"Se procura prazer, poderá encontrar aqui as suas mais diversas formas. Há quem procure palavras, há quem procure belas imagens, há os curiosos, os que admiram minha maneira de escrever. Uns julgam erótico. Outros julgam ser sensual e uns apenas lêem as palavras aqui escritas. Isso é algo que não cabe a mim julgar. Sei das minhas intenções... Sei do meu amor pela poesia... Sei da minha infinita sede de escrever..."
SEJA BEM VINDO - 9 ANOS DE POESIA! ! !

FÃS DE CARTEIRINHA

30 de jul de 2014

TUAS LÁGRIMAS


deixa
que tuas lágrimas
lavem
a terra
deixa
que tua dor
cicatrize
todas tuas
dores
deixa
que a saudade
fique
e se cale
na tua alma
deixa
que agora
haja silêncio
não diz mais
nada
deixa
tuas lágrimas
caírem
dos olhos cansados
de tudo
deixa
que seja assim
sempre
será
essa dor
que castiga
essa saudade
lasciva
deixa
que tudo devagar
volta
a ser como sempre foi
tardes
frias
e vazias
deixa
tuas lágrimas
caladas
molharem
tua terra

VOCÊ MORREU PRA MIM


você
morreu pra mim
em mim
nada ficou
nada restou
nem lembranças
você
marcou
meu novo recomeço
me fez
crer no que é o amor
amor de verdade
amor que você não sabe
amor que nunca viu
sentiu
tocou
você
é pedra jogada
no rio
vai fundo
e fica ali
virando
lodo
no vazio
de tudo
você
morreu pra mim
vento que passou
e levou
o que havia
minhas pegadas
certezas
ironia
foi
morreu
ficou minha paz
minha consciência
e mais
nenhuma certeza

ME ERRO


eu me moldo
me transformo
me deformo
não me importo
deixo-me ir
deixo-me levar
e vou
até que me encontre
em todos
os rostos
por ai
eu me calo
eu me afasto
me defendo
de tudo aquilo
que me assusta
e tanta coisa
ainda
me assusta
visto-me da noite
que cai
visto-me da sombra
que me segue
não sou reto
sou curva em desalinho
sou mais que a metade
sou um trago
no cigarro
apagado
sou circunstância
eu me moldo
faço de mim
rascunho
me erro
me enterro
me desespero
borboleta
mariposa

29 de jul de 2014

QUEM SOU


penso
que sou
miragem
penso
que sou
bagagem
penso
que sou
bobagem
não sou ninguém
sou desafeto
quase
um grito
um berro
penso
que sou
o queria ser
o menino
de estrepolias
o menino
que vivia
o que a vida lhe dava
penso
que sou
aquele que iria
além de mim
aquele que voaria
que andaria pelas estradas
penso
que sou
aquele que ficou
parado
devorado
pelo tempo
que passou
quem sou
sou
quem penso
quem imagino

27 de jul de 2014

DESFOCADA


não existe mais
nada especial
em ti
desfoquei
teu rosto
teu modo meu
de te ver
não existe mais
nenhum
encanto
nenhuma admiração
desfoquei
minha maneira
louca de te ver
não há mais
nada
que queira
apenas meus versos
de todas as noites
de insônia
nas minhas noites
de tantos medos
quantos medos
gritei
pelas janelas
fechadas
ninguém nunca ouviu
ninguém nunca
me olhou
ninguém soube
nunca
quantas vezes chorei
desfoquei
teu rosto
pra nunca mais te ver

NÃO MAIS


não mais
não te sonho mais
em meus dias
e nem quero
mais teus beijos
nem teu corpo
nem meu copo
não mais
não te quero mais
nas minhas fontes
de inspiração
bebendo
minhas águas
entorpecendo
meu jeito
de sonhar
não mais
habitará
em minhas esperanças
em meus desejos
matei
tudo de ti
em mim
resta agora
teu corpo em fragmentos
e meu desejo
que se refaça
que se reinvente
não mais
nascerá em mim
nenhum sonho
por ti
nenhum desejo
nenhuma fantasia

