"Se procura prazer, poderá encontrar aqui as suas mais diversas formas. Há quem procure palavras, há quem procure belas imagens, há os curiosos, os que admiram minha maneira de escrever. Uns julgam erótico. Outros julgam ser sensual e uns apenas lêem as palavras aqui escritas. Isso é algo que não cabe a mim julgar. Sei das minhas intenções... Sei do meu amor pela poesia... Sei da minha infinita sede de escrever..."
SEJA BEM VINDO - 9 ANOS DE POESIA! ! !

FÃS DE CARTEIRINHA

31 de jul de 2016

EU DEIXEI

me
contaram mentiras

me
falaram de amor

me
colocaram em ruas escuras

em becos
e vielas

cortaram minhas asas
roubaram meu sentir
me calaram

pior
de tudo
mataram parte de mim

e
eu deixei
não disse nada
nem gritei
apenas deixei

até que um dia
abrir a porta da minha gaiola
e voei
para longe

PECADO

preciso
de um pouco
de pecado

vou sair
por ai
vou parar num bar qualquer

pedir um copo
cheio de nada
acender um cigarro
olhar mulheres

vou pedir
qualquer coisa
sem amor

porque sem amor
qualquer coisa
vira pecado

vou voltar
para dentro de mim
não sei querer
sem amor
sem amar

SIGO ESCREVENDO

eu
sigo
escrevendo
pelos mesmos
caminhos
sinuosos

as vezes
raras vezes
vejo flores

as vezes
tantas vezes
vejo dores

tantas peles
morenas
brancas
peles negras

às vezes
assobio
o canto dos pardais
que não cantam

eu sigo
agora
sem minha cruz


AINDA

ainda
com tudo

com toda
minha bagagem
me deixo
enganar

como se as
ilusões
e as falsas
promessas fizessem
parte de mim

como
se eu precisasse
das mentiras
que me contam

com tudo
o que passei
ainda
assim me deixo levar

porque quero
porque gosto
porque tudo isso sou eu

NADA SEI

não sei
de política
religião
futebol

não falo
da vida
alheia

estudo mulheres

não falo
de estradas
por onde nunca passei

nem de sorrisos

não sei
de nada
além de tudo o que sinto

estudos mulheres

o perfume
o jeito
o sorrisos
suas verdades
mentiras

é o que sei
é o que faço
 

TROPEÇOS

tropeçando
vi pedras

vi o céu
de um modo diferente
quando
a terra
me fazia teu

tropeçando
senti
a dor de instantes
que passam

me vi ali
sem alma

me vi ali
caído com medo
de tudo

machucado
ferido
anjo caído

fazendo parte da terra
fazendo parte de nada

MENINA

não menina
não te darei minhas
promessas

teu coração
ainda
ira mudar
tantas vezes

ainda
haverá
em teu riso
muitos vazios

não menina
não te darei minhas
mentiras

posso apenas
apenas
te ensinar
a voar

mas as asas
não sou
eu quem vai te dar

não te darei nada
nem asas
nem mentiras
nem minhas falsas promessas

FOLHAS

folhas
na rua

árvores nuas

ela passa
sempre passa

trás a lua

sem risos
sem olhares
pisando nas folhas
das árvores nuas

eu olho
de soslaio ela também olha
isso
me basta

ela indo
eu voltando

folhas caindo
árvores nuas
e mais um dia como tantos
outros dias

SEM BEBER NADA

escrevo
sem
beber vinho

sem beber
água
sem beber
nada

escrevo
porque amo
essa liberdade
que s palavras
me dão

adoro
esse mel que escorre

esse balsamo

escrevo
e me deixo
embriagar
sem beber nada

apenas palavras
apenas sentidos
apenas

PODEMOS

podemos
fugir

podemos
fazer amor ali
na esquina

podemos
voar
por tantos precipícios

podemos
deixar
nosso barco à deriva

nadar nus
em nosso mar
de emoções

podemos amar
apenas amar

podemos
ficar queitos
em nosso silêncio

 podemos
ser um
ou dois
ou nenhum 

30 de jul de 2016

BEIJA MAIS NÃO MORDE

beija
mas não morde
a boca

ama
mais 
não marca a pele

grita
se quiser
chama meu nome
ou chama
quem quise

morde
mas não tira
sangue

arranha
deixa tuas marcas
do teu afoito amor
em mim

xinga
não me importa
diz que sou teu
e demais ninguém

mente que eu acredito

FLUINDO

deixo
fluir
não penso
nem repenso

apenas
escrevo
quando se faz
em mim
silêncio

quando
há em mim
paz

quando
há desejos
secretos

quando
os olhos
fogem

e quando
corpos se buscam

deixo fluindo
e escrevo

NO CÉU DA MINHA BOCA

te mandei rosas
canções
de acasos

te mandei livros
rabisquei
na capa
poesia

pintei
teu retrato
no céu da minha boca

nas estrelas
do meu céu azul

te mandei
embor
dos meus sonhos
para te fazer
real e viva
em mim

DAS ROSAS E DOS ESPINHOS

ainda
gosto
das rosas
e dos espinhos

gosto
do bem me quer
