"Se procura prazer, poderá encontrar aqui as suas mais diversas formas. Há quem procure palavras, há quem procure belas imagens, há os curiosos, os que admiram minha maneira de escrever. Uns julgam erótico. Outros julgam ser sensual e uns apenas lêem as palavras aqui escritas. Isso é algo que não cabe a mim julgar. Sei das minhas intenções... Sei do meu amor pela poesia... Sei da minha infinita sede de escrever..."
SEJA BEM VINDO - 9 ANOS DE POESIA! ! !

FÃS DE CARTEIRINHA

14 de abr de 2017

AUSENTE

ando
ausente

ausente
de tudo
de todos

ausente de mim
a poesia
que clamavas sopros
e palavras
está
adormecida

existem
calabouços
em mim
e ali
perpetuado
agora estou

vivo
ou não
sei lá
o que se passa
ou não passa

apenas estou
vivendo
minha inércia

ando
ausente
do amor que sempre
me remexeu
me revirou

agora sei
que depois
de um tempo
o amor
acalma
nossa própria necessidade
de amar

ando ausente

11 de fev de 2017

PROTAGONISTA

és
agora
a protagonista
de minha loucura
de meus desejos
enfim
descubro
uma alma nua
enfim
posso dedilhar
palavras
desconexas
nada sei
de ti
o que sei
basta-me
para andar
por entre
entre minhas noites
de agonia
e beber-te
em cada cálice

és
agora
minha sombra
meu espectro

alma nua
mulher
sem máscara
sem medo
por onde andastes
todo este tempo
além dos meus sonhos

porque
ficaste tanto tempo
calada
enquanto minha alma
gritava
sem saber teu nome

és
a protagonista
dos meus delírios
da minha loucura
do meu desejo


8 de fev de 2017

NOSSO CAOS

mesmo
que eu queria
não posso amar-te

meu amor
não é mais meu

não posso dar-te
o que não mais
me pertence

nem mesmo
promessas
depois
não haverá amanhã
e ficarão as sensações
e o vazio
e as lembranças
poderão machucar-te
ainda mais

o que tenho
não é meu
já cuidam do meu caos
não posso mais
sentir

não se ama
sem promessas
não se ama
sem amanhã

não se ama
quando o amor
que tem
não é mais teu

mesmo
que eu queria
já tens
o teu próprio caos

e eu
meu túmulo...

DESOLAÇÃO

a solidão
me desvendou
fez-me cético
ácido

a solidão
roubou
meu silêncio

fez meus cigarros
queimarem
mais rápido
e retardou minhas horas

a solidão
matou
o amor que eu insistia
em sentir

a solidão
esmagou meus sonhos
no espremedor
de batatas

ralou
meus joelhos
tirou a cor
dos meus dias

fechou as janelas
e trancou minhas portas
espalhou placas
levantou muros
destruiu pontes

bebeu
meu sangue
e amou-me
quando ninguém mais
entendia o amor
que nunca senti

a solidão
despiu minha alma
calou minha voz
fez de mim seu amante

a solidão escreveu
minhas poesias

NUNCA MAIS

imagino,
ela ali, nua, deitada em sua cama
de lençóis sujos... o teto estava amarelado
por infiltrações... mesmo assim, conseguia
não sentir nada por ninguém... de vez em quando
arrumava alguém para saciar seu desejo... era incapaz de amar e se sentir amada... sempre
preferiu as mentiras... as verdades a machucavam...

imagino,
seus vasos sem flores e ela ali
entre um cigarro e outro... não tinha mais força
para chorar e nem lágrimas... de vez em quando
saia para caminhar... os seios flácidos ficavam à mostra no decote de sua camiseta surrada...
as unhas eram grossas, mal feitas e jamais pintadas... nos lábios, ácidos das noites mal dormidas...

ela era
o que a vida queria.

imagino,
ela ali, rondando seu tumulo
esperando a morte
sem pressa enquanto dava seu corpo
a qualquer um que a desejasse... oferecia bebida
e as volúpias de um desejo sem amor...

amou uma vez
e nunca mais
foi amada uma vez
e nunca mais

as paredes
podres
bichos rondando
seus pés nus... o mal cheiro de sobrevida,
ali, naquele quarto escuro... a morte não ousaria
tocá-la e a vida
nela, há tempos deixou de existir.

imagino
seu fim, deitada ali nua,
entre seus lençóis sujos
e seus amantes fétidos
e seus bichos
e sua falta de vida
e sua falta de amor...

