"Se procura prazer, poderá encontrar aqui as suas mais diversas formas. Há quem procure palavras, há quem procure belas imagens, há os curiosos, os que admiram minha maneira de escrever. Uns julgam erótico. Outros julgam ser sensual e uns apenas lêem as palavras aqui escritas. Isso é algo que não cabe a mim julgar. Sei das minhas intenções... Sei do meu amor pela poesia... Sei da minha infinita sede de escrever..."
SEJA BEM VINDO - 9 ANOS DE POESIA! ! !

FÃS DE CARTEIRINHA

7 de jul de 2017

MINHA INÊRCIA

agora
só penso
em desculpas
para não fazer nada
quero
ficar
deitado
coberto até os olhos
não quero pensar
nem sentir
quero apenas
viver meu silêncio
e o direito que tenho
de ficar na inêrcia
agora
só penso
em desculpas
para ficar
neste meu inverno
sem pensar
sem sentir
vivendo meu silêncio
e o direito
que tenho de ficar
na inêrcia

AINDA PASSAREI

sou desfeito de sonhos
de expectativas
de promessas inacabadas

sou desfeito de amores
que não deram certo
de paixões escusas

sou desfeito
de palavras
de um mal uso de mim

sou torto
pálido
morto
já não sei mais
quem sou

ando
apático
abatido
sem fôlego

tentando sobreviver
sob os holofotes
desta vida
sob o olhar impiedoso
de Deus

sou desfeito de crenças
de valores
e minhas convicções
agora
rasgadas
como folhas de um caderno rabiscado

sou o que passou
e o que ainda
passará

- Eduardhus Poetry II

O AMOR QUE FOI

o amor que foi, já não é mais amor...
perdeu-se nas tristes ilusões
do não amar
e o que era simples
prazer
amar
hoje é descaso
num peito sem coração

CANSADO


estou cansado
de me sentir
feito robo
cada dia
mais alienado
deixando morrer
tudo o que sou e tudo
o que posso ser
o tempo
cada dia mais
engolindo
minha vitalidade
não tenho óleo
em minhas veias
tenho sangue...

estou cansado
de repetir
mil vezes
as mesmas frases vazias
e servir
de tapete e escada
a escória
cada vez mais viciada
em não fazer nada
almofadinhas
hipócritas
que se regogizam-se
pela soberba
falsa
não são nada
nem diferentes
de mim
estou cansado
de servir
a uma causa que não é minha
e ver cada vez
mais os meus sonhos
mortos
em mim...

5 de jul de 2017

LIVRE DE MIM

agora
sigo
sem dores

fiz
tudo
como sempre
e
como sempre
pequei
pelos meus tantos excessos

agora
sigo
de malas vazias
de peito aberto
sem rancor
sem mágoa

livro
novo
de páginas em branco

agora
vou
sem culpas
e sem pecado
livre de mim
e livre de tudo em mim



NÃO ME CHAME MAIS

não
chame
mais
meu nome
em teus sonhos

não
me queira
mais
na tua cama
de lençois
desfeitos

não serei
mais
aquele que sacia
tuas carências
mesmo
que eu queria
não vou mais

me jogar
em teus braços
e nem mais me perder
nos teus beijos lascivos

não
quero mais
ser teu escravo
submisso deste amor

não posso mais
mesmo que eu queria
mesmo que meu corpo
também peça teu corpo

me deixe
por favor
fora dos teus sonhos

TUAS ENTRELINHAS

pensei
em te escrever
todos os dias
uma poesia
mas tuas
entrelinhas
são tão claras
que me calo
te deixo
fecho as janelas
não rego
mais tuas flores

vou
te deixar
não há mais nada
que possa fazer
se nem minha amizade
te interessa
não há mais
nada em ti
que eu possa querer de ti

horas findam
amores findam
paixões morrem
pessoas virão lembranças
e as lembranças
desaparecem

tuas entrelinhas
acabaram
com minhas reticências
e colocaram
em tudo
ponto final

À TOA

tem
tardes
que gosto
de ficar à toa
pensando
nos meus tantos "e se"
e se eu não tivesse ido
e se eu tivesse ido
falado
pensado
escrito
amado
deixado
brigado
sentido
abraçado
beijado

tem
tardes
que gosto
de ficar assim
pensando
em tudo
ao contrário
como teria sido
"se"

vejo
o cigarro
que não fumo
queimando
no cinzeiro

vejo as unhas
que não crescem

vejo
o pó se formando
na estante

e meus pensamentos
nestas tardes
em que fico à toa
me deixando
levar
pelos meus tantos "e se"

