11/07/2009

DIA DOS PAIS - COLOQUE SEU PAI NA CAPA

O DIA DOS PAIS ESTÁ CHEGANDO!
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CHEIRO DE CHUVA

Depois
Do vento
O temporal
Depois
Do temporal
O cheiro de chuva
Cheiro de mato
De terra molhada
Cheiro de sertão
Depois
Do vento
A chuva
Que vem mansa
Molhar
A terra
Seca
Molhar
Os corações
Secos
Depois
Entre as nuvens
O sol que espera
Pode de novo
Secar
A terra molhada
E acabar
Com o cheiro de chuva
Que a chuva deixou

BEM TÍPICO

Bem típico
De quem
Não ama
Falar do amor
Que não sente
Bem típico
De do
Invejoso
Falar da vida alheia
E assim
Caminhamos
Entre os olhares
De aprovações
E as palavras
Que nos condenam
Sem razão
Bem típico
De quem não planta
Querer colher
Bem típico
De quem aponta
Defeitos
Errar na primeira esquina
E assim caminhamos
Entre farpas
E espinhos
De quem sabe tudo
E não sabe nada

NO COMEÇO

No começo
As flores
As palavras bonitas
As mãos
Dadas
O abraço apertado
No começo
A certeza
De dias
De sol
Dias de brisa
Dias de amor
No começo
Os planos
E os sonhos
Os olhares
E os encontros
No começo
O lindo
O belo
Tudo o que é
Parece maravilhoso
As juras
E as alianças
Basta uma pedra
No caminho
Para que o começo
Vire fim

FORA DOS PADRÕES

Essa mania
De beleza
Esse jeito
De ditar regras
Como fazer
Como andar
Se vestir
Falar
Prefiro
Minhas noções
Que são fora
Dos padrões que pedem
Essa mania
De ditar
Regras
A sociedade
Não é o que se espera
Nem nunca será
Pra que falar então
Como devem ser
Os padrões
Prefiro
Meu jeito
Descolado
Fora dos padrões
Das regras impostas
Por uma sociedade medíocre
Essa velha mania de dizer o que fazer

EU TIVE SORTE

Eu tive
Sorte
De te encontrar
Em meu caminho
Nem posso
Pensar
Em reclamar
Da vida
Eu tive sorte
Quando me aceitou
Assim
Como sou
Eu tive
Sorte
Que me desse
Seu coração
Seu amor
Sua alma
Seu pensamento
E pegasse
Os meus pra você
Eu tive sorte
De ver
A semente germinando
E árvore frondosa
Nascendo
De um solo fértil
Eu tive sorte

NÃO É ESTRANHO

Não é estranho
Quando
As palavras
Saem
Enroladas
E a língua trava
Não é engraçado
Quando
Sem querer
Os olhos
Se encontram
E se perdem
Sem nenhum
Som
Sem nenhuma palavra
Não é estranho
Quando as mãos
Estão geladas, suadas
E o coração dispara
Quando derrepente
Você se depara
Com imagem de radiante beleza
Não é estranho
Que depois de tanta vida
A morte venha
E leve tudo
Sem deixar nenhum vestígio
Só saudade

VOCÊ FLUTUA

Você
Flutua
Entre a multidão
Sua aura
Brilha
Reluz
É clara
Intensa
Você
Flutua
Como anjo
Na multidão
Como
Se entre todos
Só existisse
O seu brilho
A sua luz
Você
Flutua
E não deixa
Que o sorriso
Morra em seus lábios
Você feito
Anjo
Entre a multidão
De nuvens escuras
Nuvens esparsas
Você flutua feito anjo

SEM PENSAR

O pior
É fazer
Sem pensar
O que quer
Que seja
O pior
É arriscar
Perder
O que se tem
Sem pensar
Amar
Sem pensar
Querer sem pensar
O pior
É ficar
Olhando
Para o nada
Sem pensar
No amanhã
Nos dias
Que virão
Pior
É falar sem pensar
Nas tristes conseqüências
Das palavras
O pior
É se deixar cevar
Entrar em labirintos sem pensar