ESCRAVO

todos
os dias
eu inventava
uma mentira

dava
cor
aos meus dias
incolores

todos
os dias
eu sonhava
e queria
ter aquilo
que não era meu

escrevia
poesias
e me sentia vivo
minhas ilusões
davam
sentido a minha vida

eu era
uma mentira
agora
envelhecendo
sei que não fui nada
apenas
escravo dos meus sonhos

MEU PECADO

sou
escravo
do sentir

rasgo-me
inteiro
em meus cantos
escuros
escusos

sou
feito
de angústias
de melindres

minha alma
transcende
meu corpo

há feridas
expostas
em tudo o que há em mim

sou escravo
do meu sentirá

não sou nada
restos
cacos quebrados

minhas injúrias
meu pecado




29 de jan de 2017

TEU CORPO

eu quero
sim
inspirar-me
no teu corpo
fazer dele
meu papel
e rabiscar
poesias

eu quero
sim
desejar
ainda que por um
instante
que sejamos um

perdidos
neste caminho
de desejos latentes
sem pressa
sem horas
sem nenhuma fobia

eu quero
escrever
com o suor
que escorre do teu corpo
e deixar
que cada verso
aconteça
assim
em cada breve suspirar

até
que não haja nada mais
de nós

nossos instantes
de desejos
e pecados.

27 de jan de 2017

TODA FLOR

toda flor
é bela
toda flor
encanta
toda flor
fascina
com seu perfume
sua cor
formato

toda flor
tem seu jardim
tem sua semente
tem um porque

toda flor
é poema
é um grito calado

toda flor
é espetáculo
toda flor
sem cuidado murcha
seca
morre

toda flor
única flor
e tantas flores
por ai
carentes de olhares
verdadeiros
e sentidos
e toques

toda flor

26 de jan de 2017

FOI

foi
apenas
um sopro
de desejo
que passou
por mim

um pensamento
excuso
uma tentação
de tratei
de enterra
antes que suas raízes
pudessem
tomar conta de mim

foi
apenas
um princípio
de incêndio
uma sandice
um tropeço

foi
o sol nos olhos
a chuva
inesperada
carro passando
por um poça de agua

foi
a vontade
do suícídio
a vontade
da embriaguez
a vontade
de ter você mais uma vez

VULNERAVELMENTE

eu
tão vil
que sou
tão depende
desta beleza tua
me consome

admiro
calado
teus detalhes todos
teu jeito
de respirar
como andas
como vives
como inspiração
em meus dias

eu
tão irracionalmente humano
me perco
nas tuas curvas
no teu sorriso
e no gosto
do teu beijo

eu
tão teu
tão vulnerável
tão asssumidamente
diante
de ti
 

O QUE SINTO

o que sinto
já deixei
de sentir

ficaram
apenas
as sensações
de tudo aquilo
que pouco durou

o estrago
foi pequeno
ainda
que o coração
tenha se partido
em milhares de pedaços

o que sinto

não tem pertence mais
é meu silêncio
que me cura
as feridas

em breve
eu sei
tu serás apenas mais
um vento
como tantos outros ventos

passarás

21 de jan de 2017

VORACIDADE

queres
brigar
queres
meu silêncio
meu desprezo

queres
minha voracidade

queres
minha cama
minha água
minha sede

queres
beber
da minha boca
tua saliva

queres
meu amor
e minha guerra
meu ciùmes
e minha falta de senso

queres
que te coma
em noite fria
e que sejas teu cobertor

queres
ser meu veneno
e minha cura

meu desamor
meu desalinho
minha vastidão

meu deserto
meu cigarro
minha morte
meu pecado
 

AVESSO

não quero me
refestelar
em teu corpo nu

quero
o que ninguém vê
teu interno
teu avesso
o inverso

teu corpo
saciará meu corpo
isso
é só desejo

quero
teus segredos
tuas mentiras
tuas noites de embriaguez
quero tuas guerras
tua estupidez

