho
não sou mais eu

tem dias
que desejo
apenas ficar
sepultado em minha cama
coberto
de cinzas e poeiras

fora do ar
fora de sintonia

longe de mim
longe de tudo

BOCA NUA

gostava
da tua boca nua
sem batom

gostava
do teu corpo nu
envolto
no lençol

gostava
das tuas insinuações
de amor
e quando
falava
de uma ardente paixão
de Agosto

lia
em teus olhos
o que jamais
iria me dizer

talvez
por covardia
talvez

preferia
tua saliva
como batom
da tua boca
que sempre escorria
e eu bebia

TARDIAS TARDES VAZIAS

destas
tardias
tardes vazias
o que restou
foi
o vento
que veio
te ventou
e foi embora

destas
tardias
tardes vazias
lembro-me
ainda
do gosto
sinjelo
das tuas feições

não era
comum
aos meus olhos
via-te
de forma diferente
como se em ti
não houvesse
corpo
e foste vestida apenas
de alma

naquelas
tardias
tardes vazias
éramos um
no meio de todos
e o amor
que nos uniu
naquelas
tardias
tardes vazias
foi
o mesmo que nos separou

JÁ NÃO INSISTO

tu
és
rua sem saída

não
insisto
mais naquilo
que não quero

não posso
dizer
sim
a tudo aquilo
que já vivi
e renunciei

quero
apenas ficar
do alto de mim
contemplando
a natureza morta
dos dias que virão

tu
és abismo
e eu
estou cansado
de bater
minhas asas em vão

então eu fico
onde estou

não insisto
naquilo
que não quero mais

SEM PALAVRAS

aquele
que fui
há tempos
deixei de ser

fui
morrendo
um pouco
a cada dia

foram
me matando

aquele
que fui
há tempos
deixei de ser

hoje mais
calado
quase sem palavras

hoje
mais inerte
reflexivo

deixei
de amar
o amor que sentia

minha vitalidade se dissipou
com o tempo
olho
a vida da minha janela
e não ouso mais
viver

apenas
me lembro de quem
já fui
um dia

14 de jun de 2017

NÃO SINTO MAIS NADA

não
te escrevo mais
não
falo mais
de sentimentos
de amores
das paixões todas
deste meu eu

escrevo
agora
sobre as pedras
imóveis

sobre os cacos
jogados
no lixo

e no lixo
ali jogado
no lixo

não escrevo mais
não falo
mais destas dores
do sentir
não quero sentir mais nada

escreverei
sobre as sombras
de um dia sem sol
e deixarei
ali
sepultado a beira do caminho
tudo aquilo
que um dia senti