O QUE IA DIZER

O que dia
Dizer
Antes
Que as palavras
Morressem
Na sua boca
O que ia dizer
Quando o tempo
Parou
Para ouvir
O que ia
Dizer para seu dia
Para as flores
Que insistem
Em nascer
No seu caminho
Já desgastado
Pelos seus passos
O que ia dizer
Quando o sol
Nasceu
E as estrelas
Apagaram-se
No céu
Para onde foram as
Palavras
Afiadas
O que ia dizer

A VIDA RECOMPENSA

A vida
Recompensa
Quem se esforça
Quem batalha
Quem não desiste
A vida
Recompensa
Quem tem coragem
Quem não fica de braços
Cruzados
Esperando
A sorte
A vida recompensa
Quem não
Espera
Quem vai para a guerra
Nos dias frios
Nos dias de sol
A vida
Recompensa
Aqueles que têm compaixão
Aqueles que têm amor
Demais
Recompensa quem tem
Fé e esperança
A vida sabe
Quem planta
E quem colhe

10/07/2009

DESCULPA ESFARRAPADA

Vem
Rodeando
De cabeça
Baixa
Com uma desculpa
Esfarrapada
Na ponta língua
E eu
Paciente
Finjo
Que acredito
Nas mentiras
Que conta
Vem
Sem que eu fale
Nada
Me pedindo
Desculpas
Com os olhos
Cheio de lágrimas
Meu coração
Quase se convence
Quase acredita
Na sua desculpa esfarrapada
Dizendo
Que o relógio parou
Que o celular quebrou
Que o dia clareou
Antes da hora
No fundo seu sei
Já fui como você

DEPRIMENTE

Jovens
Bêbados
Com suas motos
Morrendo
Jovens drogados
Com seus carros
Matando
Deprimente
Corpos
No chão
Culpados
E inocentes
E os pais
Vivos
Em estado de choque
Tendo
Que reconhecer
Seus filhos
Em necrotérios
Deprimente
Jovens
Largados
Querendo
Tirar da vida
O que nem a vida tem
Jovens
Matando
Jovens
Morrendo
Deprimente
Matar e morrer jovens demais

ALGUÉM ME AJUDE

Alguém
Me ajude
A dizer
O que não consigo mais
Alguém
Me ajude
A escrever
Parece que tudo
Já foi
Dito
Parece
Que tudo já foi escrito
E
Eu
Aqui
Com tantas
Coisas
Para dizer
Alguém me ajude
A contar
A falar
O que sinto
Não posso morrer
Engasgado
Sufocado
Com as palavras
Há muito
Para dizer
E já não sei como
Alguém me ajude
A achar palavras

NADA ME PERTENCE

Os versos
Que escrevo
Não são meus
Não me pertencem
O meu maor
Não é meu
Nem minhas roupas
Meu rosto
Meu corpo
Nada me pertence
Minha história
Não é minha
Nem quem eu pensei
Que fosse
Nada é meu
Nada me pertence
Os dias
As horas
Minha própria vida
Nada
É meu
Meus pensamentos
Sentimentos
Nada me pertence
De verdade
Não sou dono
Inquilino
Sem fiador
Tudo é ilusão
Dos meus desejos
Das minhas tardes

MEU LITORAL

Meu litoral
Tem praias
Desertas
Muitas ilhas
De momentos
Tem o céu
Azul
Com mexas
Cinzas
Meu litoral
Tem um mar
Imenso
Intenso
Profundo
Tem pedras
Tem encostas
Gaivotas
E palmeiras
Meu litoral
É onde
Me refugio
De mim
E dos meus azares
Onde me escondo
E me transformo
Em natureza
Onde me transformo
Em pedras
Em gaivotas
Em ilhas
E na imensidão do meu mar

