22 de jun de 2015

ANDO


ando
assim
em desvarios
em espasmos
ando
assim
deixando
que nada
mais faça
parte de mim
ando
cabisbaixo
arredio
cheio de infartes
coração pesado pesado
ando
assim
olhando o nada
minhas sombras
também cansadas
ando
sem voz
sem tato
sem cor
ando
pálido
cheio de medo
ando
escondido
entre escombros
entre muros
becos
gritos escuros
ando
empurrado pela vida
ando
procurando
meu destino
que anda
por ai
a revelia
por ai
por ai
ando...