AMO-TE ASSIM

nem sei
quem tu és
e te amo

amo-te
sem saber
teu nome
sem conhecer
teu riso

que me importa

amo-te
assim
despretensiosamente

apenas
por te ver
passar todos os dias
pelo mesmo
caminho

ainda que não me vejas
refletido
em teus olhos

estou ali
na mesma alameda
de sempre
e te amo
sem saber como
e nem porque

quando souber
deixará de ser o amor que é

NUMA GAVETA QUALQUER


tempos
deixei
ser
quem fui

há tempos
perdi
o sorriso
em qualquer lugar

cultivei
as cicatrizes
em mim
e dores
já não doem mais

deixei
rastros
para trás
e trago comigo
meu passado

para que eu me lembre
quem nunca
fui

há tempos
me esqueci
numa gaveta qualquer

NADA SEI

não
sei
em que céu
habitas

se estrela
vento
ou sonho
de noites sem fim

não sei
se é presságio
se é tormenta
ou temporal

se é chuva
sol
estrada sem fim

não sei
se és pegada
caça
ou caçadora

deusa
ou demônio

não sei
nada
se és escuro
luz
ou névoa que não passa

DESENHEI VOCÊ

desenhei
você
em uma tela
usada

usei
tintas que eu
tinha em casa

usei
as mãos
para dedilhar
teu corpo
teu rosto
cada poro teu

desenhei
você
com giz de cera
numa rua
sem movimento


eu te via
ali
jogada
nos meus sonhos
tão reais

desenhei
você
para que a chuva
depois
apagasse
qualquer marca sua

e você
escorresse
e desaparece

TE VIVEREI

beberei
ainda
este teu veneno

mesmo
que eu morra
na hora
seguinte

ainda
sentirei
na boca
o suor da tua pele

ainda
que eu esgasgue

serei
teu
nas mentiras
dos teus versos
mal declamados

ainda
que na manhã
seguinte
não reste mais nada
de teu abraço

te viverei
ainda
que depois de tudo
não reste nada


NOITE DE INSÔNIA

sonhei
você
numa noite
de insônia

não eras
mais
a mesma

estava
sem mãos
sem face
sem espinhos

sonhei
você
nem destes meus instantes
de insanidade

não eras
a mesma
e nem eu
como antes

eras um rabisco
num papel amassado
e eu cinza
deste mesmo papel queimado

espalhado
pelo vento
de uma noite
de insônia
em que sonhei
você

PASSARÁS

ainda
passarás
por mim
e eu
estarei
ali
inerte
disfarçando
tudo aquilo
que já não sinto mais

ainda
passarás
derrubando
pelo caminho
farpas
e espinhos
e o veneno ácido
do teu perfume

eu
estarei ali
entre
a multidão
de desapercebidos
indiferente
a dor


não saberei
mais nada de ti
e tu
saberás
ainda menos de mim




SERÁS


serás
sempre
meu vício
minha insensatez

serás
sempre
minha volta
meu atalho

o rio
que me leva
ao mar

serás
sempre
a razão
e a revolta

a janela
sempre
aberta
e a porta
encostada

serás
sempre
amante
amada

minha serenidade
e minha loucura

serás
ainda que não reste mais
nada de mim

EU MINTO


eu minto
o tempo
todo
o tempo
inteiro

invento
paixões
e delas me alimento

invento
pessoas
personagens
mundos

eu minto
para que minha
realidade
passe mais rápido
e seja para mim
menos indolor

eu minto
para mim
para aqueles que não
conseguem me enxergar

eu minto
finjo viver
e apenas sobrevivo

ainda







9 de jun de 2017

VELHO CORAÇÃO


fico
ali
por horas

olhando
o cursor
piscando

fico
ali
parado
entre palavras
perdidas

tento
dedilhar
sentimentos
e esfolo
ainda mais
o velho coração

fico ali
entre suspiros
e o catavento
parado

fico
ali
entre as cinzas
do cigarro queimado
olhando
o copo vazio
o corpo vazio
e o velho
coração
esfolado de amor

ESCURO


ficarei
em silêncio

deixarei
que a vela
se apague
nas tua própria
cera

ficarei
entre
minhas memórias
e lembranças

não
dá mais
para brincar
de menino assustado

a vida
me ensinou
a crescer

depois
que a vela
se apagou
e o escuro
se fez

foi
nele
que me vi
refletido

ficarei
em silêncio
sem fósforos
sem velas

sem mais
poder brincar de ser criança.

