"Se procura prazer, poderá encontrar aqui as suas mais diversas formas. Há quem procure palavras, há quem procure belas imagens, há os curiosos, os que admiram minha maneira de escrever. Uns julgam erótico. Outros julgam ser sensual e uns apenas lêem as palavras aqui escritas. Isso é algo que não cabe a mim julgar. Sei das minhas intenções... Sei do meu amor pela poesia... Sei da minha infinita sede de escrever..."
SEJA BEM VINDO - 9 ANOS DE POESIA! ! !

FÃS DE CARTEIRINHA

30 de out de 2007

INDIFERENTE

sou indiferente
as cores
são iguais
os ventos
os nortes
sul
sou indiferente
e a vida acontece
não por acaso
acaso é algo que
não existe
sou indiferente
aos amores
que me oferecem
as canções que me
cantam
aos versos que
declamam
sou indeferente
as horas que passam
sem que eu tenha
vivido
apenas sofrido
tenho dó
das lágrimas que choro
e hoje quero apenas
ficar calado
no escuro do meu quarto

CREIO


não vou ficar assim
com as pernas soltas
para o ar
não vou ficar assim
neste marasmo
neste não pensar
vou cuidar da vida
antes que a vida
cuide de mim
vou abrir as janelas
deixar que o sol
me invada
vou tomar um banho
tirar de mim
a sujeira que penso
quero lavar minha alma
não vou ficar assim
neste marasmo de
terça feira
a vida explodindo
nos quintais e nas varandas
não vou ficar
de pernas para o ar
apenas pensando
vou caminhar
nadar
fazer ginastica
vou correr
antes que a vida passe
eu fique assim
eternamente de pernas
para o ar

PAI


cresci sem ter meu pai
cresci sem ter um amigo
perdido
sem referência
sem espelho
talvez isso explica tudo
ou não explique nada
cresci sem pai
porque meu pai errou
feriu
machucou
quem perdeu foi mais ele
do que eu
porque eu cresci
busquei minhas certezas
deixei de ser filho
para ser pai
e eu estou pai
sou amigo
presente
preocupado em ser espelho
em ensinar o que meu
pai negou
e a vida me ensinou

37 ANOS


nestes meus trinta e sete anos
já escutei tanta coisa
ouvi que o mundo iria
acabar no ano 2000
ouvi falar que em breve
o homem estaria em marte
escutei que iam fazer
uma colônia na lua
nestes meus trinta e sete anos
já ouvi falar de amor
amor de todos os tipos
amor de pai e filho
amor casual
amor que acontece assim
da forma mais natural
amor que faz sofrer
amor que faz crescer
ouvi falar em morte também
que é passagem
que é fim
apenas começo
quantas coisas eu já ouvi
me falaram de duas guerras
mundiais
que os negros eram trazido
em navios como animais
ouvi falar que tem água
no nordeste
no sertão
mas que isso não interessa
eu já ouvi demais
saber que ainda tenho muita vida
e muito para ouvir
tomara que sejam coisas boas
porque das ruins
eu já ouvi demais

TRISTEZA


muita gente
diz que meus
versos são tristes
que carrego em mim
marcas de solidão
todo poeta é triste
todo poeta é louco
é amante por natureza
muita gente
interpreta mal
me julga
pelos versos que escrevo
pensa que me conhece
e me desconhece cada vez
mais
eu não me conheço
às vezes acordo
da direita
na maioria das vezes
de esquerda
muitas vezes amo
demais
outras vezes
amo mais ainda
sou poeta
não consigo não amar
se meus versos são tristes
eu não sei
quisera não fossem
eu apenas escrevo
o que sinto
apenas

29 de out de 2007

EU ME RENDO

eu me rendo
me rendo a saudades
que sinto
me rendo a saudades
que me faz
mortal
que me faz sofrer
além do que eu queria
me rendo
porque a saudades
sai de mim
em forma de poesia
em forma de busca
de bússula
me rendo
porque meu coração
grita
e pede
implora
devora
tudo o que sinto
meus pensamentos
me devora
eu me rendo