das margaridas

ainda
gosto
dos olhares
e dos sabores
das bocas
de hálitos perniciosos

dos corpos
com malícia
e das roupas jogadas
no chão

ainda gosto
do pecado

NÃO ME PEÇA

não me peças
poemas
poesias
cartas ou
juras de amor

meu amor
nunca será teu
ele é meu

terás de mim
apenas
papéis em branco

histórias
jamais escritas

não peças
meu corpo
em tua calma

sou alma
bem mais que corpo
não te tenho mais
em meus sonhos

e meu amor
agora
é meu

SENHOR

sou
um senhor
e assim
devo me comportar

certas
atitudes
são incabíveis
mesmo
que o menino
em mim
grite liberdade

preciso
deixar calada
emoções
não posso mais
deixar alma escancarada

não posso mais
brincar
com nada

sou um senhor
e a vida
agora
é chata
chata pra caralho
e o tempo nesta cadeira de balanço
não passa


TEU AMOR SEMPRE

teu amor
me cativa

teu amor
me comove

teu jeito
manso
está paz
tão tua

tuas certezas
tua fé

m rendo
ao teu charme
a tua gostosa malícia
a tua beleza morena

teu amor
único no mundo
que faz
voltar

me rendo
me entrego
me compadeço

ME MATARAM AOS POUCOS

eu
era legal
sem medo
sem hipocrisia

brincava
com todos
ria
com frequência

me julgavam
pensavam
que eu estava bebado
drogado

e assim
foram me matando
aos poucos
com descaso
ferindo meus passos

assassinaram
meu
sorriso

eu era bem melhor
do sou
hoje
amanhã
e depois
e depois depois

JÁ FUI

já fui inteiro
hoje
sou metade

metade
de tudo o que
já viv

metade
de tudo o que
já senti

metade
e um pouco mais
das pessoas que passaram por mim
de deixaram suas cinzas

hoje
sem pressa
recordo
quem fui com saudades

cheio de certeza
sem medo da vida
ou de amores

hoje
medroso
fujo
do mundo imundo

ENTRE SILÊNCIOS

vivo
entre silêncios

os meus
e o de todos

vivo
de ecos
aparentes
transparentes

vivo
agora na inercia
de sentimentos

vivo
mais calado
deixo
o ar
que me alimenta
inflar o peito
que ainda arde

vivo
agora, morto

29 de jul de 2016

AUSENTE

e
assim
vou me ausentando
cada vez mais
de tudo
o que está fora de mim

me ausentando
de memórias
invasivas
de batalhas
que não são minhas

vou me ausentando
das mentiras
que me contam
das ilusões
que me seduzem

assim
vou me ausentando
das velhas manias
dos velhos modos
dos velhos hábitos

me ausentando
do mundo
fora de mim

MEDO

tenho tido
medo

medo
de quem me olha
na rua
medo
de quem me toca
por acaso

tenho tido
medo
do vento
das noites
e dos dias que
não vejo

tenho dito
medos dos beijos
que são vício

medo
do amor
que é droga
medo
de todos os sorrisos
que envolvem

PARALELAS

paralelas
não se encontram
nem por destino
nem por acaso

paralelas
linhas
que andam juntas
apenas

lado a lado
ainda
que distantes

sol e lua
vento e chuva

paralelas
linhas imaginárias

como as pessoas
que se vêem todos os dias
lado a lado
e que jamais se encontram

DESPUDORADOS SEIOS FARTOS

os bicos
rosados
dos
teus seios fartos

rigidos
entumecidos

teus
seios
fartos seios
despojados do sutian

tocam
o tecido
suaves
os bicos rosados
dos teus seios
despudorados
fartos

não sabem
o que o causam
o frisson
os desejos

se sabem
disfarçam
escondidos
no decote
 

QUANTOS VAZIOS

quantos
poetas
sem poesias
sem musas
sem divas
sem nada

quantos
poetas
de livros vazios
poemas
de palavras
apenas

quantos
poetas
falando em prosa
cheios
de flores
sem perfumes

estão ai
e não estão
passam
como todo vento que passa

BOCAS

gosto
das bocas nuas
nuas
de batons
e cheias de brilho

gosto
da pele sem nada
poros livre
para respirar

gosto
do cheiro da pele
quando o amor de dois
acontece

gosto
de bocas nuas
cheias de brilho
salivando
desejos

SOMBRAS

prefiro
as sombras
os pequenos
feixes de luz
sou efêmero

sou pássaro
vento
areia da praia

sou momento
pigarro
pirraça

sou meio criança
moleque arteiro
cheio de marra

sou fiasco
pedra imóvel
que não rola
que não diz nada
preso nas montanhas
de tudo o que sou

MENTE PRA MIM

de verdade
me diz
teu nome

me fala
dos teus medos
das tuas crenças
das tuas ânsias

me conte tudo
ou se preferir
não me diz nada
apenas louca
me beija minha boca gelada

me dá
quente os seios
e a flor
entre tuas pernas

de verdade
mente pra mim
diz que sou teu nada
e a amanhã me deixa sem você
na minha
velha
e conhecida estrada.

