30 de set de 2011

QUE LUGAR É ESSE

que lugar
é esse
onde descanso
onde
enterro
meu cansaço
que lugar
é esse
onde venta
vento suave
e não há
dor alguma
nem tempestade
nem sol
apenas sombra
e de todas
as águas
que provei
a mais gostosa
fresca
abundante
que lugar
é esse
onde eu posso
ser eu
sem medo
onde eu
posso sonhar
sem medo
de acordar
que lugar
é esse
onde há calmaria
onde há paz
onde há
a bela poesia

RESTA AINDA

Resta
Ainda
Algum sonho
Alguma esperança
Resta ainda
Algum porque
Um fruto
Que não estragou
Resta
Um resquício
De vida
Um pouco
De alegria
Resta
Ainda
No coração
Cheio
De hematomas
Algumas artérias
Ainda
Vivas
Resta
Um pouco
De azul
No céu
E estrelas
Um pouco
De todo
Amor que sinto
E do amor
Que já senti
Resta
Ainda um pouco
De bondade
Um pouco de fé

TO CANSADO

To cansado
Cansado
Do trabalho
Dessa gente
Fuleira
To cansa
Da minha face
Dos meus cabelos
To cansado
De trazer marmita
Cansado
De não poder viver
To cansado
De tanta
Merda
De cheira merda
O tempo
Todo
To cansado
Das promessas
Que Deus
Me fez
To cansado
De fazer
Promessas
To cansado
Dessa porra de telefone
Que não para
De tocar
To cansado
De não ouvir mais meu
Nome
To cansado
De mim

29 de set de 2011

EVELINE

um vento
bom
que sopra
em minha direção
um
flor de instantes
raros
melodia
poesia
bem estar
sentimentos
que vem e vão
uma miscelânea
de tudo
o riso que
marca
o perfume
que se imagina
a graça
por onde passa
a imagem
doce refletida
gravada
em mim
um vento bom
que sopra
de um horizonte
distante
e bem perto de mim

HOJE ME CALO

hoje
me calo
não falo mais
como me sinto
não exponho
mais
minhas opiniões
desejos
sentimentos
hoje
ficarei
inerte
a tudo
e assim seguirei
sem mais
danos a mim
não sei
até quando vou
resistir
fingir
que nada sei
que nada vejo
hoje me calo
diante de tudo
de mim
do mundo
não falo mais
da dor
do amor
nem mais do que sinto
até quando
não sei

EM MIM

tudo em mim
é intenso
demais
o amor
o sofrimento
sou poeta
não sou ator
não sei fingir
só sei sentir
e sinto
tudo aquilo
que me corroe
e vivo
a mil por hora
armado
de expectativas
sou exilado
refugiado
em mim tu
do tem outra cor
outra intensidade
outra cor
outro brilho
ou não tem nada
em mim
ainda corre sangue
em mim
o lixo
entope minhas artérias
sou poeta
não sou ator
não sei fingir
o que sinto
em mim
tudo é intenso demais
meu amor
meu ódio
meu sentir

NÃO GOSTO

não gosto
do que sou
nem no adulto
que me transformei
não gosto
dos meus dias
não gosto
da minha sorte
não gosto
da minha vida
não gosto
de ser quem eu sou
não gosto
da criança que fui
do adolescente
mediocree
do adulto
imbecil em que me
transformei
não gosto
do marido que sou
do pai que tento ser
do avô
que ainda consegue
fazer sorrir
quem ainda não me conhece bem
não gosto
do meu rosto
dos meus dentes
do meu sorriso
não gosto das coisas
como são
e quem sou eu
para não gostar de nada
apenas
um poeta
vivendo sua triste
mediocridade

28 de set de 2011

DEPOIS DE TUDO

depois
de tudo
depois de todos
os arranhões
de todas
os machucados
depois de ter
a alma
rasgada
e o coração
despedaçado
vejo
depois de tudo
um novo sol
uma nova razão
um novo porque
depois de tudo
das chuvas
dos relampagos
e trovões
vejo
um arco-íris
rasgando
meu céu
vejo
depois de tudo
novos caminhos
um novo despertar
uma nova razão
um novo porque

25 de set de 2011

DE ONDE VEM

de onde
vem
tanta gente
assim
das ruas
empoeiradas
das avenidas
e seus carros
das montanhas
movidas pela fé
para onde
vai essa gente
aflita
carente
cheia de emoção
ficam
esperando
o milagre
que nunca vem
ficam
querendo o mesmo
pão que
o diabo amassou
e pisou
e dividiu
de onde vem
para onde vão
essa gente
que sorri
pra disfarçar a dor
querem
o mesmo que todo
mundo
alegria
paz e
um tantinho de amor