ANTÍDOTO

Inventei
Um antídoto
Para
O amor
Para que a paixão
Não aconteça
Inventei
Uma forma
De me proteger
Dos olhos
Lindos
Do jeito
Gostoso
Que fascina
Ando de olhos
Fechados
Quando saio
Pelas ruas
Não abro
As janelas
Quando estou em casa
Inventei
Uma maneira
De me defender
Do amor
Que acontece
Em um momento
E da paixão
Que vem incandescente
Não saio mais
Não me arrisco mais

QUIS MORRER

Quando
O relógio
Me mostrou
Meia noite
Quando vi
Os príncipes
Se transfornando
Em sapos
E as princesas
Em farrapos
Quis morrer
Sai
Feito louco
Atrás de você
Para que não virasse
Farrapo
Para que eu
Pudesse
Evitar
Que seu coração
Sofresse
Quando vi
Que não estava
Voltei chorando
Em desespero
Sabia
Que havia se transformado
Em mais um farrapo
E seu príncipe
Em mais um sapo
Quis morrer

A MENTIRA VICIA

É feito
Droga
De todas
As mais
Perniciosa
A mais
Maléfica
A mentira
Vira
Verdade
Quando os olhos
Já não conseguem
Decifrar
A mentira vicia
Sacia
Por um momento
Deixa o mundo
Cinza
Colorido
É feito
Droga
De todas
A pior
Que entranha
Nas artérias
Sufoca
Ilude
Causa torpor
De todas
A pior
Mentira vicia

SUPORTÁVEL

Já não sei
Mais
O que é suportável
Meu coração
Calejou
Não se importa
Mais
Com tantas mentiras
Já não
Sei mais
O que é dor
Não sei
Mais
O que dói
Meu coração
Está
Constantemente
Anestesiado
Não sei
Mais
O que sentir
Pensar
Não sei mais
O que é dor
Nem amor
Meu coração
Se acostumou
Com tudo
Não sabe o que
É suportável
Coração triste, calejado

CONVERSA VAZIA


Fiquei
Falando comigo

Falei com
As paredes
Numa conversa franca
Numa conversa vazia

Fiquei
Por horas
Olhando
O teto
Do meu quarto
Contando
Para o travesseiro
Os meus segredos
Falei tudo
Numa conversa vazia
Falei
Tudo o que sentia
Sem séria
As paredes não responderam
Nem questionaram
Nem o teto
Nem o travesseiro
Conversa vazia
Eu falando comigo
E com meus fantasmas
Conversa franca
Conversa vazia

09/07/2009

A VIDA ERA

A vida
Era
O que eu
Esperava
Quando
Adolescente
Via
O mundo
Passar por mim
Quando
Via os caras
Com seus carros
Envenenados
A vida
Era
Maça do amor
Algodão doce
Nas tardes
Doce
Da minha infância
A vida
Era sonho
Dourado
Era
Tudo o que eu podia
Querer
Quando não conhecia
A vida
E suas faces

NADA É DE GRAÇA

Nada
Absolutamente
Nada
É de graça
Tudo
Tem seu preço
Caro
Às vezes
Barato
Nem sempre
Mesmo
O que está
Jogado
Até
Mesmo
O que está esquecido
Nada
É de graça
Um sorriso
Custa caro
Um amor
Não sai
De graça
Nada é de graça
A vida cobra
Tudo
Tudo
Até o que está
Jogado, largado, esquecido

QUEM ME ENVENENA

Quem me envenena
Com palavras
Não me conhece
Quem fica
Com rodeios
Cercando-me
Não me conhece
Palavras
Não me envenenam
Ensinam-me
Revigoram-me
Alimentam-me
Quem me envenena
Com o perfume
Do tempo
Não me conhece
Não sabe
Nada de mim
Não conhece
Minhas guerras
E minhas tempestades
Quem tenta
Ludibriar-me
Tenta me iludir
Envenenar
Não sabe
Que o veneno
É a bebida preferida
Dos poetas