INDIGENTE


além de indigente
sou gente
tenho alma
tenho Deus
tenho chão
terra
sou gente
de sonhos
de pés no chão
sou gente
descente
descrente
de muita fé
andarilho
maltrapilho
sou gente
que pensa
que sofre
que precisa
de ajuda
de abrigo
precisa de carinho
precisa de amor
além de indigente
sou gente

CHEGA DE SAUDADE

MUITO MAIS

era mais que saudade
podia explicar
era o amor que veio com
fúria
tumultuou tudo
se assustou e foi embora...
Era mais do que qualquer
inteligência
um nada sem definição
na pressa de amar
se amou, se quis, se perdeu
talvez na fúria
mais incontrolada da paixão
sem explicação
Era muito mais
do que se queria viver
eram sonhos
que concretizavam as sementes
do impossível
Era tudo
não era nada...

AREIA DE MIM


me perder no mar
com o vento, com o ar
livre das areias de mim
me perder
nos oásis que invento
em vertigens
de fantasias absurdas
me soltar
me livrar
das roupas e louco nadar
remar e mergulhar
e não mais voltar a superfície
ficar no fundo
e me perder para que ninguém
me ache
não ser achado por ninguém
quero ficar no meu deserto
livre das areias de mim
cegar meus olhos
no deserto de tempestades
e em mim, nem mais saudades
ficar no fundo
perdido no deserto
nas areias de mim...

ECOS

das montanhas
dos montes
das planícies
dos planaltos
e cavernas
dos ecos das vozes jogadas
ao vento levadas
dos labirintos das almas
infelizes
largadas...

COMO VOCÊ


assim como você
as flores não perfumam mais
já não embelezam
como já foi um dia...
dos buques de doce perfume
dos perfume de raro amor
as flores não existem mais
só ventania
e temporais
como não há mais flores
não há também mais jardins
o seu perfume passou
as flores murcharam
pétalas caíram
Assim como você
as flores não tem mais perfume
se não há mais flores
e nem jardim
você não existe mais
você morreu para mim...

VOU EMBORA


eu vou embora
vou para bem longe
para onde mande meu
coração
eu vou embora
porque não quero mais
lutar
lutas que não são minhas
vou embora curar
meu coração
vou com a lua, vou com o mar
vou embora para qualquer
lugar
para viver sem amor
e arrancar essa dor
e morrer quem sabe sozinho
ou na companhia de um
beija flor
vou embora
para bem longe
para onde manda meu coração
vou viver meus sonhos
e me perder na minha
própria loucura...

SEU TEMPO


vou viver o seu tempo
vou andar o seu caminho
vou ser teu amigo
para estudar contigo
sua vida
para dar bronca
estender a mão
pegar a mão
secar teu rosto
colher seu pranto
enxugar suas lágrimas
te levar para o alto
acima das nuvens do seu
vou viver o seu tempo
minuto a minuto
inconsequente
irreverente
alucinado
vou ser sua sombra
seu escudo
sem deixar que nada
atinja você
Sou teu amigo
para sempre
e minha espada
é tua espada
Vou viver o seu tempo
o seu caminho
porque você é a minha
luz
o meu novo tempo.

TALVEZ

talvez
eu me perca
de você
talvez não nessa
eternidade
talvez em um
lugar distante
num mar repleto
talvez
porque quero te
buscar
e louco
te encontrar
falar da saudade
talvez ou quem sabe
calar e curtir
teu silêncio
Talvez de mãos dadas
ou quem sabe
talvez...

QUASE UM SONETO

tantas vezes eu gritei
e muitas vezes calei o grito que dei
quando medos eu senti
no silêncio até que me perdi

em realidade de grande amargura
esqueci qual era a total doçura
da vida que deixei sem ternura
do sonho sem transparência e brancura

desesperado percebi o tempo correr
cansado vi a flor morrer
iludido deixei tudo sem perceber

Tudo passou e nada é igual
agora aqui, só um temporal
uma confusão, meu desespero que hoje é normal

LÍRIO FALSO


surgiu de onde
lírio vulgar
todo de branco
para me enfeitiçar
lançando sua beleza
pensando me conquistar
pobre lírio doente
você é só mais um
um lírio vulgar
triste é minha alma
e ninguém rouba seu lugar
lugar da rosa querida
que agora está partida
caída
despedaçada
e longe
bem longe do meu jardim...