BICHO DO MATO

me escondo
nos corredores
da minha vida
sou
bicho do mato
feroz
arisco
me escondo
de mim
e de Deus
dos anjos
de alguém
que não quero
mais ver
nem encontrar
nem seguir
sou bicho do mato
bicho
que anda
descalço
que bebe água
na fonte
que adora andar
invisível
pela madrugada
me escondo
do sol
do meio dia
das pessoas que
passam por mim
e esbarram
fingindo
que não sou ninguém
sou bicho do mato
arisco
me escondo
de mim
de Deus
no labirinto
que é esta
minha vida

PROFUNDO

o que sou
ainda
não sei
só para onde
vou
para onde quero ir
o que sou
um pouco
profundo
demais
algumas vezes
raso
o que sou
ainda
não sei
talvez me faltem
estradas
ou caminhos
talvez
seja eu
poeta sem futuro
estrela sem brilho
o que sou
sabe-se lá
talvez
metade
talvez inteiro
rascunho
parede pintada
porta aberta
janela fechada
talvez
eu seja tudo
melhor dizer
que não sou nada

JAMAIS SEREI

não sou
de deixar
nada para trás
jamais serei
nem posso
também
permitir
que a vida
passe
por mim
e me deixe
ascenando
a saudade
que não sinto
jamais serei
como esses tantos
alguém
que não se importam
eu me importo
se a noite chora
se a lua reclama
se a cama está vazia
não sou
jamais serei
daqueles que matam
o amor
e ficam esperando
motivos
para morrer
sozinhos
nas ruas da solidão

QUEM SEGUE MEUS PASSOS


quem segue
meus passos
sem querer
me atropelar
sem querer
me ensinar
qual caminho seguir
sem querer
me mostrar
atalhos
quem segue
meus passos
porque gosta
de mim
das rimas
que nunca fiz
quem segue
meus passos
e suspira
ao meu cansaço
e me carrega
quando
preciso
e mata minha sede
de beijos
quem segue
meus passos
sem se preocupar
para onde
vou
sem se preocupar
com o caminho
que juntos
desbravaremos
quem segue
meus passos
deixa ainda mais
marcados
meus rastros

TENHO MEDO

tenho
medo
de não saber
amar
tenho
medo
de esquecer
como
é bom ser feliz
tenho
de não me lembrar
amanhã
o que eu já vivi
tenho
medo
de acordar
amanhã
e ver todos os papéis
rasgados
fotos queimadas
e eu
sem a memória
dos momentos
felizes
tenho medo
de não saber
mais
como se ama

ANTES

antes
eu enlouquecia

de pensar
no que seria
de como seria
aprendi
a não esperar
mais
a não desejar
mais
antes
eu sofria
sem merecer
criava
asas
e voava pelo
meu paraíso
antes
eu queria
um céu só meu
um mar só
onde eu pudesse
não ser pedra
parada a olhar
o mar
e suas malditas
intenções
antes
me sentia vento
hoje
me sinto
precipício

INTENÇÕES

nascemos
de somas
e multiplicações
sem querer
ou pedindo
pra nascer
somos
a soma de tudo
crescidos
depois
de aprender
tudo
errado
depois
de todos os enganos
somos
feitos de intenções
de idéias
de pensamentos
depois
de nascer
de crescer
depois da triste
transformação
apodrecemos
fétidos
cansados
de nós mesmos
cansados
de tudo aquilo
que nos transformamos

24 de set de 2011

NÃO PENSO SER DIFERENTE

Não quero
Nem penso
Em ser
Diferente
Do que sou
Eu sou assim
Poeta
Ainda
Que me faltem
As musas
Me sobra
Inspiração
Ainda
Que me faltem
Palavras
Me sobra
Sempre
Emoção
E vida
Não quero
Gostar
Menos
Do que gosto
Nem querer
Menos
Do que quero
Não seria
Eu
Se fosse
Diferente
Sou assim
Incandescente
Quantas
Vezes
Indescente
Sou assim
Não quero ser
diferente

