"Se procura prazer, poderá encontrar aqui as suas mais diversas formas. Há quem procure palavras, há quem procure belas imagens, há os curiosos, os que admiram minha maneira de escrever. Uns julgam erótico. Outros julgam ser sensual e uns apenas lêem as palavras aqui escritas. Isso é algo que não cabe a mim julgar. Sei das minhas intenções... Sei do meu amor pela poesia... Sei da minha infinita sede de escrever..."
SEJA BEM VINDO - 9 ANOS DE POESIA! ! !

FÃS DE CARTEIRINHA

31 de out de 2009

SE ISSO TE CONVÉM*

se a solidão
te abraça
e tu
nada falas
se isso te convém
abraças
então
a solidão
.
se à noite
as nuvens
insistirem
em não te deixar
ver a mais
bela de todas
as luas
e se isso te convém
feches as janelas
as cortinas
e desenhes a lua
num pedaço de papel
.
se isso te convém
deixes
os livros
pela metade
apagues a luz
e fiques encolhido
no teu mundo
vivendo
ainda dos sonhos
que não
tem coragem de viver
.
se isso te convém
deixes
tudo como está

GRITE LOGO*

se o amor
acontecer
grite logo
grite alto
para o mundo
todo ouvir
se o amor
chegar
assim sem
mais nem menos
grite logo
sacuda
os alicerces
jogue confetes
fale da felicidade
que sente
se o amor
vier
de um jeito manso
deixe
o coração
ser aberto
assim como braços
e os abraços
permaneça leve
grite logo
grite alto
e fale desse amor

É SÓ QUERER*

é só querer
fazer tudo
ser diferente
fazer tudo acontecer
é só querer
que haja sempre
o perfume
e as flores
no caminho
é só querer
o amor
e nada mais
é só
querer
dias de luz
dias de paz
e nada mais
é só querer
e fazer com que
as coisas
aconteçam
sem deixar
os pés plantados
no chão
sem deixar
as asas atrofiadas
e a mente sem poder sonhar
é só querer
voar
decolar
descobrir novos mundos
e sonhar
sempre
que os olhos estiverem
fechados

PALAVRAS SÃO ERROS*

não direi
mais nada
palavras
são erros
e hei de errar
sempre
falando
o que não tenho
que falar
.
ficarei
calado
no meu canto
sem papel
sem caneta
de boca fechada
.
palavras
entregam
sempre
o que se pensa
palavras
sempre
confessam
o que está escondido
.
ficarei
dias e dias
sem dizer
nada
palavras são erros
já não quero mais
errar
pelas palavras
que digo
.
como fazer
como calar
como deixar
de lado as palavras

30 de out de 2009

NOVELA

qual vida
não é novela
qual dia
não se escreve
tudo novo
nenhum dia
é igual o outro
nenhum vida
a mesma vida
nenhum
imóvel
qual vida
não é livro
conto de fadas
escrito a lápis
ou a caneta
marcando as páginas
em branco
que vem a seguir
qual vida
não é música
trilha sonora
para outra vida
qual vida
não serve de roteiro
para tantas outras esperanças
para tantos outros sonhos
qual vida
não se espelha
nos mesmos
ventos que
ventaram ontem
toda vida
novela
sem fim

ESSE FILME

esse seu filme
já assisti
mais
de cem vezes
já assisti
em branco
e preto
já assisti
colorido
já dormi
sai na metade
cheguei no fim
esse seu filme
eu conheço
de cor salteado
sei como começa
como termina
quem é a mocinha
quem é o héroi
o bandido é claro
faço passo
dessa sua história
ajudei
você
escrever esse filme
seu filme
com final que pra você
feliz
pra mim
bandido
não sei

VER O QUE É BOM

de você
quero
ver apenas
o que é bom
aquilo que me agrada
tudo o que me sustenta
o que não prestar
amasso
jogo fora
descarto
de você
quero
apenas
a bondade e a ternura
quero
apenas
o que for bom para mim
para minha sobrevivência
o resto pode
dar pra quem quiser
quero somente
o amor que me cabe
e desse
amor
ver o que é bom
o que vale a pena
de resto
pode doar pra quiser
o resto
que sobrar desse amor