4 de jul de 2017

TEMPO

o tempo
roubou
tudo de mim

destruiu
meus sonhos
e minha capacidade
de sonhar

roubou
amores
e minha capacidade
de amar

roubou
minha juventude
minha sagacidade
minha coragem de ir

o tempo
me deixou
ali parado
enquanto corria
em minha volta

arrancou flores
do meu jardim
podou
toda minha crença

mudou meu rosto
meu corpo
e todo meu eu

o tempo
me roubou de mim

VELHAS POESIAS

agora
estou aqui
vivendo só
entre tantos
papéis em branco

em alguns
rascunhei nomes
em outros tantos
pedaços
de manchados
de histórias

agora
estou aqui
envelhecendo
mais rápido do que merecia
cheio
de histórias mal resolvidas
calado
olhando
pelas frestas da minha janela
fechada

solitário
envelhencendo
entre estes velhos
papéis amarelos
cheios de poesias
nunca escritas

MAIS DO QUE AMADO

eu já fui
um desbravador
um aventureiro

mais do que
amado
fui amante

eu já fui
melhor
hoje sou apenas
vestígio

tenho em meu coração
segredos
que deixo
ali
adormecidos
em meu silêncio

já andei por mundos
fui vento
sol
noites e tantas madrugadas

fui mais do que amado
fui amante

VELHO RETRATO

nunca
te vi

nunca
nos falamos

apenas
um retrato
uma velha fotografia

e tantos
ideais
e tantos sonhos
poesias
palavras
desejos

essa porra de mente
insana
que desenha
além de tudo

que vislumbra
sub-mundos
que me leva onde não quero ir

ando na contramão de mim
arranhado
machucado
distantes da minhas verdades
por uma voz que não há
por uma fotografia
por um velho retrato

DOR ALGUMA

não gosto
da dor
de dor alguma
seja de amores desfeitos
de mordidas

não gosto
da dor
de dor alguma
seja na despedida
nos arranhões
tropeços
ou na morte

dor alguma
me faz bem
dor alguma sacia
minha necessidade de vida

a realidade
já me machuca demais
a realidade
já assombra
demais meus sonhos
e isso dói

e eu
não gosto
de dor alguma

QUERIA TEU CORPO

não
eu não queria
teu amor

queria
apenas
teu corpo
como o mais proibido
pecado

queria
matar
minha sede
e este meu desejo

nada mais
de ti
queria
apenas matar minha fome
e acalmar
entre tuas coxas
meus instintos

não queria
nenhum amanhã
e nem telefonemas
e nem recados
e juras de amor
nem poesias
nada

queria apenas
teu corpo
e a sensação vazia que por um
instante
seria minha

NÃO VOU MAIS

não vou
mais
a lugar
algum

não quero mais
abraços
despedaçados
e beijos
ocos
e sem sabor

não quero
mais desejos fúteis
e um amor
de instantes

não vou
mais
me arriscar a caminhar
os mesmos
passos
e andar
de novo pelos mesmos
caminhos

não vou
mais
quero ficar
onde estou
onde escolhi estar

ESFINGE

tu
és
esfinge quebrada
aquela
imagem
se idealiza
num momento
de insanidade
desejo
que vem e morre

tu
és
momento que passa
nada de ti
fica
apenas
fragmentos
deste sonho
que se desfaz

tu
és
delírio
estado de torpor
embriaguez
batalha que não se luta
guerra desnecessária

tu
és
nuvem
num dia de sol
a despedida
o regresso
o adeus

ESCONDIDO

às vezes
e por tantas
vezes
é preciso
se esconder
de nós
dos nossos medos
dos nossos desejos
da nossa vontade de querer
dos nossos sonhos
dos nossos demônios
ficar ali
camuflado
deixando que a vida
passe por nós
sem nos ver
sem nos tocar
às vezes
é preciso
mudar de face
mudar de vida
se calar
ficar ali
entre os cacos quebrados
sem gritos
em silêncio
às vezes
tantas vezes
é preciso mentir
mentiras que não são nossas
e fingir
sempre
que está tudo bem
para que assim
o mundo nos deixe em paz

JANELAS FECHADAS

estou
fechando
minhas janelas
enfim
estou dizendo
o adeus
que por tanto tempo
resisti
em não dizer
já fiquei
tempo
demais
olhando
tudo de cima
deste muros destruido
ainda resta
em mim
coração
ainda resta
em mim poesias
e porque devo eu
querer dá-las para
quem não sabe ler
estou indo embora
não há mais o que fazer
fiz as malas
fechei minhas janelas
e te deixei
ai
exatamente onde sempre ficou