GOSTO DE GOSTAR

Gosto
De gostar
De amar
Mesmo
Que ame
Sozinho
Mesmo
Que goste
Sozinho
Amar
Me faz bem
Me faz grande
Me faz crescer
Gosto
De tudo
Que me mantêm vivo
Gosto
Do perfume
Das flores
Gosto
Da noite
Sempre nua
Gosto
Das canções
E das poesias
Que ainda
Não foram escritas
Gosto
De querer
Bem
Sem medir
A quem
Gosto
De dar amor
Em cálices
Em fontes
Gosto
Do bem querer
Livre
Descomplicado

QUERO SABER

Quero
Saber
O que faz
Agora
Se está
Na rua
Ou na tua
Cama
Olhando
Para o nada
Buscando
Respostas
Quero
Saber
Como vai tua
Vida
E suas feridas
E seu coração
Quero
Saber
Das tuas noites
Agora
Todas frias
E do frio
Do teu corpo
Quero
Saber
Por anda
E se vai voltar
Quero saber
Que você
Se há estrelas
Em sua noite
Qual seu tempo
Presente
Passado
Ou futuro

SE É PARA VIVER

Se é pra viver
Quem viver
Pra valer
Andar na contra-mão
De tudo
Errar
Fazer absurdos
Não
Nasci
De um amor
De um querer
Não nasci
De afeto
Nasci em meio
A balburdia
Do meio-dia
Se é para
Valer
Tem que valer
À pena
Senão
É melhor
Deixar
Como está
É melhor
Não vestir
A amardura
É melhor
Morrer
Sem saber o porque
Nem perguntar
Nada

SEM CORRIMÃO

Eu vivo
Assim
Desse jeito
Entendendo
Um pouco
Mais
Do que é
Feita a vida
Devagar
Vou
Descobrindo
Que molda
Não sou
Eu
Eu
Sou o sou
O molde
A vida
Me dá
O que ela bem
Entender
A vida
Me molda
Custei
A entender
Eu vivo
Assim
Tropeçando
Em minhas pernas
Vivo
Tateando
Minha escada sem degraus
Sem corrimão

SEM NADA DIZER

Quem é
Você
Que passa
Por mim
E não me
Olha
E não me vê
Quem é
Você
Que chega
Assim derrepente
Sem avisar
E abrindo
As portas
Do meu
E vai tocando
Sem querer
Meu querer
E despertando
O que já
Estava
Enterrado
Quem é
Você
Quem vem
Como uma graça
Tímida
Me enche
De novo
De graça e poesia
Quem é você
Que chamou
A atenção
Sem nada dizer

PARE O TEMPO POR FAVOR

Alguém
Pare o tempo
Por favor
Não tenho
Tempo
Para viver
Tudo o que quero
E me desespero
Vendo
A vida passar
Assim
Tão depressa
Tão apressada
Por mim
Alguém
Por favor
Que viver
Ainda vale
À pena
Que amar
Ainda
Também
Quanto viver
Vale à pena
Não quero
A errada
Sensação
Que tudo
É besteira
Alguém
Por favor
Me diz
Que estou
Que não estou
Vivendo
Em vão
Que tudo isso
Não é lixo
Que o amor
Ainda é o mesmo
Velho amor de sempre

DEIXA EU GOSTAR DE VOCÊ

Deixa
Eu gostar
De você
Deixa eu
Gostar
De você
Do meu jeito
Sem posse
Sem querer
Livre
De tudo
Das puras
Convenções
De gostar
E querer
Deste mundo
Deixa
Eu gostar
De você
Sem medo
Do meu jeito
Sou livre
Feito vento
Vento
Constante
brando
Deixe
Que eu goste
Por mim
E você
Não medo algum
De gostar
E querer
Deixa eu
Gostar
De você

ESSA DISTÂNCIA

Essa distância
Essa minha
Mania
De criar
De inventar
De ver
O que não existe
Acabo
Sofrendo
Sem precisar
Sem merecer

Não posso mais
Fazer isso
Comigo
Não sou
Há muito tempo
Menino
Essa distância
Essa falta
Que tenho
De ter alguém
Que me escute
Já não quero
Mais procurar
Já não posso
Mais
Me permitir
Viver
Nos meus castelos
Mal assombrados
Essa distância
Que há
Entre o que quero
E o que mereço

SEMPRE ESPERO MAIS

É que sempre
Espero
Mais
Mais
De tudo
Dos meus amigos
Reais
E virtuais
Espero mais
Da vida
E me entristeço
Porque
Nada
É como deveria
Ser
Eu sempre
Achei
Que a vida
Se moldaria
A mim
Entendo
Agora
Que sou eu
Que devo me moldar
A vida
Ainda
Espero mais
De tudo
E devagar
Vou aprendendo
Que não é
Tudo
Que se pode ter