RAIOS


caiam
os raios
desta tempestade
sobre mim
desmorone
meu chão
façam-se buracos
nas melodias
que canto
espanto
caiam
todas as chuvas
e os temporais
desfaçam
as mãos que se entrelaçavam
e as bocas
que se beijavam
se calam
caiam
minhas dores
e suas cores
e meus entorces
e meu medo da morte
deixe
de ser quem sou

não sou mais
quem fui
raios
tempestades
e todos os silêncios
do nosso mundo

23 de jul de 2014

ESTE MEDO


Este medo
Este silêncio
Estas dúvidas
Estes tormentos
Querer ir
Para onde
Nada impeça
De sentir
Estas incertezas
Estes gritos
De dor
Este medo
Estas angústias
Incertas
Esses sussurros
De vozes
Mudas
Esta falta de coragem
Esta falta
De verdades
Estes tantos absurdos
Almas
Que gritam
Almas
Que sentem
Almas
Que não sentem
Nada
Ruas
Vazias
Ventos frios
Madrugadas
De todas as manhãs
Minhas loucuras
Minha insensatez
Dormentes
Dementes
Impotentes
Diante

Deste medo

JOGASTE FORA


Jogaste
Fora
Minhas mãos
E meus abraços
Disseste
Não
Ao meu amor
Ao meu bem querer
Então
Agora
Te dou meu silêncio
Minhas horas
De angústia
E a dor
Da tua incompreensão
Julgaste
Sem saber
Por medo
De arriscar
Por medo
De sofrer
Deixo-te
Agora
Na paz que te conforta
Não insisto
Bater mais
A tua porta
Não devo
Não posso
Mesmo que me minha’lma
Grite
Mesmo que meus olhos
Te busquem
Não posso
Querer
Um querer sozinho
Deixo-te ir
Para teu lugar de sempre
Te dou

Agora meu silêncio

NÃO CONSIGO


Não consigo
Me imaginar
Sentado no sofá
O dia inteiro
Sem amor
Sem amar
Não consigo
Me imaginar
Olhando
Pela janela
Vendo a vida
Passar
Desordenada
Por mim
Não consigo
Represar
Esses meus sentimentos
Esses ventos
Constantes
Que sopram em mim
Não consigo
Me imaginar
Com o coração gelado
E o copo
De café esfriando na mesa
Não consigo
Me imaginar
Mãos ressecadas
Pés rachados
Estagnado
No sofá
Assistindo
Meus pensamentos
Desfilar
Sob minha cabeça
Vazia
Não consigo
Me imaginar
Sem essa vontade

De amar

22 de jul de 2014

SEM NADA


Adoro
Ficar sem fazer
Nada
Andar pela casa
De madrugada
Abrir a geladeira
E tomar água gelada
De vez em quando
Mastigo
Gelo
Adoro
Ficar perambulando
Entre
Meus surtos
De consciência
Adoro
A escuridão
Dos meus pensamentos
Andar de pé
No chão
Tomar banho
De porta aberta
Cantar
Canção alguma
E me olhar no espelho
Sem nenhuma culpa
Adoro
Sentar no sofá
Olhando
Para o escuro
Das ruas iluminadas
Ver as almas vagando
Adoro
Essa imaginação

Que me faz acordar, dormindo...

QUEM SE IMPORTA


Admiro
Essas pessoas
Que não estão nem ai
Não demonstram
Sentimentos
Estão fechadas
Em seu mundo
E nada mais importa
Admiro
Essas pessoas
Que sabem lidar
Com seus sentimentos
Que não tem apego
Não tem bem querer
Aos estranhos
Admiro
Quem se omite
Quem se esconde
Queria
Ser assim
Blindado
Espelho
De todas as emoções
Não sou
Tudo me encanta
Verdades e mentiras
Sou esponja
Tenho fascínio
Pelo ser humano
E seus encantos
Admiro
Todo aquele
Que é diferente
De mim

Sente amor e não sente

O AMOR TEM PRESSA


O amor
Não é paciente
Ele tem pressa
Sede
Fome de bem querer
De bem estar
O amor
Erra
Engana-se
E perde sim
A paciência
O amor
É humano
É feroz
Alimenta-se
Dos sonhos
Das ilusões
O amor
Precisa de toques
De sentidos
Precisar sentir
O amor
Tem pressa
Não espera
Caça
Procura
Acha
O amor revira
Vasculha
Entra sem pedir licença
Ou você
Ama
Ou então brinca
Apenas de amar