28 de jun de 2017

COMO TANTOS

somos
como tantos
entre tantos
que passam

somos
como tantos
que ficam
na espera
de tantos outros
porvires

sentados
olhando
ou apressados
afoitos

como
tantos
que vivem

somos
papéis em branco
guardanapos
amassados
sem poesia

cálices

somos
como tantos
entre tantos
que passam

sem cores
inertes
sombras
de tantos
que passam

JÁ ERA


era

já se foi
um novo
inverno
chegou
em meio
a outros tantos
infernos


era
a luz apagou
o frio
que era
intenso
já não é mais

e o que era
amor
se desfez

foi
sopro
numa vela de verão
foi
atemporal
foi chuva

já era
o que se foi
sem mais
sábados
sem mais esperas

APENAS ESCREVO

apenas
escrevo
sem intenções
sem pretensões

para me esvaziar
das tolices diárias
para que nenhum
desejo
seja maior
do que meu desejo de seguir

apenas
escrevo
para que este rio
siga fluindo
para que minhas artérias
não entupam
com tanto sentir

sigo
assim
entre amores que invento
entre paixões
e prazeres sórdidos

para que a vida valha
a pena
e meu viver
jamais passe em branco

TE OLHO

te cuido
te olho
te cubro
a noite
quando a noite
se faz fria

te espero
quando
as horas
insistem em morrer
rápido demais

te amo
além do amor
de convenções explicítas
e espúrias

te mimo
com margaridas
e girassóis
com poesias
sempre escritas
com declamações
e palavras de amor

como se te amar
fosse só isso

te olho
para sempre

ESCARNECIDO

não falo
mais
teu nome

já não grito
mais
por ai
tuas indecências

minhas feridas
apodreceram
amputei
do meu coração
teus pedaços

não falo
mais
teu nome

deixei
ali teus espinhos
como sinal
do que não quero mais

não
volto mais
só, fico...
sem lembranças
coração amputado
escarnecido

JARDIM VAZIO

gosto
mais
do teu silêncio

gosto
mais
do meu barulho

gosto
das noites
que não terminam

madrugadas
frias
e a cama entre nossos sonhos

gosto
mais
do cigarro aceso
no cinzeiro

e no teu hálito
o cheiro
podre das palavras
não ditas

gosto
das tuas cinzas
dos nossos livros
e do nosso agora
jardim vazio

TEM DIAS

tem dias
que não quero nada

quero
apenas
sair do ar

tem dias
que tudo me consome
ainda mais
a pasta de dente
arde em minha boca
e no espelho
não sou mais eu

tem dias
que desejo
apenas ficar
sepultado em minha cama
coberto
de cinzas e poeiras

fora do ar
fora de sintonia

longe de mim
longe de tudo

BOCA NUA

gostava
da tua boca nua
sem batom

gostava
do teu corpo nu
envolto
no lençol

gostava
das tuas insinuações
de amor
e quando
falava
de uma ardente paixão
de Agosto

lia
em teus olhos
o que jamais
iria me dizer

talvez
por covardia
talvez

preferia
tua saliva
como batom
da tua boca
que sempre escorria
e eu bebia

TARDIAS TARDES VAZIAS

destas
tardias
tardes vazias
o que restou
foi
o vento
que veio
te ventou
e foi embora

destas
tardias
tardes vazias
lembro-me
ainda
do gosto
sinjelo
das tuas feições

não era
comum
aos meus olhos
via-te
de forma diferente
como se em ti
não houvesse
corpo
e foste vestida apenas
de alma

naquelas
tardias
tardes vazias
éramos um
no meio de todos
e o amor
que nos uniu
naquelas
tardias
tardes vazias
foi
o mesmo que nos separou

JÁ NÃO INSISTO

tu
és
rua sem saída

não
insisto
mais naquilo
que não quero

não posso
dizer
sim
a tudo aquilo
que já vivi
e renunciei

quero
apenas ficar
do alto de mim
contemplando
a natureza morta
dos dias que virão

tu
és abismo
e eu
estou cansado
de bater
minhas asas em vão

então eu fico
onde estou

não insisto
naquilo
que não quero mais

SEM PALAVRAS

aquele
que fui
há tempos
deixei de ser

fui
morrendo
um pouco
a cada dia

foram
me matando

aquele
que fui
há tempos
deixei de ser

hoje mais
calado
quase sem palavras

hoje
mais inerte
reflexivo

deixei
de amar
o amor que sentia

minha vitalidade se dissipou
com o tempo
olho
a vida da minha janela
e não ouso mais
viver