NÃO POSSO PARAR

não posso
parar
de pensar em você
já está em mim
em tudo
o que sinto
não posso
esquercer
de lado
o que quero
o que me faz viver
você me faz viver
como
posso parar
de querer
e tudo que é meu
já está ligado
a você
não dá
não posso parar
deixar
de lhe amar
como posso parar
de sentir
de pensar
tudo está tão vivo
em mim
aceso
não posso parar
de sentir
e correr o risto
de morrer

PARANÓIA

é quase
obsessão
esse jeito
de querer
está virando
paranóia
esse gostar
não deve amar
assim
querer assim
fazer disso
todas as suas razões
seu porto
mais que seguro
é quase
uma doença
loucura sem cura
paranóia
sem razão
de noites em claro
pensando
querendo ter certeza
se tudo está
como antes
é paranóia
fica rondando
vasculhando
querendo achar
vestígios
assim
tudo
é
agindo assim
tudo será
sem
vesígios do nada

FORJADO

quero um coração
forjado
ao meu
só não quero
um amor
forjado
um amor
de máscaras
quero um coração
que se funda
com o meu
que sinta
falta
quando
não estiver
perto
quero um coração
batendo com o meu
preciso
de um amor meu
um amor
sem esmolar
um amor
não quero um amor
me não amanheça
do meu lado
um coração
forjado ao meu
areias de uma mesma praia
para sempre
ou enquanto durar
em mim
só quero
o amor
que me cabe
um amor
sem esmolas
um amor de todos os dias

INOFENSIVOS

meus braços
não ferem
não matam
meus abraços
inofensivos
sem antídoto
meus beijos
esquentam
mais não prendem
meu corpo
pode ser veneno
pode ser refúgio
pode ser o fim
luz
escuridão
meu amor
é inofensivo
não seguro
nem chamo
apenas ardo
em minhas noites
em dias
em todos
os meus momentos
meu jeito
de ser
livre
meu jeito
livre de voar
sem ter nada
que me prenda
sem ter nada
que me segure
meus beijos
são inofensivos
meu amor
único
meu jeito de amar
é meu
amo
e ensino
quem sabe amar

JÁ ROUBEI DEMAIS

já roubei
demais
seu tempo
seus momentos
agora
vou ficar
em silêncio
já não posso
mais roubar
demais
ainda
sua vida
vou ficar
na minha esquina
de sempre
fumando
bebendo
já não vou
respirar
o mesmo ar
nem querer
mais teus beijos
já roubei demais
não quero mais
nada
que não seja
definitivamente
meu
mesmo que precise
mesmo que me sinta só
vou ficar aqui
na minha esquina
no meu banco
de momentos
esperando
quem sabe
um dia me olhe
como nunca me vi
e me veja
como nunca me olhou
já roubei demais
de mim
a minha paz

NÃO ENTENDO

não entendo
esse seu
amor
esse jeito
de amar
esse jeito
tão presente
e tão distante
não entendo
e pra que
querer entender
melhor viver
sem questionar
pra que encucar
melhor
sentir o momento
que o seu silêncio
não entendo
esse seus modos
esse jeito
de amar
que enfeitiça
o que há no seu olhar
o que há
na sua pele
como pode
me prender assim
me deixando livre
não quero entender
nenhum
de tantos motivos
dos seus motivos
não quero arriscar
perder
teu calor
nas minhas noites
frias
não entendo
o que não deixa você
ficar de vez
em mim
quero saber que voa
e sempre
pousa em mim

VAIDADE

é vaidade
se for
não ligo
quero gostar
cada vez mais
quero flutuar
viajar
e morrer
de amor
é vaidade
vaidade
de quem ama
e vive de sonhos
de tantos
sonhos
que importa
não importa
querer
gostar
amar
se dar
e ter
se ter
é vaidade
coisa de quem ama
demais
só se ama assim
só vale a pena
a amar
se perder
o folego
o rumo
só assim
amar assim
não ligo
ainda espero