O amor tem pressa

21 de jul de 2014

JOGADO FORA


A gente
Joga fora
O que é bom
O que ainda resta
Depois
Sai por ai
Feito louco
Buscando
O mesmo
Em outro rosto
Em outro corpo
O mesmo
Em outra voz
A gente
Se perde
Querendo
Se achar
E se acha
Querendo voltar
Para aquilo
Que era mais
Do que nossa verdade
A gente
Fala à toa
Sem pensar
Diz coisas que não quer
Falar
Magoa
Se rasga
Depois
Sai por ai
Nas noites mal dormidas
Querendo
Encontrar

O que o vento levou de nós

FRAGMENTOS


Este meu amor
Este meu modo amar
É todo meu
Impar
Singular
Não vejo no mundo
Nada igual
E neste instante
Foge de mim
Humildade
Pra que
Dizer que não sei
Eu sei
De mim
Sei o que sinto
Como sinto
E porque sinto
Este amor
É todo meu
Fragmentado
E espalhado
Por ai
Não cabe em mim
Tudo o que sinto
Nem posso calar
Minhas verdades
Este amor
Consome
Quem sou
Este meu amor
É amor a moda antiga
Amor de versos

Amor de poesia

POESIA MORTA


Onde havia poesia
Agora
Há o silêncio
As mesas vazias
Os copos vazios
Cinzeiros
Os poetas,
Morreram...
A Poesia
Calada
Nos paralelos
Destas avenidas
Não há mais
Nostalgia
Nem saudade
Apenas
Mesas vazias
E lembranças
Trancadas
Nas paredes
De um quarto
Qualquer
Os poetas
Morreram
Com suas poesias
Entaladas
Nas gargantas
Cheias
Do veneno
Desta vida
Onde havia
Hoje
Não há mais nada

20 de jul de 2014

DEIXA-ME

deixa-me
por instantes
para que sinta
um pouco
tua ausência
deixa-me
por instantes
beber
teu silêncio
para sinta
o gosto amargo
de palavras
não ditas
deixa-me
sentir
no vento
rastros
do perfume
desta tua pele
deixa-me
nas tuas amarguras
para me ver
em tua solidão
para que
vivas
em meus sonhos eternos
deixa-me
no teu coração
nos teus pensamentos
debaixo da tua cama
para que me aches
quando bem entender
e me beba
e me tenhas
ainda louco
por ti

TUAS NOITES

gosto
de perambular
por tuas noites
e desvendar
o segredo
dos teus sonhos
gosto
de imaginar
na cama
largada
em teu sentir
gosto
desses querer
inventado
como poesia
sem rima
como música
sem melodia
gosto
de viver
tuas ilusões
e caminhar
nas curvas
do teu rosto
sem sorriso
gosto
de te ver dormir
sonhos
inquietos
e ver o revirar
do teu corpo
semi nu
gosto
dos teus absurdos
de vasculhar
teu mundo

19 de jul de 2014

SERIEDADE


gosto
desta tua seriedade
teu jeito
manso
e forte
de articular
pensamentos
como pensa
e como se faz
entender
gosto
das idéias
sempre serenas
e teu jeito
sereno
de falar
sobre sentimentos
este teu jeito
mulher
discreta
que não deixa
transparecer
a menina
que vive em ti
gosto
da tua melodia
e do teu jeito
de viver
a vida
mulher
mãe
amiga
seria
sincera
leoa

LOUCO


podem
sim
me chamar
de louco
que mal
há na loucura
senão a própria
loucura
que mal
há em amar
assim
a não ser
o próprio amor
podem
sim
falar mal de mim
sempre falam
seguirei
amando
meus amores
meus poemas
e poesias
minhas músicas
meus vícios
minhas melodias
podem
sim
me chamar
de poeta
deixarei
minhas portas
sempre abertas
para quiser
entrar
tem loucura
demais
para todos
e amor
pra quem quiser amar

TE SONHO

te sonho
em minha noites
em meus dias
de sol
te sonho
quando
ando por ai
quando caio em mim
te sonho
quando tudo
está perfeito
quando
nem mais sei
direito
nada sobre mim
te sonho
nos meus livros
na minha respiração
na emoção
que grita
te sonho
porque meu sonhar
é livre
pássaro
de asas bem abertas
de canto manso
te sonho
porque assim
te tenho
como quiser
para te dar
o muito amor que tenho
te sonho
porque assim
será
sempre
parte de mim