ACEITO MEUS DEFEITOS

Eu
Sei tudo
De mim
E aceito
Meus defeitos
Bem mais
Que minhas
Virtude
Eu sei
De mim
O que faço
O que penso
E como
Sinto-me
Ninguém mais
Não há quem possa
Contradizer-me
Aceito
Meus defeitos
E como
A vida acontece
Sei de mim
Sei dos meus gostos
E das minhas verdades
Ninguém mais
Sabe
Nem saberá
São meus defeitos
E minhas virtudes

VIVER SEM LIBERDADE


Imagine
Andar
Por aí
De braços
Presos
Venda nos olhos
Imagine
Viver
Sem liberdade
Viver
Sem poder
Respirar
O próprio ar
Imagine
Seu corpo
Preso
Sem que possa olhar
Se mover
Imagine
Viver sem liberdade
De pensar
De sentir
Coração amarrado
Preso
Amordaçado
Aos pés
De uma cadeira
Aos pés da mesa
Viver sem liberdade

A MINHA MODA

Não esquento
O tempo
Faça
Frio
Chova
Ou faça sol
Minha moda
Eu faço
Como me sinto
Jeans
Chinelo
De dedo
Camiseta branca
Já me consolam
Já me consertam
Já fazem de mim
O que sou
Não esquento
Se pensam
Se falam
Falam de qualquer jeito
De terno Armani
Ou de pés no chão
Eu me faço
Faço a minha moda
Jeans
Camiseta
Chinelo de dedo
E minha liberdade

OVELHA DESGARRADA

Anda
Sozinha
Por aí
Buscando
Amor
Não existe
Mais amor
Algum
Anda por aí
Querendo
Encantar o vento
Não há
Mais encantamento
De sobra
Anda
Sozinha
Ovelha desgarrada
Sentido
A solidão
Cortar sua alma
Anda
Querendo
Tudo o que já
Passou
Antes
Pelas suas mãos
E perdeu
Ovelha desgarrada
Sozinha, solitária

BECO SEM SAÍDA

Você
Não percebe
O que você
Faz com a vida
E o que
A vida faz com você
Devagar
Vai empurrando
Ladeira abaixo
Colocando
Você
Em beco sem saída
Não entende
Os sinais
Tão visíveis

Você
Não percebe
Por onde anda
Com quem anda
E o amor
Que julga sentir
Só você
Acredita
Nas mentiras
Que diz
E não percebe
As ciladas
E o beco sem saída

CONTRA A PAREDE

Taí
Algo
Que me tira
Do serio
Quando
Empurram-me
Contra a parede
Quando
Cobram
De mim
Algo que não tenho
Algo
Que não é meu
Taí
Algo
Que me deixa
Fora de controle
Quando
Forçam-me
Contra a parede
Quando
Questionam
Meu tempo
E minha vida
Quando questionam
Sobre minha tristeza
Taí
Algo que me faz
Ficar mal comigo

PAUSA PARA RESPIRAR

Todos estão insanos
Cegos
Não se vê mais nada
Um palmo
A frente do nariz
Estão todos consumidos
Pelo consumismo
Todos
Obcecados pelo tempo
Sem tempo
Para respirar
Todos
Querem
Uma pausa
Ninguém diz nada
Todos se calam
E vivem
Sem uma pausa
Para respirar
Sem uma pausa
Para sentir
O que acontece
Ao seu redor
Todos
Vão guiados
Pela falta do tempo
Sem pausa
Para respirar
Para viver

08/07/2009

ALMA DE ANJO*

nem
mais as crianças
têm alma de anjo
até mesmo
quem era
digno
de compaixão
já não o é
agora sim
somos todos iguais
não existem
mais anjos
nem as crianças
com seu riso
inocente
e a inocência
doce
das perguntas
sem malícia
não existem mais anjos
nem crianças com alma de anjos