23 de set de 2011

ENCONTRAR VOCÊ

Vou
Encontrar você
Se não for
Aqui
Que importa
Pode ser
Em outro
Lugar
Vou esperar
Você
Quanto
Tempo
For preciso
Encontrei
Você
Uma vez
Encontrarei
Sempre
Estás
No meu destino
Em mim
E eu
Em você
Mesmo que não saibas
Eu sei
Isso me basta
Vou
Encontrar
Você
Se não for
Agora
Será
Em outra
Hora
Em outro momento
Em outra vida
Em outro caminho

NEGUES O QUANTO QUISER

Negues
Negues
O quanto quiser
Não acredito
Vi em seus
Olhos
A verdade
Que eu queria
Ver
Negues
Negues
Para você
Para o mundo
O que sentes
Para mim
Pouco
Importa
Vi
Nos seus olhos
O que precisar
Ver
E agora
Sigo
Em paz
Negues
Negues
Sempre
No seus momentos
De solidão
Minhas palavras
Ecoarão
Vivas
Em sua memória
Eu sei
Eu vi em seu olhar

SÓ PRA CONTRARIAR

Digo
Sim
Dez dirão
Não
É sempre
Assim
Rebatem
Pensamentos
Não somos
Nada iguais
Não pertencemos
Ao mesmo
Mundo
Nem falamos
A mesma
Língua
Não estamos
Na mesma
Sintonia
Eu digo
Não
Milhares
Dirão
Que sim
Porque somos
Assim
Diferentes
Em tudo
O que vale mesmo
É dizer
Sim quando dizem não
Contrariar
Na intenção viva
De brilhar
Ainda mais
Num céu sem estrelas

TE OLHO

Te olho
Apenas
Te olho
E te olho
E apenas
Te olho
Não digo nada
Penso
No que seria
Não poderia
Ser
Te olho
Apenas
Te olho
E imagino
A cena
Fico
Entre a loucura
E a sanidade
Fico
Entre ir
E esperar
Que venhas
Ao meu encontro
Porque
Eu que assim
Seria
Feliz
Por um momento
Te olho
Apenas te olho
E contemplo
A tua beleza
Tão distante de mim

TE SENTIR

Queria
Te sentir
Estar
Com você
Entre as flores
Queria
O mel
Dos teus beijos
E um pouco
Desta
Sua insanidade
Tão
Indefesa
Queria
Te beber
Aos poucos
E engolir
Cada pedaço
E me deixar
Levar
Por você
Para onde
Quiser
Me levar
Queria
Te sentir
E
Esquecer
Onde estou
Agora
Te busco
E te procuro
A cada instante
Para que
A vida de novo
Se faça

NÃO SOU DAQUI

Não sou
Daqui
Sou
De um lugar
Qualquer

Não sou
Daqui
Nada me pertence
Nada
Me desperta
Não
Me faz voar
Tenho
Sempre
Que criar
Inventar
Não sou
Daqui
Sou
De qualquer
Lugar
Um lugar
Que não existe
Um lugar
Um lugar
Sem tempo
Sem dia
Somente vento
E noites
E madrugadas
Não sou
Daqui
Sou
De um lugar
Qualquer

DOCE DOCE

Parece
Doce
Daqueles
Doces
Que se quer
Provar
Não posso
Correr
Riscos
Nem me perder
Em minhas
Próprias
Tormentas
E nem
Criar
Castelos
Perto
De um
Imenso
Mar
Parece
Irresistível
E para mim
Inevitável
Sonhar
E não querer
Me perder
Em nevaneios
E nas tuas
Águas
Parece
Doce
Doce que lambuza
Doce que dá sede

NÃO QUERO O CÉU

Não quero
Saber
Do paraíso
Lugares
Assim
Não servem
Para mim
Não gosto
De santos
Nem da
Paz
Dos mesmos
Dias
Não quero
O céu
O inferno
É mais
Quente
Mais
Cheio
De contravenções
Mais cheio de
Gente
Como gente como
Eu
Não quero
Nem posso
E nem mereço
Estar
Entre santos
Prefiro
Queimar
Com minhas
Tentações
E loucuras

