26 de ago de 2010

COMO TE VEJO*

te vejo
agora
cada vez mais
distante
como sonho
que acaba
quando se
desperta
para um novo dia
te vejo
como
nuvem
levada pelo vento
no céu
que há muito
tempo deixou
de ser azul
te vejo
perdida
e nem
percebe que está

nesse seu mundo
de paredes
invisíveis
te vejo
como onda
de um oceano
sem ondas
te vejo
passando
pela vida
sem deixar
nada
vestígios
que somem
te vejo
como papel
queimado
sem cinzas
fogo apagado
poesia
que não se escreve