teu corpo
é pouco
desejo mais
ter-te por inteira
o que ninguém nunca viu
o que ninguém
jamais
te teve

quero
teu avesso
teu inverso
tua loucura
insensatez

tudo que é teu
que foge
a lógica
a incompreensão
que o amor
jamais conseguirá amar

ESCURIDÃO

sou
a tua escuridão
tua penumbra

sou teu lado B
teu vício
tua dor

o sangue
que escorre
por entre tuas pernas

sou o vil
o mal
e o amor
entre todos

sou
a fenda
que não se abre
a falta
de coragem
e o soluço

eu sou
o largo
o imenso
e teu silêncio

sou tua noite
teu véu
tua poesia

abismo
teu céu

eu sou
tua noite
de insônia
a unha roída
e o sofá rasgado

eu sou
o sol que te desperta
e a ressaca
que te maltrata

entre todos
eu sou
o amor que te ama

20 de jan de 2017

QUE EU MORRA DE AMOR

que eu
morra de amor

que amor
me dilacere

que o amor
seja minha de morte

que o amor
me consuma

que acabe
com minhas visceras

acabe
com quem sou

coma meu cérebro
e meus instintos
meus medos
e minhas angustias

que o amor
faça de mim
sua capa
o seu sepúlcro

que o amor
me rasgue as roupas
que me faça nú

que o amor
me condene
e faça de mim
seu escravo

ESPELHO

eu
já não me
mais
refletido
no espelho

não sou mais
quem fui
os anos
corroeram
tudo de mim

o que o espelho
reflete
são meus restos
alguns
cacos
ficaram
no caminho

eu
já não me reconheço mais
há tempos
olho
e não me vejo
o espelho
engana
induz ali
silencioso

brinca com minha imagem
ilude minhas mentiras
brinca
como se eu pudesse mudar
em um passe de mágicas

maldito espelho meu

13 de jan de 2017

POR TUA RUA

passarei
por tua rua
sem pressa

ficarei
ali
à sombra
de uma árvore
até que me vejas

não
esperarei
de vós
qualquer sorriso
nem aceno
e nem afeto

ficarei
alí
até que tudo
se esvaia
e nada sobre
de nós

não quero nada
apenas
olhar-te-ei
sem pressa alguma
depois
partirei
deixando
no vento
palavras que nunca mais
direi

VOU

vou
beber-te
e depois
vomitar-te-ei
sobre
minhas poesias

vou
sugar teus seios
sem pressa
e me perder
nestes teus fetiches

depois
vou te cuspir
nos meus versos
sem sentido
e deixar
que fiques ali
à sombra
de minha alma

vou
rasgar
tuas anáguas
penetrar-te-ei
a pele
e tocar tua alma

depois
deitarei
exausto
sobre teu corpo
suado
e beberei
cada gota do teu amor

amar-te-ei
em noites
sem dono
e far-te-ei
minha
para sempre

DEIXA-ME

deixa-me
imaginar-te
nua em minhas noites
de angústia
onde
a insônia
como verme
me consome

deixa-me
te sentir
nos ponta
dos dedos gélidos
e quase
já sem vida

deixa-me
escrever-te
em minhas poesias
dê cor aos meus papéis
e exalta
meu amor
ainda que louco
por ti

deixa-me
varrer teus cacos
por entre as ruas
por onde passo
e mesmo que me sangre
os pés
terei ainda por ti
algum afetou
ou nada
apenas dor

deixa-me
agora sozinho
com esta insônia
que como verme
me consome