11 de mai de 2011

FINJO

finjo
não saber
de nada
para que não me
vejam
e eu
possa viver
sem dizer
nada
finjo
que não há
em mim
sentimentos
para que não me
cobrem
de nada
finjo
não ouvir
não ver
não querer
finjo
estar morto
com meu corpo
estirado
em um beco
qualquer
finjo
que sou tonto
para que pensem
mal
de mim
e parem
de me apontar
os dedos podres
finjo