EXAGERO

não
é exagero
não te querer
impossível
calar
esconder
dizer que
não sinto nada
exagero
é deixar-te
no teu canto
não quero
perder
nenhum desses
tao poucos
momentos
e quem sabe
ganhar
o beijo
e me lambuzar
da tua boca
e beber
no teu corpo
não é exagero
te querer
como te quero
meu bem
estar
está em ti
no sorriso
e nos braços
que ainda
imagino me acolhendo
eu te sinto
e te acho nos meus sonhos
não é exagero
e se for
pra mim
melhor

DIA NEGRO

hoje
não tem sol
hoje
nada além
de um hoje
sem graça
dia negro
dia sem luz
hoje
como
tantos hojes
passados
dia
sem sombra
sem vida
sigo
rastejando
com corpo ainda
em farrapos
sigo
por aí
levado por instintos
hoje
chove
em mim
eu sem guarda-chuva
sem roupa
andando
sem bússula
dia negro
como uma rotina
de lógicas
em mim infundadas
imprecisas
tão certas
hoje
vou ficar
nessas minhas ruas
largas
sem sol
com chuva
e eu
sem guarda-chuva

26 de out de 2009

VÁ EMBORA

Vá embora

Deixe

Meu coração

Sangrar

Até morrer

Não precisa

Ficar

Não quero sua dó

E seus sentimentos

Que não sejam

Iguais

Ao amor

Vá embora

Antes

Que tudo

Morra

E não fique mais

Nada

Não quero

Sua caridade

E seu coração vazio

De mim

Vá embora

Antes que

Chegue o amanhã

E eu tenha a certeza

Que de verdade

Não valeu à pena


RISO INDECENTE

É sempre

Da mesma maneira

Sempre

Na mesma hora

Quando

Não tenho mais

Chão e nem

Amor

Há meu peito

É sempre

Assim

Quando a poesia

Vem me desnudar

A alma

Surge

Você com seu riso

Indecente

Colocando a prova

O que sinto

E tudo

É sempre

Nos meus momentos

Mais incertos

Nas minhas noites

Mais longas

Que vem você

Tirando-me a paz

Com seu riso indecente


EU VEJO DOR

Eu vejo dor

A mesma

Dor

Que me assombra

As noites

Vendo tantos

Corpos

Jogados

Descobertos

No chão frio

Eu vejo dor

A dor da saudade

E do esquecimento

Em cada rosto

Em cada pedaço

De pão seco

Em casa ausência

De sorriso

Em cada desprezo

Eu vejo dor

Quando caminho

E vejo gente

Jogada

Sem uma casa

Sem uma parede

A mesma dor

De sempre

Eu vejo dor e sinto a dor


FICO TONTO

Fico tonto

Diante

Da tua beleza

Que morre

Um pouco

A cada dia

E choro

De tristeza

Fico tonto

Ainda

Quando tua boca

Beija a minha

E sinto

Ainda

O nosso mesmo amor

Fico tonto

De prazer

Quando tocas

Meu corpo

Como sempre

E juras

Ainda o mesmo

Amor

De sempre

Fico tonto

De paz

Quando deitas

Sobre meu peito


PIORES COISAS

Todas

As piores

Coisas

Não se esquece

Fica

Tudo

Atrás

Do coração

Guardado

Todas

As piores

Coisas

Sempre voltam

Sempre

Vem à tona

Às vezes

No silêncio

No reflexo

Do espelho

Todas as piores

Coisas

Lembranças

Guardadas

Sombras

Que perseguem

Silêncios Que ainda há

De se ouvir

Por muito tempo


HOJE VOCÊ

Hoje você

Ontem não sei

Nem amanhã

Pode ser

Que ainda

Haja

Todas as razões

Ou razões

Para esquecer

Hoje você

Amanhã

Não sei

Talvez

Se sentir

Que ainda

Há compaixão

Se no lugar

Da dor

Amor

Hoje você ainda

Depois

Não sei qual

A melhor

De nossas horas

Hoje você

E um momento

Depois

Nada mais de mim

Nem de você


POR CIMA

Por cima

Dos muros

Vi

Um novo mundo

Um mundo

Que não via

Do chão

Da terra

Sempre fria

Por cima

Voando

Por todos os mundos

Vi cada pessoa

Uma

Entendi

Cada pessoa

Única