apenas
me lembro de quem
já fui
um dia

14 de jun de 2017

NÃO SINTO MAIS NADA

não
te escrevo mais
não
falo mais
de sentimentos
de amores
das paixões todas
deste meu eu

escrevo
agora
sobre as pedras
imóveis

sobre os cacos
jogados
no lixo

e no lixo
ali jogado
no lixo

não escrevo mais
não falo
mais destas dores
do sentir
não quero sentir mais nada

escreverei
sobre as sombras
de um dia sem sol
e deixarei
ali
sepultado a beira do caminho
tudo aquilo
que um dia senti

AMO-TE ASSIM

nem sei
quem tu és
e te amo

amo-te
sem saber
teu nome
sem conhecer
teu riso

que me importa

amo-te
assim
despretensiosamente

apenas
por te ver
passar todos os dias
pelo mesmo
caminho

ainda que não me vejas
refletido
em teus olhos

estou ali
na mesma alameda
de sempre
e te amo
sem saber como
e nem porque

quando souber
deixará de ser o amor que é

NUMA GAVETA QUALQUER


tempos
deixei
ser
quem fui

há tempos
perdi
o sorriso
em qualquer lugar

cultivei
as cicatrizes
em mim
e dores
já não doem mais

deixei
rastros
para trás
e trago comigo
meu passado

para que eu me lembre
quem nunca
fui

há tempos
me esqueci
numa gaveta qualquer

NADA SEI

não
sei
em que céu
habitas

se estrela
vento
ou sonho
de noites sem fim

não sei
se é presságio
se é tormenta
ou temporal

se é chuva
sol
estrada sem fim

não sei
se és pegada
caça
ou caçadora

deusa
ou demônio

não sei
nada
se és escuro
luz
ou névoa que não passa

DESENHEI VOCÊ

desenhei
você
em uma tela
usada

usei
tintas que eu
tinha em casa

usei
as mãos
para dedilhar
teu corpo
teu rosto
cada poro teu

desenhei
você
com giz de cera
numa rua
sem movimento


eu te via
ali
jogada
nos meus sonhos
tão reais

desenhei
você
para que a chuva
depois
apagasse
qualquer marca sua

e você
escorresse
e desaparece

TE VIVEREI

beberei
ainda
este teu veneno

mesmo
que eu morra
na hora
seguinte

ainda
sentirei
na boca
o suor da tua pele

ainda
que eu esgasgue

serei
teu
nas mentiras
dos teus versos
mal declamados

ainda
que na manhã
seguinte
não reste mais nada
de teu abraço

te viverei
ainda
que depois de tudo
não reste nada


NOITE DE INSÔNIA

sonhei
você
numa noite
de insônia

não eras
mais
a mesma

estava
sem mãos
sem face
sem espinhos

sonhei
você
nem destes meus instantes
de insanidade

não eras
a mesma
e nem eu
como antes

eras um rabisco
num papel amassado
e eu cinza
deste mesmo papel queimado

espalhado
pelo vento
de uma noite
de insônia
em que sonhei
você

PASSARÁS

ainda
passarás
por mim
e eu
estarei
ali
inerte
disfarçando
tudo aquilo
que já não sinto mais

ainda
passarás
derrubando
pelo caminho
farpas
e espinhos
e o veneno ácido
do teu perfume

eu
estarei ali
entre
a multidão
de desapercebidos
indiferente
a dor


não saberei
mais nada de ti
e tu
saberás
ainda menos de mim




SERÁS


serás
sempre
meu vício
minha insensatez

serás
sempre
minha volta
meu atalho

o rio
que me leva
ao mar

serás
sempre
a razão
e a revolta

a janela
sempre
aberta
e a porta
encostada

serás
sempre
amante
amada

minha serenidade
e minha loucura

serás
ainda que não reste mais
nada de mim

EU MINTO


eu minto
o tempo
todo
o tempo
inteiro

invento
paixões
e delas me alimento

invento
pessoas
personagens
mundos

eu minto
para que minha
realidade
passe mais rápido
e seja para mim
menos indolor

eu minto
para mim
para aqueles que não
conseguem me enxergar

eu minto
finjo viver
e apenas sobrevivo

ainda







9 de jun de 2017

VELHO CORAÇÃO


fico
ali
por horas

olhando
o cursor
piscando

fico
ali
parado
entre palavras
perdidas

tento
dedilhar
sentimentos
e esfolo
ainda mais
o velho coração

fico ali
entre suspiros
e o catavento
parado

fico
ali
entre as cinzas
do cigarro queimado
olhando
o copo vazio
o corpo vazio
e o velho
coração
esfolado de amor

ESCURO


ficarei
em silêncio

deixarei
que a vela
se apague
nas tua própria
cera

ficarei
entre
minhas memórias
e lembranças

não
dá mais
para brincar
de menino assustado

a vida
me ensinou
a crescer

depois
que a vela
se apagou
e o escuro
se fez

foi
nele
que me vi
refletido

ficarei
em silêncio
sem fósforos
sem velas

sem mais
poder brincar de ser criança.

