10 de nov de 2016

ADRIANA GARNIERO

abri
a torneira
do meu sentir
deixei
que tudo
escorresse para fora
de mim
abri
as janelas
deste meu velho
mundo
abri
as portas
tirei o tapete
tirei o pó que me cobria
me mudei
de lugar
troquei minhas fronhas
amareladas
joguei o perfume fora
tirei as farpas
e os espinhos
deixei
a torneira aberta
e água
não para de correr
e não
não me afogo