FOI O TEMPO

foi o tempo
nada mais
se pode esperar
é sempre o tempo
senhor das razões
nem certas
nem erradas
apenas precisas
foi o tempo
nada mais

OUSAR

ousar
com a vida, com o amor
ousar
até sentir calor
e esbarrar nos limites
ousar
e contrariar o que
se espera
romper
o tradicional, bossal
ousar
escrever uma estória
um livro
um faz de conta
ousar
tomar chuva, tirar foto, camuflar,
insulfrar...
Ousar
porque só descobre limites
ousando
porque só ousando
se conhece
Ousar para que jamais seja
esquecido...

UM POUCO DE MIM


Comecei escrever por brincadeira. Eu tinha 16 anos e decidi ser poeta. Comprei uma máquina de datilografia, papel e comecei a digitar meus pensamentos. As palavras eram perdidas, soltas, vazias. Os dedos estavam duros e os pensamentos presos. Tinha medo de escrever. Achava que os poetas não eram assim. Comecei ler Bandeira, Drummond, Pessoa, mas não queria nenhum vestígio, queria ser poeta, como o poeta deve ser. Escrevi demais. Meus dedos doíam. Minha namorada, hoje esposa, apenas corrigia meus erros e quantos erros. Eram muitas poesias, travadas mas sentidas. Saiu meu primeiro livro "Labirintos da Solidão". Hoje guardado com os versos que talvez não tivesse hoje coragem de escrever. Depois de um tempo parei. Me senti um poeta mediocre. A máquina quebrou, a vida me engoliu. Mas a poesia gritava em mim. Comprei um bloco de papel. Não as digitaria mais, apenas as escreveria. Escrevi demais. No ônibus, no metro, na lanchonete, no cinema, na igreja. Assim a poesia tomou conta de mim. Nunca mais parei de escrever. Se via uma moça bonita, eu escrevia e lhe entregava. Quantas moças bonitas apareceram em meu caminho e quantas poesias perdi por ai. Trabalhava mas não me sentia realizado. Os versos gritavam, me sacudiam. Fiz de tudo. Fui ajudante de pedreiro, ajudante de eletricista, bancário, vendedor,vigilante, operador de telemarketing,auxiliar de escritório, assistente administrativo,digitador. Fiz de tudo nesta vida, até em circo eu trabalhei, mas a poesia gritava em minha vida. Casei ( com a mesma namorada que corrigia minhas poesias ), tive uma filha ( hoje minha melhor poesia ), moro longe, moro na periferia. Parei com tudo para escutar o que a vida de mim queria. Ela pedia, para tudo e vem escrever poesia. Parei, já escrevi 4 livretos, fiz um blog e o que eram labirintos da solidão, hoje são reticências...

DENTRO DE MIM

dentro de mim
existe muitos
de mim
cada qual com sua
vida
com sua cor
suas feridas
uns mortos
podres
outros vivos
intensos
dentro de mim
há muitos de mim
uns que choram
outros que gritam
profetas
mendigos
crianças
tantos de mim
feridos
machucados
escondidos
tantos de mim
poetas
boemios
amantes
dentro de mim
apenas um coração

AGONIA

toca-me
nesta manhã
minha agonia
toca-me
o silêncio
sem melodia
um mal estar
e uma vontade
imensa de voar
toca-me
nesta manhã
a música
sem som
vejo atordoado
como se uma droga
me consumisse
como se alguém
me apertasse
o peito com fúria
e me esmagasse
o coração
toca-me nesta
manhã
meus pensamentos
minha agonia
e meu silêncio...