AINDA QUE

ainda que por ilusão
ou capricho
eu te preciso
sem precisar
te quero
sem poder querer
te sinto
sem poder sentir
ainda que por loucura
ou por demência
que dopa meus sentidos
já me sinto
teu
sem te ter
ainda que por ilusão
ou capricho
fiz de ti
meu destino
e dos teus braços
meu porto
dos beijos da boca
meu recanto
de paz
ainda que o amanhã
desfaça
esta minha insensatez
já terei
nascido
outra vez
para viver
de novo os mesmos
sonhos
ainda que capricho
ilusão
ou sonho
te preciso
sem precisar

O QUE IMPORTA

o que importa
como
estou
com me sinto
se está viva
ainda
minha dor
que importa
como estão meus
dias
minhas semanas
minhas verdades
o que importa
se te busco
em todas
as ruas
e todos os rostos
em cada vento
o que importa
se há verdade
ou se é mentira
o que importa
se canto
encanto
ou fantasia
da minha dor
sei eu
das minhas vestes
da minha fome
de tudo
o que há em ti
o que importa
se choro
ou se faço frio
se inverno
ou inferno
ainda que nada
importe
que importa
se já não sou mais assim
tão a fim
deste nosso fim

TEU PECADO

quero
sentir
teu pecado
teu gosto
de ousadia
quero
tua melodia
tua voz
me chamando
pra tua cama
quero tua chama
queimando
meu corpo
inteiro
quero
teu gosto
teu tempero
quero
tua maledicência
tuas vergonhas
jogadas
entre nossas roupas
quero
teu pudor
sem vergonha
teu mel
tua saliva
teu pecado
numa cama
de tantos desejos
quero
me sentir
único
nos teus contos
e fantasias
quero teu arranhões
e tuas feridas
teus sonhos
teus pesadelos
quero
sentir
te provocar
e rasgar como papel
teu pecado

DIZ

diz
no teu silêncio
que já não existo mais
nas tuas verdades
nas tuas
noites de angústia
diz
no teu olhar
sem palavras
que tudo
o que era meu
morreu
jogado
na sarjeta
de tuas imundices
diz
ainda
que falte coragem
que não
me quer mais
invadindo
teus sonhos
diz
que nosso silêncio
passou
que nosso amor
de fim
de tarde
passou quando mais
uma noite
entre nós
chegou
diz
que ficarei
aqui
sozinha
e que depois de tudo
não restará mais
nada de mim
em teus olhos vazios

APARÊNCIAS


não me importo
com o que vejo
são apenas
aparências
há muito mais
que não se vê
muito mais
que não se sente
em
tudo
há um pouco
de maldade
um pouco
dessa crueldade
insana
não me importo
mais
com as palavras
vazias

tanto
caos a minha volta
tantos sorrisos
e lágrimas
tantos abraços
despedaçados
tantas
inverdades
aparências
olhos
não mais se vêem
bocas
não mais se calam
de palavras
estou
cheio
cheio
dessa imensidão
que não sai de mim

RESISTIR


tento
fingir
que teu encanto
não me seduz
tenth
que mentir
que não sinto
nada
quando
teu corpo
me chama
tento
iludir
meus sentidos
para fugir
da boca
do corpo
da cama
tento
não viver
tua sombra
e nem querer
teu amor rebelde
tento
não olhar
nada do que é teu
nem meu
nem de ninguém
quero
a tua imagem
como miragem
tento
resistir
ao amor
que quero
ainda
que haja em ti
todas as mentiras
que acredito

PERCO-ME

perco-me
em tuas possibilidades
nestes ventos
que nos unem
e nos separam
perco-me
buscando
teus gritos
nestas noites
de silêncio
perco-me
nos teus instantes
que te sinto
ainda que distante
percorro
minhas vias
sinto
meu ar
revirando meu eu
pra te encontrar
busco
em ti
meu suicídio
busco
em ti
minha redenção
perco-me
nas tuas
incertezas
e nas tuas
promessas
de um amor pagão
perco-me
ainda
nos teus ventos