DIAS DESIGUAIS


estamos
perto

poderia
sair
agora
de onde estou
e ir ver
se você
é mesmo
de verdade

não mais

pra que
plantar tantas
sementes

pra que
insistir
em gritos

o silêncio
é melhor
arde mais

estamos
perto
vivendo a mesma
desarmonia
de sempre

felizes
nesta balbúrdia
de nossos dias
tão desiguais

NÃO SOU MAIS


é
agora sei
que não sou
mais o mesmo

não mais
em mim
a velha
intensidade
de tudo

a explosão

não sou
mais
aquela granada

agora
fico
na paz
dos meus dias

vivo
das minhas
circunstâncias

não grito
mais
gritos
em vão

toda
dor
em mim já doeu

não planto
mais espinhos
não mais
cultivo
nada em corações vazios

tudo
o que fui
já não sou mais
há tempos

MENTIRAS INVENTADAS


enfim
deixei
que morresse
em mim

nada
teu
é mais meu

nada
na verdade
nunca foi

e o que era
meu
e eu insistia
em compartilhar
com o vazio
que havia

passos
em descompassos

egos
que brigavam
entre si

poesias
mortas
no papel em branco

nada nunca
foi de verdade
e eu
insisti
nas mentiras
que inventei

ESPERAS VÃS


nunca
existiu
nós
em laços

o que foi
foram
intenções
despretensiosas

o que foi
foram
esperas
vãs
do que jamais
seria

não houve
reflexo
neste espelho quebrado
não houve
barulho

foram
laços
desfeitos

jamais
haveria nós

MIGALHAS


qualquer
sentimento
ainda
que ínfimo
não sobrevive
a migalhas

a falta
de querer
a falta de tempo

nada
resiste
a falta deafeto
a falta
verdadeira
de qualquer querer

a dor
passa
como o tempo
que passa

vidros
se quebram
veias rompem
coração silencia

tudo finda

NUNCA FALEI DE TI


nunca
falei
de ti
a ninguém

nunca
expus
a dor
que teu veneno
me causava

sempre
silenciei
teu grito
em minhas madrugadas

jamais
falei
dos versos
das crônicas
e toda essa novela

sempre
te deixei ali
incólume

aprendi
a te deixar ali
sem precisar
de nada
do que era teu

eras
tudo o que um dia
como tudo
iria morrer

e morreu

NOSSO DESALINHO


chega
uma hora
que chega

entre
tantas idas
e vindas
e voltas
e reviravoltas

nunca se disse
nada
nunca houve mesmo
nada que valesse
à pena

então
voltamos
ao pó
de nós

cada um vivendo
seus desencontros
nunca houve
qualquer razão

apenas
desafeto
e este nosso desalinho

entretanto
ficarás
na inércia
de todos os meus sentimentos

e quem sabe
um dia
por descuido
tua rua
encontre por ai
minhas folhas sujas

À VENDA


o que podes
querer
de mim

minha luz
minha loucura
meus vícios

o que queres
que eu faça
que vá ao encontro
do teu caos
de encontro com tuas convicções

teu jeito
de sentir
deixou aleijado
meu coração

como tu
também
não gosto de migalhas
e por sermos
tão iguais
somos diferentes

então
agora
pra ti portas fechadas

troquei
as fechaduras
as chaves
todos os segredos
e até os cadeados

e que não haja
engano
troquei
de corpo e de alma

apaguei
a luz
e tudo o que havia
de ti
coloquei à venda

6 de jun de 2017

VISCERAL

ei
de me agarrar
em teu colo
e esquecer
as controvérsias
do mundo

ei
de me colocar
em teu ventre
como filho
arredio
que cansou
de tantas lutas

ei
de querer
sempre
teu amor
e teus desaforos
porque é disso
que somos feitos

o amor
visceral
que ninguém entende

quero
sempre
todas as noites
de nós
me agarrar
em teus seios para não
sair dos teus sonhos