DIAS DESIGUAIS


estamos
perto

poderia
sair
agora
de onde estou
e ir ver
se você
é mesmo
de verdade

não mais

pra que
plantar tantas
sementes

pra que
insistir
em gritos

o silêncio
é melhor
arde mais

estamos
perto
vivendo a mesma
desarmonia
de sempre

felizes
nesta balbúrdia
de nossos dias
tão desiguais

NÃO SOU MAIS


é
agora sei
que não sou
mais o mesmo

não mais
em mim
a velha
intensidade
de tudo

a explosão

não sou
mais
aquela granada

agora
fico
na paz
dos meus dias

vivo
das minhas
circunstâncias

não grito
mais
gritos
em vão

toda
dor
em mim já doeu

não planto
mais espinhos
não mais
cultivo
nada em corações vazios

tudo
o que fui
já não sou mais
há tempos

MENTIRAS INVENTADAS


enfim
deixei
que morresse
em mim

nada
teu
é mais meu

nada
na verdade
nunca foi

e o que era
meu
e eu insistia
em compartilhar
com o vazio
que havia

passos
em descompassos

egos
que brigavam
entre si

poesias
mortas
no papel em branco

nada nunca
foi de verdade
e eu
insisti
nas mentiras
que inventei

ESPERAS VÃS


nunca
existiu
nós
em laços

o que foi
foram
intenções
despretensiosas

o que foi
foram
esperas
vãs
do que jamais
seria

não houve
reflexo
neste espelho quebrado
não houve
barulho

foram
laços
desfeitos

jamais
haveria nós

MIGALHAS


qualquer
sentimento
ainda
que ínfimo
não sobrevive
a migalhas

a falta
de querer
a falta de tempo

nada
resiste
a falta deafeto
a falta
verdadeira
de qualquer querer

a dor
passa
como o tempo
que passa

vidros
se quebram
veias rompem
coração silencia

tudo finda

NUNCA FALEI DE TI


nunca
falei
de ti
a ninguém

nunca
expus
a dor
que teu veneno
me causava

sempre
silenciei
teu grito
em minhas madrugadas

jamais
falei
dos versos
das crônicas
e toda essa novela

sempre
te deixei ali
incólume

aprendi
a te deixar ali
sem precisar
de nada
do que era teu

eras
tudo o que um dia
como tudo
iria morrer

e morreu

NOSSO DESALINHO


chega
uma hora
que chega

entre
tantas idas
e vindas
e voltas
e reviravoltas

nunca se disse
nada
nunca houve mesmo
nada que valesse
à pena

então
voltamos
ao pó
de nós

cada um vivendo
seus desencontros
nunca houve
qualquer razão

apenas
desafeto
e este nosso desalinho

entretanto
ficarás
na inércia
de todos os meus sentimentos

e quem sabe
um dia
por descuido
tua rua
encontre por ai
minhas folhas sujas

À VENDA


o que podes
querer
de mim

minha luz
minha loucura
meus vícios

o que queres
que eu faça
que vá ao encontro
do teu caos
de encontro com tuas convicções

teu jeito
de sentir
deixou aleijado
meu coração

como tu
também
não gosto de migalhas
e por sermos
tão iguais
somos diferentes

então
agora
pra ti portas fechadas

troquei
as fechaduras
as chaves
todos os segredos
e até os cadeados

e que não haja
engano
troquei
de corpo e de alma

apaguei
a luz
e tudo o que havia
de ti
coloquei à venda

6 de jun de 2017

VISCERAL

ei
de me agarrar
em teu colo
e esquecer
as controvérsias
do mundo

ei
de me colocar
em teu ventre
como filho
arredio
que cansou
de tantas lutas

ei
de querer
sempre
teu amor
e teus desaforos
porque é disso
que somos feitos

o amor
visceral
que ninguém entende

quero
sempre
todas as noites
de nós
me agarrar
em teus seios para não
sair dos teus sonhos

EGO

é
está
tua maldita
vaidade
que não me deixa
ir

é
este teu orgulho
que me prende
nestes teus braços
de abraços
vazios

esta
tua negação
de vazio
este teu sorriso
e este teu ego

me queres
perto
sem me querer

e eu
escravo
deste sentir
livre
não consigo partir
e consumo
deste teu sentir

QUEM SOMOS

quem somos
diante
de nossa nudez

quando
estamos
sós
e refletidos
no espelho
de nossa solidão

quem somos

no silêncio
que nos envolve

quando
nossa luz
se apaga
e por segundos
deixamos
de existir

somos os mesmos
ou apenas
vestígios

somos os mesmos
ou apenas
rastros

quem somos
quando ninguém nos vê

nem Deus sabe

VOAR EU SEMPRE SOUBE

estou
bem

depois
do teu temporal
estou bem

ninguém
se atira
no mar
sem saber nadar

eu
me atirei

confiei
nas tuas mãos frias
e sozinho
aprendi a nadar

estou bem
depois
de tuas ilusões
e de tuas promessas
vazias

ninguém
se atira em precipícios
sem saber
voar

e voar
eu sempre soube
eras
exatamente
o que tu
não sabias de mim

TUA VOZ


eu
escuto
tua voz
em meu escuro

teus gritos
teus sussurros
e teus gemidos

eu
sei
que vagas
tuas chagas
por ai

tentando
se agarrar
em paredes escuras

queres
a luz
depois do escuro

queres
a paz
depois de ferir

já não vejo
mais saída
para tua alma de abismos

sofrerás
as consequência
de tuas escolhas
e na morte
gritarás
em vão meu nome

AO VENTO

vai
sopra-me
de vez
ao vento

não nasci
para ficar
agarrado
a mãos
que não me querem

não consigo
viver
em desarmonia

vai
me liberta
destas tuas correntes

deixa
que minhas visceras
apodreçam
ao léo

não nasci
para o desamor
para o desafeto
para o beijo sem gosto
para o abraço sem calor

vai
sopra-me ao vento

QUADRO BRANCO

és
ilusão
que
insisto
em colocar
em meu caminho

como
se tu
pudesses
me salvar
de quem sou

como
se tu
pudesses
dar cor
ao meu caminho

não podes
nem quero mais

hoje
vivo a paz
de minhas desilusões
e tu
serás sempre
me desencanto
o quadro
branco sem cor

