3 de jun de 2011

DE ONDE VIESTES

vim
de onde
viestes
tu
vim
da mesma
rua
fétida
do mesmo
buraco
cheio
de merda
vivi
a mesma
vida
que a tua
amei
como
me ensinastes
a amar
aprendi
a não amar
ninguém
aprendi
a não confiar
em ninguém
escrevo
o que me ensinastes
a escrever
não curo
as feridas
deixo-as
expostas
ao vermes
que me devorem
por inteiro
vim
do mesmo
escuro
que viestes
somos
filhos
do mesmo pai
e nossa
mãe
a vida
vim
de onde
viestes
tu
do mesmo inferno
comendo
o mesmo
pão