15 de jul de 2014

QUIETO

Deixe-me
Em meu canto
Não tente entender o que sinto.
Deixe-me com minhas mentiras e todas as minhas sensações.
Não queria me tirar de onde estou.
Estou bem. Vagando... Andarilho... Barco sem porto... À deriva...
Deixa-me sonhar meus sonhos, viver meus delírios.
Deixe que este veneno seque sem me matar.
Não tente me entender.
Deixe meu querer livre....
Deixe meu amor ainda que estranho vaga sobre mim.
Não queria decifrar minha dor. Não queria viver meus sonhos.
É tudo loucura. É tudo fantasia.
Deixe-me então
Em meu canto
De solidão.
Preciso agora estar só
Para que todo esse sentimento
Sai de mim
Para que tudo escorra
Para este mar
Quero agora
Me perder
Sem ter pressa de me encontrar.
Deixe-me caído
Não queira me abraçar
Sempre sobrevive a mim
Sempre soube secar minhas lágrimas
Sempre soube suportar
Minhas dores
Se quiser
Sente-se ao lado
Não diga nada
Beba comigo o silêncio
Deixe que a dor inebrie teus sentidos
Encha seu peito
Deste vã amor
Olhe as ruas imundas
Olhe para o céu
Sem nuvens
Olhe para dentro do seu eu
E veja quantas lacunas
Deixe-me aqui
Deixe que minha alma
Cure-se por si só
Tropeços estão em mim
Arranhões
Espinhos
Sou feito de pesadelos, de sonhos,
De fugas, de percepções irreais.
Deixe-me aqui
Daqui a pouco
Nada mais existira
Poderei então
Voltar a viver
A realidade dos meus dias
Ainda assim
O amor
Estará eternamente em mim

SILÊNCIO

Agora te dou meu silêncio.
Não posso mais te dar meus desejos.
Eles são meus apenas.
Não posso mais querer-te.
É um querer só meu.
Agora te dou meu silêncio.
Meu inevitável silêncio.
Ainda assim é possível que me sinta.
Pode ser que me busque e me encontre voando por ai
Entre meus versos e meus rios....
Estará em minhas reticências.
Estarei calado
Deixando que tudo de você
Se vá
Ainda que queria sonhar
Ficarei ausente
Sentiras
Ou não tudo o que não foi
Sentiras
Ou não tudo o que poderia não ser
Serás poeta
E eu poesia
Ou não
Continuarás em seu mundo
De certezas
Convictas
E eu no meu mundo
De absurdos
Sou o exagero que há em todos
Os sentimentos
Agora
Não espero mais
Sento nas minhas tardes
Olho o céu
Que sempre estará lá
Agora te dou
Meu silêncio
Para que me encontre
Nos teus desejos
Ou não
Para que sinta minha ausência ou não.
Ficarás
No meus instintos
Nos meus desejos
Nas poesias que escrevi
Nas verdades que não disse...
Agora
Te dou meu silêncio.