TEU EU PRA MIM

não te quero
quero
o que nnguém

o que não se sabe
o lado
escuro teu
tua sombra
tua vergonha
tuas mentiras

não quero tua luz
teu sonho

quero
o escarro
teu vício
todos os teus defeitos
tuas toalhas
molhadas
no chão do banheiro

quero
tua embriaguez
tua falta de lucidez
quero
o teu eu de verdade
o teu espelho
sem teu reflexo



PROSTRADA ALI

estávamos
nós dois
ambos
com suas dores
e suas desilusões

ela
cabeça sobre
a mesa, chorava

eu
na outra mesa
olhava
sua dor

jamais
iria interromper
seu sofrimento
jamais
me colocaria
em vão em seu destino

eu estava ali
para beber
e esquecer

ela
para matar a dor
que a matava

jamais
iria
interromper
seu sofrimento

ela com a sua dor
e eu com a minha

FODA-SE

que
me importa
teu passado
qual
teu destino

que se dane
teu desalinho
tua deselegância

tua boca
fedendo cigarro

quero
tudo
e nada além de ti

que se dane
tuas roupas sujas
no varal
tua chuva
teus temporais

todos nós
somos filhos do caos

sou a linha
a agulha
que ira alinhavar
teu coração

então
foda-se
tudo além de ti

5 de jun de 2017

NÃO DEMORA

não demora
a noite
logo
vai embora

a cama
logo esfria
e desejo
logo morre

então
vem
não demora
que minha pele
arde de desejos

e minhas entranhas
esperam
cada parte do teu eu

não demora
que o vento
leva embora
meus sonhos
e apaga
a vela

vem
não demora
que antes que tudo
passe
quero ser tua

NUDEZ DE TUA ALMA



que pecado
pode existir
em tua nudez

neste teus seios
fartos

nesta tua pele
delicada
de tantas
cicatrizes

que pecado

neste pecado
de te querer

já me vejo
assim
todo teu
escravo desta tua
devassidão

ingênuo
e largado
aos teus pés

que
pecado
há na nudez
de tua alma

TEU CÃO

serei
teu amante

antes
e depois
do fim

serei
o que espera
dos dias frios

serei
o teu cobertor
tua segunda pele
tua insônia

serei
teu amante
teu caminho
teu pecado
teu perdão

o beijo
roubado na noite
e a estrela
do céu
de tua imaginação

seu dono
e teu cão de estimação

CINZAS DE NÓS

sem pressa
vou te beber
em meus cálices
de prazer

sem pressa
vou te dar
minha noite
de tantos devaneios

sem pressa
desnudo
teu corpo

e assim
me aposso
do teu sentir
do teu prazer

e assim
beijo tua face
vermelha

bebo
do teu ventre
o mel ácido do teu gozo

sem pressa
até que a noite acabe
e nós dois
possamos de novo
e novo
renascer
das cinzas
que sobraram de nós

TEUS SEIOS

dê-me
teus seios

mata
minha sede
e este
meu desejo

anseio
por tua pele
por cada
poro
do corpo teu

dê-me
tua língua
deixa eu beber
em tua boca
gotas da tua saliva

dê-me
teus seios
para que assim
possa chegar
aos céus
de teus encantos


a mim
tudo o que é teu

ESPERA

me
espere

deixa
aberta
tuas pernas
tuas portas
janelas

deixa
acesso
o abajour
e aberto
teu perfume

me espere
com a cama bagunçada
e com a alma acessa

vou logar
chegar
pra beijar tua boca
rasgar tua roupa
arranhar tua pele

e te amar
sem pressa
na imensidão
intocável deste nosso amor
profano

ROSAS ROUBADAS

roubei
de um jardim
rosas
sem espinho
pra te dar

queria
me aventurar
em outros
jardins
que não o meu

queria
te dar
outras rosas
além das minhas

e aqui estou
desnudando
a ti
minhas inverdades
te contando histórias
e mentiras

pra te fazer feliz
pra te seduzir
e te arrastar
pra cama


MEU MAR

nas minhas
tantas
noites
de insônia

vou
roubar
pra mim
teu corpo

me apossar
de teus sentidos
dos teus sonhos

serei
na inércia
do silêncio
tua sombra

e farei de ti
nas minhas tantas
noites de insônia
meu mar
meu refúgio
meu sepulcro

 

VEM SER MINHA

te quero
minha
nua
na cama
no chão
nas estrelas
do teu céu

te quero
minha
nua
insana
indecente
louca
puta
inconsequente

te quero
fúria
temporal
anestesia

vem ser minha
até o fim
de nós
até o fim de mim