27 de abr de 2010

OLHO

olho
para o relógio
as horas
mortas
a noite
sem vento
nem brisa
olho
pela janela
as luzes
apagadas
gente
morta
desmaiada
sonhando
em não acordar
em não viver
tudo de novo
olho
para dentro de mim
tantas sensações
confusas
tantos
arrependimentos
de coisas
que não fiz
olho
para os rostos
das minhas
madrugadas
todos
ainda sonolentos
cansados
confusos
e as horas
mortas
e os ponteiros
emperrados
deixando tudo ficar
como sempre