Por cima

Além

De todas as nuvens

Bebi

Um pouco

De todos os ventos

Antes De por os pés

De volta

Nessa terra fria

Tão sem graça

Tão sem vida


NÃO QUERO CHORO

Não quero choro

Chega de lágrimas

Cessem

As lamentações

Ainda vivo

E viverei

Quem por muito tempo

Não sei

Nem Deus

Talvez

Nem ele

Não quero choro

Nem dor

Não quero cochichos

Nem ventos

Quero apenas

O silêncio

Nenhuma dor demais

Nada deve doer

Demais

Não se agüenta a dor

Nem eu

Muito menos Deus

Não remorso

Depois da partida

Vivo

E viverei

Por algum tempo ainda


APRENDIZ

Serei

Aprendiz

Enquanto

For vivo

Não serei

Diferente

Serei

Sempre

Inconseqüente

Arriscando

Viver

Como sempre quis

Amando

Quem não devia

Serei

Aprendiz

O tempo muda

O tempo

Só eu não posso mudar

Nasci assim

E morrei

Desse jeito

Aprendiz

Ousado

Pobre

Inconseqüente

E mesmo que me xinguem

Imensamente feliz



AMNÉSIA

Esqueci

Você

Esqueci

Quem sou

Não esqueci

O meu passado

E o que passou

Esqueci

O amor

De todos os frascos

O teu sabor

Esqueci

Minha horas

Na gaveta

E o meu corpo

Na cama

Esqueci

Você

E teu sorriso

Já sem graça

Só não esqueci

Do amor

Do amor

Não se esquece

Esqueci

Das nossas horas

Só não esqueci o que passou



MINHA ORELHA

Minha orelha

Está

Cansada

De ouvir

Suas inverdades

Meu corpo

Está cansado

De ficar

Deitado

Para que passes

Sobre mim

Não quero

Mais

Viver assim

Como teu capacho

Minha orelha

Meus sentidos

Coração dormente

Meu corpo todo

Cada parte de mim

Meus rins

Pulmão

Meu esôfago

Tudo dilacerado

Por tuas

Mentiras tão verdadeira

Minha orelha

Meu corpo inteiro cansado



AINDA SOU BICHO

Ainda sou bicho

Não sou homem

Nem nunca serei

Ainda

Tenho e sigo

Instintos

Ainda sou

O mesmo

Igual

A todos

Que passaram

Antes de mim

Ainda tenho fome

Sede

Do que não sei

Sempre quero mais

Uma pele

Que não a minha

Um corpo

Que não

O meu

Ainda sou bicho

Sempre

Nas sombras

De tantos ecos

Nada evoluído

O mesmo

De antes

NÃO ME TENTES

Não me tentes

A mentir

A enganar

Já menti demais

Já voltei atrás

Não me tentes

A ser de novo covarde

Ainda existe amor

Um pouco

De amor de seja

Não me obrigues

A rastejar

Isso não é mais

Amor

Não é nada

Não me tentes

A deixar

Destilado

O veneno

Do teu corpo

Maldito

Não me tentes

Se te seguir

Já conheço

Bem as curvas

Do teu corpo

Sei qual é o fim

De nós dois



NÃO HÁ PORQUE VOLTAR

Não há

Porque voltar

Já conheço

Bem esses passos

Esse caminho sinuoso

Não há

Porque insistir

Nesse amanhã

Que nunca chega

E nessa solidão

Que nunca passa

Não há

Porque voltar

Com as mesmas

Palavras

Tudo tem o mesmo

Sabor

O mesmo sentido

Tudo tem

A mesma cor de sempre

Tudo tão imóvel

Tudo teu

Tão previsível

Não há

Porque querer

Se perder

Se há tantos novos caminhos

Se há sempre novas direções



VEJO QUE APRENDI

Com tudo

Vejo que aprendi

A ser mais

Condescendente

Vejo

Que aprendi

A diferenciar

Sorrisos

E disfarçar

Sentimentos

Com tudo

O que já passei

Nessa minha vida

Vejo que a prendi

A diferenciar amores

E paixões

Aprendi

A ler

Nas entrelinhas

O que o silêncio

Pode dizer

Com tudo

Que hei ainda de passar

Vejo que agora

Sei

Como devo caminhar

Sem crer no amanhã

Sem perder a fé em mim