ONTEM

os filhos
de ontem
hoje são pais

as sementes
de ontem
hoje são flores

as flores de hoje
amanhã
de volta sementes

hoje poeta
amanhã
poesia
sem versos
nem rimas

tantos ontens
e amanhãs
que já se foram

tanto
que se viveu e se perdeu
e se foi
e se esvaiu

MEMÓRIAS

lembro
de todas
as pessoas
que de algum modo
passaram
por minha vida

todos
que ficaram
feito tatuagem

lembro
dos nomes
e dos sorrisos

lembro do
primeiro beijo
do segundo beijo
e da primeira vez
que fiz sexo

lembro
das cenas
e dos perfumes

tudo morrerá comigo um dia
e daí
seremos juntos
cinzas

28 de jul de 2016

INOCÊNCIA

perdi
minha inocência
quando
descobri o amor

o amor
enforca
prende
doma

perdi meu espaço
quando amei

o amor
rouba
cala
suborna
corrompe

o amor
é uma merda
e ainda assim
o melhor de tudo

POESIAS

poesias
são pedaços
de mim
que vou deixando
pelo caminho

poesias
são fragmentos
de todos os meus
tantos
pensamentos

é que às vezes
os peito infla
é que às vezes
o coração aperta

tudo um pouco dilacera
incinera


poesias
são acalento
meu remédio
meu veneno
a cura de um vazio

RECLUSO

estou
recluso
de amores

ando
por ai
de peito vazio

sem nada
sem versos
sem poesia

sem olhares

ando
por ai
nas ruas antigas
de um lugar que não conheço mais

ando nu

sem deixar vestígios
sem deixar pegadas
sem deixar passado

nu
sem versos
sem poesia

ESCORRENDO

vou
deixando
escorrer os versos

palavras
não cabem
mais em mim

devagar
vou divagando
pelos riscos errados
das palavras por tanto tempo
caladas

deixo
que o papel
se desenhe com as
palavras de mim

versos
sem rimas
mais cheios
de palavras vazias

SONHOS IRREAIS

vivia
os sonhos
mais irreais

eu cri
cri nas ilusões tardias
de vê-los
realizados

deixo
hoje meus sonhos mortos
com as flores mortas das poesias que plantei
pelo caminho

não
me agarro
mais as ilusões
e sorrisos fáceis

não
dá mais para brincar
de ser feliz
sonhos enganam
disfarçam
as verdades da vida

não sonho mais
não me alimento mais
de ilusões desnecessárias

DEIXE

deixe
caladas
minhas cicatrizes

deixe tudo
onde está

os olhos
no chão
as janelas e os vidros quebrados

deixe
meus vasos sem flores
e minhas veias
sem sangue

deixe
a bagunça
do lençol frio
e as paredes sujas

deixe
o corpo marcado
me deixe
onde estou
vivo no teu passado

QUANDO HÁ PAIXÃO

fácil
demais
escrever quando a paixão
bate no peito

há flores
em tudo
e tudo
é belo

a vida difícil
fica amena
a dor antes latente
passa

vem os versos
as rimas
as juras mentiras
em nome do amor

escrever
sem paixão
é dom

LEMBRANÇAS

algumas
lembranças
estão se apagando

ficando em meio a neblina da minha memória

tento focar
ver
relembrar

estão esmaecendo
pelo tempo
pela pouca importância
ou até mesmo porque já se foram

hoje
não já não mais
lembranças

algumas
ainda insistem
em ficar
outras desaparecem
no abismo sem fim do meu passado

FOTOGRAFIAS

os
rostos
são fotografias

algumas memorizo
outras esqueço
outras, sei lá

os rostos
são iguais como se eu
olhasse todos do alto
de um edifício

feições disfarçando sentidos

todos
no mesmo barco
desta ilusão de vida

rostos nus
sem suas máscaras
aberto
as minhas tantas interpretações

apenas fotografias
que dizem tudo
e não falam nada

DA MINHA JANELA

agora
olho o mundo
da minha janela

raras vezes
arrisco
a olhar o sol

gosto
da sombra
fujo das multidões

sinto-me
assim
parte de nada

agora
os sorrisos tem motivos
para serem inventados

estou
melhor aqui
vendo o mundo lá fora
aqui da minha janela

12 de jul de 2016

DETALHES

eu
gosto
de todos
os teus detalhes
gosto
do contorno
dos lábios
e as sombrancelhas
bem desenhadas
gosto
dos cabelos
bagunçados
pelo vento
e o esmalte
descascado
na pontas das unhas
eu gosto
dos ombos
nus
e do colo
de tua exuberância
gosto
dos pés
das unhas dos pés
dos contornos
delicados
do teu corpo
gosto
da pele
de cada poro
da tua pele
de cada detalhe teu
gosto
da cintura delgada
das coxas bem desenhadas
da barriga
das pintas
das sardas
de tudo o que é teu
do teu mundo
e das tuas cores