23 de out de 2011

VOU EMBORA

vou embora
vou fugir sozinho
para o meio do mato
embrenhar-me
na natureza
vou andar pelado
nadar sem medo
nas cachoeiras
vou comer fruta
beber água
sentir o vento
escutar os pássaros
vou embora
dessa loucura
vou virar
bicho do mato
sem casa
pé no chão corpo nu
vou ser livre
vou me livrar de tudo
das roupas
da falta de tempo
vou fazer uma cabana
vou viver
de amor
sentir-me útil
para mim
vou fugir
vou embora
para o meio do mato
vou viver de solidão
vou aprender a viver sozinho
bicho do mato
vou embora
não aguento mais
não sei viver sem paz
não sei andar correndo
quero cheiro de terra
quero andar descalço
quero tomar chuva
sem que me chamem de louco
e se precisar
quero falar sozinho
vou embora
sumir
no meio do mato