11 de jul de 2014

MADRUGADAS

espero
tantos amanhãs
em tantas
madrugadas
frias
quantos copos
vazios
quebrados
quando meu corpo
ainda
sente
minha própria ausência
espero
uma luz
que cegue meus olhos
espero
uma dor
que me mate
que me acabe
quantas
madrugadas
ainda virão
quanto tempo
ainda
ficarei
vestida
por mentiras
espero
em noites sem ninguém
corpo
sem alma
vazio
solidão
espero
que a morte
tenha pena
de mim
e me faça renascer
em alguma madrugada
de tantas outras