SOU EU

Sou eu
Em ti
Do jeito
Que quiser
Do modo
Que imaginar
Não sou
Santo
Nem sou cura
Nem pouco
Remédio
Sou loucura
Instante
Que não acaba
Sede que
Não passa
Sou
Em ti
Como vento
Como brisa
Fazendo-te
Voar
Além
Das nuvens
Do teu céu
Sou
Eu ti
Como pecado
Como redenção
Como diabo

22 de set de 2011

ESCREVER PRA TI

Deixa-me
Escrever para ti
Sem pretensão
Só para
Viver
Para que me sinta
Vivo
Deixa-me
Às vezes
Escutar
Tua voz
E ver teu riso
Basta-me
Para que me sinta
Vivo
Deixa-me
Olhar
Para ti
Sem maldade
Deixa
Eu escrever
O que sinto
Não quero nada
Apenas
Respirar
E me inspirar
Nesta
Tua beleza
Que aquece
Minha alma
Deixa-me
Escrever para ti
Nos meus momentos
De lucidez
Sem dizer
Nada
Sem querer nada
De ti
Apenas teus olhos
E teus pensamentos

RASGA-ME

Rasga-me
O silêncio
Faz-me falar
De tudo
O que sinto
Grita meus nomes
Chama por mim
Socorre
Minha alma
Rasga-me
A pele
Encha
Minha boca
Com teu ar
Chupa
Minha língua
Morde
Meus lábios
Me faz sentir
A dor
Faz com que ainda
Me sinta
Vivo
Rompa meu silêncio
Sacode
Meu corpo
Abra as janelas
As portas
Arranca-me
Desse precipício
Faz-me de novo
viver

BELEZA MORTA

Tua beleza
É beleza
Morta
És rosa
De espinhos
Apenas
Sem perfume
Sem cor
Sem terra
Tua sangue
É frio
Duvido
Que bata
Um coração
Em teu peito
E se há alguma
Emoção
Em tua vida
Em teus dias
Tua beleza
É beleza
À toa
Beleza morta
Beleza vazia
Tu não sabes
O que é poesia
Nem nunca saberás
É água fria
Rio
Sem direção
És rosa
Caída

QUE ME IMPORTA

Que me importa
Tua dor
Teu sofrimento
Tuas palavras
Incensatas
Que me importa
Tua loucura
Minha loucura
Me basta
Que me importa
Por onde andou
Quem amou
Quem tu és
Não quero saber
De nada
Quero
Apenas um momento
De silêncio
E mais nada
Quero apenas
Teu corpo
Teu sopro
De vida
Quero um pouco
Da tua alegria
Quero que me ajude
A me livrar
Dessa dor
Que me importa
Saber
Teu nome
Que me importa
Saber
De ti
Nessa hora
Em que digo adeus

PRECISO DO MAR

Preciso
Da lua
Preciso
Do mar
Amar
Preciso
Daquelas
Sensações
Perdidas
Preciso
Do vento
Preciso
Da noite
Despida
Sem preconceito
Preciso
De uma mulher
Que me enlouqueça
Que me faça
Perder
A cabeça
E depois
Me deixe
Do lado
De fora
Do coração
Preciso
Enlouquecer
Mais vezes
E sair dessa rotina
Impiedosa
Dos meus dias
Cinzas
Preciso da lua
Preciso
Do mar
Amar

NÃO ACORDAR

Às vezes
Eu queria
Não acordar
Queria
Que a noite
Se fizesse
Eterna
Ou mais longa
Do que o normal
Queria
Que os sonhos
Se tornassem
Verdade
Queria
Ter a certeza
Que Deus
Olha para mim
Por mim
Às vezes
Eu queria
Sumir
Na estrada
Sair em disparada
E me largar
Num lugar qualquer
Às vezes
E quantas
Vezes eu não queria
Ser mais eu
Eu queria
Evaporar
Sem deixar
Nada de mim

TEUS CAMINHOS

É claro
Que há
Desejo
Vontade de saber
Sobre ti
É claro
Que há
A vontade
Ainda que tímida
De descobrir
Teus caminhos
Mesmo que diferentes
Dos meus
É claro
Que eu queria
Beber
Contigo
Os doces
Afetos
Sem nada querer
É claro
Que me basta
Admirar-te
Sou poeta
Por excelência
Sofredor
Por convicção
Não há nada
Que inspire
Mais
Do que o amor
Do que sofrer
Por amor