SE EU MORRER AMANHÃ

se eu morrer amanhã
te deixo apenas
meus versos
minhas poesias
e as velhas fotografias
se eu morrer amanhã
ficarão as lembranças
de todas as horas que
vivemos juntos
ficarão os pesadelos
das noites que não estarei
mais junto a ti
para te socorrer e te
acordar
se eu morrer amanhã
restará de mim
apenas o pó
serei enfim a saudades
entenderei por fim
a morte
e mesmo que me doa
dizer
se eu morrer amanhã
te deixo meus versos
minhas lembranças
e as velhas fotografias...

CONFUNDIR


vou confundir
todos os teus
pensamentos
vou invadir tua vida
sem pedir licença
vou misturar
qualquer e todos sentimentos
vou arremessar para fora
de mim
toda amargura e frustação
vou te elevar ao céu
para depois te mostrar
meu inferno
te mostrar um novo oceano
vou caminhar em silêncio
chamar teu inconsciente
a qualquer momento
vou gritar e afiar minha espada
vou te buscar
no vento
no sol
no céu...
vou pixar nos muros nossos
segredos
vou entender teus medos
e te abraçar no suspiro
vou profanar tuas lamúrias
injúrias
vou te amar
com toda intensidade
sem buscar respostas
vou mexer com teus instintos
vou te levar a loucura
e te agarrar para que jamais
esqueça
da vida que jamais viverá igual...

POR AMOR

por amor, se supera
por amor, tudo se engole
por amor, tudo se esquece
por amor, se faz moleque
se morre, se mata, se lança
se traga, debruça, esmaga...
por amor, se come abobrinha
dobradinha
so´pá de ervilha, quiabo, jiló...
por amor, se tinge os cabelos
aumenta-se os seios,
se faz regime,
se perfuma
se embeleza
se emboneca
por amor não há fracassos
tortura descaso
por amor, se aprende a caminhar
a cozinhar, a dançar forró,
aprende-se a gostar de romance
esquecer dos amigos
e do futebol
por amor não se paquera
não se flerta
só se enamora na luz do luar
por amor, se faz compra no supermercado
se apanha o sabonete
dá mordida
e até tapinhas
só por amor...

DIAS IGUAIS

os dias são iguais
exatamente iguais
como foram
os dias atrás
vou envelhecendo
vendo os dias iguais
vivendo dias iguais
os passos ficando lento
os olhos ficando cansados
os ouvidos atordoados
as ruas são iguais
os mesmos hábitos
até as pombas são iguais
mesmas pessoas
os programas na televisão
os filmes
as novelas
tudo se repete
nestes dias iguais
completamente iguais...

SEM SABER

não sei mais o que esperar
não espero mais nada
tudo está tão sem graça
tão sem cor
tudo tão normal
Os olhos não vêem mais
poucas bocas se beijam
nem os corpos falam mais
os mudos calados
cegos de prazer
e o que se quer
é só viver
viver de qualquer jeito
sem jeito
apenas viver
sem graça, sem sonhos...
não sei o que esperar
quem sabe
a morte

ALMA DE POETA

onde estão os poetas
e suas poesias
cadê o romantismo
o lirismo
o amor
para onde foram os
sentimentos
em que parte do caminho
se perderam
onde estão os versos
que outrora declamei
onde estão os jardins
e as rosas
nada é mais
como era antes
nem mesmo os versos
não são mais versos
que encantam
onde estão os poetas
e suas almas...

VOCÊ FOI

você foi
beleza
clareza
minha pedra
você foi
o que eu queria
minha paz
devolveu minha paz
meu alento
minha alegria...

PRESO

preso dentro de mim
sem forças
sem rumo, sem destino

preso dentro de mim
sem socorro
nem mentiras
só promessas

amordaçado, sufucado
sem recifes
nem mares

sozinho
sem nada
sem graça

preso sem nada
sem nada
mada
sem nada

28 de out de 2007

ESTRELAS


as estrelas desta noite
não são as mesmas
da noite que passou...
a lua não é a mesma
nem o vento
nem minhas lembranças...
As estrelas não brilham mais
a lua se escondeu atrás
dos sentimentos
o vento contou tuas verdades
a noite se despiu
por inteiro
a cama fria
sozinha
teu retrato desenhado
nas estrelas
que insisto em não ver
em esquecer
lembranças que não se
esquecem mais...