GOSTO DE PENSAR VOCÊ

Gosto de pensar você.
Pensar como seria se eu pudesse estar do seu lado.
Gosto de pensar nessas sensações. Gosto de imaginar nosso silêncio.
Pensar para onde iríamos. Talvez criássemos coragem de ir para a praia. Ficar ali sentado de frente para o mar deixando que todo resto de nós, nos deixasse.
Gosto de pensar você.
Sem o caos de todos os dias. Sem as velhas pretensões de todos os seres humanos.
Gosto de pensar no encontro. Em todas as possibilidades.
Isso está em mim. Faz parte do meu eu.
Fecho os olhos e imagino seus longos cabelos balançando ao vento, seu perfume embriagando o mundo. Posso ouvir o som mágico da sua risada. Posso desenhar em mim a emoção de ter seus olhos mergulhados nos meus.
Gosto de pensar neste encontro casual. Nesta fuga da realidade.
Faço isso sempre. Sempre fujo. Sempre me calo. Prefiro imaginar a sentir. Prefiro sonhar a viver.
Alguns riscos são desnecessários.
Basta-me escrever.
Li uma vez que se você quiser acabar com qualquer sentimento em relação a uma mulher, escreva-a. Torne-a literatura.
Gosto de pensar. Ando tanto por ai.
Olho as pessoas que passam por mim. Sinto perfumes que se misturam com ar dessa cidade. Gosto da sensação de saber que em algum lugar, existe você. Inalcançável. Inatingível.
Gosto de viajar para fora de mim. Depois a realidade se torna mais leve.
Algumas pessoas nos envolvem, nos encantam e marcam positivamente nossas vidas. Algumas pessoas nos fazem voar, mesmo sem fazer nada. Apenas sua existência. Simples e inesquecível existência.
Eis o prazer de escrever.
Posso despi-la em pensamento. Posso amá-la e senti-la. Posso viver todos os mais prováveis absurdos. Posso tocá-la. Posso ficar apenas te olhando. Fecho os olhos e deixo que você aconteça. Sinto o gosto gostoso da tua saliva. Seu beijo doce e incandescente. Posso dedilhar com calma seu corpo. Ouvir seus gemidos. Posso ser o amante, o amado, o amigo.
Basta para que me sinta embriagado. Basta para que a transforme em poesia.
Basta para que a tenha eternizada em minhas memórias.
Gosto de pensar você.
Imaginar como seria tudo. Como seria interessante viver um instante ao seu lado.
Prefiro as incertezas. Prefiro meus delírios.
Minhas noites de insônia.
Sonhos nunca me machucaram. Nunca arranharam minha alma.
Sonhos me sustentam.
Gosto de pensar você.
No pecado da sua existência. No por que... Por que pessoas aparecem assim como um presságio, como um golpe de um destino de cartas marcadas. 
Esse gosto proibido na boca. Essas incertezas.
Os silêncios de sua boca. Meus gritos.
Gosto de pensar você.
De pensar nos abismos que nos cercam.
Na ilha que derrepente nos tornamos. Que me importa saber se a recíproca é verdadeira. Pouco me importa. Este sonho é meu e eu o sonho até que seus ventos deixem de soprar. Haverá em mim o doce prazer de pensar em você. De imaginar nós dois sentados à beira mar, olhando a noite cair, precisando ir, sem ter coragem de colocar de novo os pés no chão.
Fica em mim as verdades que sinto. As verdades que invento.
Talvez, tudo isso seja mentira.
Talvez você não seja nada disso.
Gosto de pensar em todas as incertezas.
E deixar que tudo fique apenas no papel...
Não preciso mais... Nada mais me cabe...

SANTO


Não sou santo. Nunca fui e nunca serei.
Gosto da malícia. Das bobagens ditas.
Gosto daquela sacanagem gostosa.
Gosto das insinuações, das provocações. Gosto da meia luz.
Gosto de olhar, de sentir. Gosto de imaginar.
Gosto do beijo roubado.
Do suor, do sabor.
Gosto dessa viagem ainda proibida.
Gosto dessa droga. Do poder da alucinação.
Gosto do êxtase. Do pecado....
Gosto da pele. Do cheiro. Gosto de ombros nus.
Garras. Unhas.
Enroscos.
Gosto da saliva. Daquela pimenta ardida entre as coxas.
Gosto dos seios nus.
Dos pés.
Palavras obscenas.
Não sou santo. Nem quero ser.
Perderia parte de mim. Da minha essência.
Gosto das roupas jogadas no chão.
Gosto de me sentir embriagado, dopado, dominado.
Gosto da noite, das madrugadas.
Gosto da cama toda bagunçada
E logo depois
Um carinho
O aconchego do corpo
Ainda quente
Gosto do banho
Do sabonete deslizando
Pelas curvas tortuosas do corpo nu...
Gosto de dedilhar
De escrever
Minhas loucuras
Em cada poro... Não sou santo... Louco...
Indescente
E contido em minhas loucuras...

11 de jul de 2014

ME VEM VOCÊ

ai
me vem você
com seu doce veneno
com seu jeito
incandescente
indecente
um tanto
perverso
de me dominar
ai
me abraça
me cala
me respira
me levita
me faz voar
me tira o chão
me rouba o ar
me rasga
a roupa
beija minha boca
toca minha alma
ai
me vem você
suave
feito brisa
intensa
como fogo
se abre
feito flor do campo
me dá seu mel
me vicia
me sacia
e me deixa
andando
na beirada de mim

PELOS RALOS

o melhor
de mim
escorreu
pelos ralos
o que ficou
meu amargor
meu desamor
minha intolerância
minha impaciência
o melhor
de mim
escorreu
pela latrina
fui cuspido
como uma azia
o que ficou
foi a incompreensão
tantas incertezas
porques
sem resposta
minha falta
de fé
meu medo da morte
o melhor
de mim
caiu
feito papel amassado
jogado
do alto
de um lugar qualquer
o que ficou
foram angústias
e tantas
noites
sem dormir
foi um corpo cansado
o melhor
de mim
escorreu
pelos ralos
de uma vida
tola
de tolices
tamanhas