NADA NUNCA SABEREI

Nada sei
Nunca nada
Saberei
Nem sei se quero
Mesmo saber
Se devo saber
Se preciso saber
Estou
Bem neste meu
Mundo
De sonhos
Neste meu mundo
De amores
Tão fáceis
Quisera
Eu que o amor
Fosse
Fácil
Quisera eu
Que o mundo
Me aceitasse
Assim
Quisera eu
Saber
Um pouco mais
Do que sei
Quem sabe
Filosofo
Sem filosofia
Quem sabe
Poeta
Sem poesia

EM TI

Vejo
Em ti
A doçura
A beleza
Quem encanta
Vejo
Em ti
A esperança
Que me fará
Voltar
A ser
O que sempre fui
Não faço
De ti
Minha salvação
Faço
De ti
Minha redenção
E nada mais
Vejo
Em ti
O brilho
Dos nos olhos
Que me despertam
Para a vida
Que há
Vejo
Em ti
O melhor
Que ainda existe
Em mim

QUEM HÁ

Quem há
De arrancar
Do meu eu
Essa tristeza
Que me consome
Aos poucos
Quem há de devolver
O sol
Aos meus dias
Quem há de colocar
Novamente
A brisa
Em meu rosto
Não quero
Mais nenhum desgosto
Não quero mais
Tantas pedras
Insuportavelmente
Pesadas
Quem há
De me socorrer
Nesse meu momento
De aflição
Rendo-me
Ao meu silêncio
Rendo-me
A minha morte

ARDE

Tua chama
Arde em mim
Como
Se eu pudesse
Escutar
Tua voz
Como
Se eu pudesse
Sentir
Teu coração
Cheio
De medo
De sentir
E dizer
Que sente
Tua chama
Arde
Em mim
E não se apaga
Ainda
Sopra
Em meu caminho
O vento
Do destino
Ainda
Há em mim
Todas
As certezas
Ainda há mim
A mesma esperança
A mesma velha crença
De sempre

ESSE MEU TEMPO

Esse meu tempo
Diferente
De todos
Os tempos
Que já vivi
Como se pudesse
Eu abandonar
Todos
Sentimentos
E me recobrir
De tantas
Outras sensações
Esse
Meu tempo
Não mais confuso
Bem mais presente
Como se meus
Olhos
Estivessem
Bem mais abertos
Como
Se não houvesse
Mais dores
Em mim
Esse meu tempo
De verdades
Rasgadas
Onde posso
Tudo
E não faço nada

BEIJAR

Ainda
Vou beijar
Tua boca
Não sei como
Nem quando
Mais ainda
Terei
Você
De um jeito meu
Ainda vou
Roubar
Teu ar
E depois
Me despedir
Sem dizer
Adeus
Ainda
Vou beijar
Tua boca
Quando menos
Esperar
Quando minha consciência
Deixar-me
Ainda mais
Consciente
Ainda
Vou beber
Em tua boca
O mel
Do teu prazer

OUSADIA

Não gosto
De calar
O que eu sinto
Nem
Que me tentem
Impedir
De sentir
Gosto
De falar
Gosto
De deixar
Solta
Minha inspiração
Minha ousadia
Gosto
De viver
Cada emoção
E ver
Em cada rosto
A reação
Não gosto
De saber
Que a vida
Me é levada
Dia a dia
Quero sempre
Uma nova estrada
Não gosto
Mais de atalhos
Não gosto mais
De não sentir
A vida para arrasta
Para isso
E agora sou assim
Não gosto de calar
Gosto de sentir

AINDA SINTO

Ainda sinto
Teu não
Ainda
Leio
As palavras
Apagadas
Ainda
Choro
A despedida
Que não
Ainda sinto
Por não poder
Ter dito
Por não ter podido
Sentir
Teus braços
Num abraço
Ainda sinto
Tua voz
Calando
Minha voz
E eu
Sem nada
Poder dizer
E eu
Sem poder reagir
As mentiras
Que me contou
Ainda sinto
O peso
De tudo
E creio
Na tua volta
Num amanhã
Que nunca chega

VELHA FORMA

Devagar
Em passos lentos
Volto
A caminhar
A respirar
A me sentir
De novo vivo
Devagar
Em passos
Ainda tortos
Volto
A ser
Quem sempre fui
Volto
A minha velha
Forma
De ver
Tudo
De um jeito
Meu
Devagar
Volto
A ariscar
Poemas
E poesias
E a cantar
As velhas
Canções
De sempre
Devagar
Volta meu sol
A brilha
Volto de novo
A cuidar
Do meu jardim
De flores não minhas...