SORRISO MORTO

sorriso frio
sem graça
sorriso fácil
sem sentido
vazio
sútil
sem emoção
sem nada
o calafrio
o arrepio
teu olhar
sorriso frio
eu a mil
você
sumiu, partiu
esqueceu
fácil
muito fácil...



RESTA-ME

resta-me escrever
escrever em jornais
e revistas
em livros
escrever nas madrugadas
os absurdos que
cospe minha alma
resta-me escrever
escrever
teu rosto
enquanto dorme
escrever teu corpo
enquanto amo
escrever loucuras
que não sinto
escrever de noite
descrever a noite
falar sozinho
e rir de mim
dos meus encantos
das minhas loucuras
escrever é o que me resta
e só me resta
escrever então...

MENTIRA

nada é real
nada existe de verdade
tudo é miragem
tudo está no pensamento
na força do que se quer
no que se busca
no que se espera
Nada existe
tudo é invenção
não há pessoas
nem sentimentos
apenas imaginação
Nada mais do que
quero importa
tudo acaba
num piscar de olhos...

LEMBRANÇAS

eu lembro de você
de tudo o que fez
de tudo o que falou
lembro do seu amor vazio
das conversas à toa
lembro de como fugi
de como chorei
lembro das mentiras
que contou
de como iludiu
me iludiu
me machucou
lembro das palavras
de cada palavra
de cada gesto
queria fugir
esquecer
morrer
esquecer somente isso
esquecer você...

INSÔNIA

já é quase manhã
e eu não durmo
nasce um novo dia
e eu não durmo
leio um livro qualquer
ouço uma música qualquer
de alguém qualquer
não me importo
já é quase manhã
bebi demais
não comi nada
não dormi
amanheci calado
cansado
desta insônia maldita

LIBERDADE

liberdade
é andar assim
sem pensamentos
que te façam voltar

liberdade
é voltar
quando a saudades
chamar

liberdade
é gritar bem alto
mesmo sabendo
que ninguém vai escutar

liberdade
é ouvir a si mesmo
é vestir pensamentos
e desnudar a alma

liberdade
é poder
sem culpa




SONHOS

sonho
sonhos que
não posso
sonhar
sonhos
e me transporto
para outro lugar
viajo
sem passagem
sem data para voltar
sonhos
delírios
todas as noites
querendo
não sonhar
sonho
sonhos
que não são meus
sonhos inconscientes
desejos
que não quero
sonhar
não quero viver
e nem lembrar
por isso não durmo
para não sonhar
para não sofrer
nenhum sonho
nada

DESEJOS

teu perfume
me envolve
me seduz
me entorpece
tantos desejos
mortos
por medo
por querer demais
o que não posso ter
teu perfume
em minhas noites
o vento me traz
meus desejos
na lua
os sonhos te levam
me encontro
onde não
nada de ti
te encontro nas vertigens
que encontro dentro de mim
desejos mortos
dentro de mim...

INFIDELIDADE

gosto amargo
de fel
pecado que
existe além
do céu
desejos mortais
que despedaçam
enlouquecem
deixam amargura
tristeza
por onde passa
gosto amargo
sujo
vazio
infidelidade
dois gumes
um lado
sentimentos
todos fracassados
sentimentos
vazios
escuros
calados

LOUCA

louca
que ama
que ama
ama
louca
que se despe
das vergonhas
dos pecados
das ânsias
louca
para amar
para sentir
sentidos
sensações
louca que morde
os lábios de prazer
louca
para amar
matar de amor
amar
louca

ENLOUQUEÇO

sem você
me perco
enlouqueço
morro

sem você
me rasgo
me consumo
me acabo

sem você
não durmo
não como
não vivo

eu respiro
por respirar
eu sobrevivo
e me espalho
fico em pedaços

sem você
sou nada
pedaços talvez
da minha existência
em mim

DISTANTE

você foi embora
havia ido faz tempo
e eu te amando
como te amava
não percebi
que havia distância
em teus olhos
eu por te amar
recusava acreditar
e você
sempre distante
se esforçando em me amar
amar
um amor vazio
e eu fingia que não via
queria me enganar
e te trazer de volta para mim
eu fingia
e você distante
me perdia...

MEDO

há em mim o teu medo
tuas angústias
há em mim
teu gosto

eu corro
e me encontras
eu me escondo
e me achas
cada vez mais em ti

há em mim
muito de ti
que quero arrancar
mas que não sai
quero matar
mas que sobrevive

há em mim
mesus medos
minhas angústias





ENLOUQUEÇO

enlouqueço
e grito
entenda

amo você

sofro
me desfaço
te busco

amo você

você
enraizada em mim
dona de mim

amo você
e enlouqueço
por estar longe
por estar sempre
por amar mais

eu sem você
enlouqueço

VOLTA

te quero de volta
de volta para mim
te quero em meu quarto
em minha sala
em minha vida
te quero de volta
sem soluço
nem lágrimas
de volta
para que a gente se perca
nas nossas doces brincadeiras
sempre intermináveis
sessões de cinema
nossos hamburgeres
e as balas que diviadíamos
volta
para nossas tardes de amor
para nossas noites de amor
para nossa vida de amor
volta e me perdoa...

ME QUER BEM - ME QUER MAL

quando foges
te quero mal
quando voltas
te quero bem

então voltas

quando me ama
te quero bem
quando mentes
odeio

então pára

de se enganar
de fingir
de mentir

não te quero mal
nem te quero bem
apenas te quero

SONO

gosto de ter ver dormir
zelar teu sono
cobrir teu corpo
gosto der sentir tua respiração

gosto de ver teu sono
olhar tua boca
teu corpo
e ver como és bela

gosto de me encantar
e me apaixonar
ainda mais
por você

amo ver teu sono
amo te ver indefesa
sonhando

amo você
de qualquer jeito
sempre por você
me encanto

mas ver você dormir
eu não resisto
eu não aguento

SUA METADE

a metade que gosto de você
é a metade que não me encontro
é a parte mais secreta de você
seu lado oculto
seu mistério

a metade que mais gosto
é quando deixa de ser você
e se veste de aparências
o que atrai
é esse lado mulher
o lado fêmea

quero para mim
quero sua metade
sem vergonha
sem pudor
e essa metade que quero
arrancar de você

essa metade
sua metade
sem mim

TEU ROSTO

teu rosto
me segue
me persegue
nas ruas
nos sonhos
nos pensamentos
te vejo em tudo
te sinto em tudo
nas minhas horas
de solidão
pelas ruas frias
nas poças
nas gotas que caem
nos óculos
teu rosto
nas minhas pegadas
nas minhas lembranças
no meu passado
teu rosto
invade minha sombra
meus livros
meus papéis
teu rosto
sempre
em mim

MARCAS

não me importa as marcas do seu tempo
as marcas que o tempo esculpiu em você
não me importa seu passado
nem o que o futuro te trará...

não me importa nada

só seu sorriso
seu abraço
suas verdades
sua consciência

não me importa nada

por onde anda
com quem anda
e nem para onde vai
quero apenas que volte

isso sim me importa

importa que seu corpo
esteja quente
sua mente lúcida
e que eu exista em você

é o que quero
apenas o que me importa...




POETA

sou poeta
não sinto
não me apaixono
retrato apenas
com fidelidade
sentimentos

sou poeta
não existe o
que não me encanto
eu fujo
me assusto

escrevo
as verdades que me
gritam
escrevo
e sobrevivo

sou apenas poeta
apenas alma
sem sentimentos meus
sem ter inspirações
sem interpretações
a não ser as minhas próprias...