PURO CANSAÇO*

os dias
vão morrendo
com eles
toda
e qualquer esperança
os dias
vão sumindo
das folhinhas
grudadas
nos ímãs das geladeiras
dias riscados
dias que engolem
os restos de mim
faço o que pede a alma
o corpo
já não sente mais
é puro cansaço
veias enrijecidas
as mãos cada vez mais calejadas
e a esperança de ver aquela luz
no fim do túnel

MADRUGADA ME DESPERTOU*

madrugada
despertou-me
parecia
desesperada
chorava
como há muito
tempo
não a via chorar
segurei suas mãos
e ficamos juntos
até que o dia
surgisse
no horizonte
para que enfim
a madrugada
pudesse dormir
sem medo
em meus braços
era um sonho
um triste sonho
que despertou a madrugada

NÃO PUDE RESISTIR*

não pude resistir
aquela flor
estava ali
sozinha
intacta
meus instintos
falaram mais alto
fui lá
e arranquei
a única flor
viva
do vaso
da minha janela
não pude resistir
aquela flor
tão bela de encantos
e eu frágil
carente de beleza em meus olhos
no meu coração
queria a flor só para mim
só para meus olhos cansados

JÁ SONHAMOS MUITO*

já sonhamos
muito
e ainda faltam
muitos sonhos
desejos
já sonhamos demais
e ainda
queremos
demais
o que não temos
já temos paz
já temos um teto
cama quente
panela no fogão
já sonhamos muito
e as correntes
não se quebram
os sonhos ainda nos
fazem prisioneiros
e nós
já sonhamos demais

SABEMOS DE COR*

sabemos
de cor
e nem foi
preciso
estudar
decorar
às vezes
a vida se torna
previsível demais
às vezes
é melhor
fingir
e se deixar levar
pelas crendices
sabemos de cor
o caminho e as saídas
é melhor fingir
fazer-se de rogado
deixar de lado
expectativas e certezas
sabemos de cor

ALGUÉM CANTOU*

alguém
cantou
a lua
que se entregou
às canções
alguém
fez declarações
de amor
para a morena da janela
não foi o vento
nem foi algum
louco poeta
até as flores
apaixonadas
deixaram-se levar
alguém cantou
canções de amor
em plena madrugada
a lua se foi
a morena partiu
e as flores apaixonadas
se deixaram levar

O QUE A VIDA ME DÁ*

eu tento
devolver
o que a vida me dá
tento
devolver
em versos
todas as rimas
que a vida me dá
eu tento
deixar
livros
para que o amanhã
lembre quão generosa
a vida foi comigo
eu tento
viver
da melhor maneira
possível
a vida me conhece
eu tento devolver
o que a vida me dá

OBSTÁCULOS*

nem sei
quantos
obstáculos
ultrapassei
nem sei
se eram
obstáculos
talvez
fossem
apenas pedras
e não montanhas
talvez
meus olhos
tenham me enganado
nem sei mais
depois de tudo
o que passei
montanhas
não são nada
apenas pedras maiores
que machucam como as menores

VOU SER FELIZ*

vou ser feliz
de qualquer maneira
vou ser feliz
do meu jeito
sem perguntar
se posso
ou se devo
sem perguntar
para ninguém
eu sei
nasci para ser feliz
e eu vou ser
custe o que custar
esteja onde estiver
essa tal felicidade
não vim a passeio
nem para ficar de brincadeira
vou ser feliz
ainda mais
do que já sou
tenho certeza disso

ESTRELA CADENTE*


nossa
infância
passa rápido
demais
feito estrela cadente
que corta o céu
deixando saudades
nossa infância
voa
somos crianças
ontem
e adultos sempre
ainda lembramos
dos pés descalços
e da velha bola de capotão
do pião e da pipa
por isso tudo é mais difícil
nos dias que se seguem
ainda temos saudades
da velha infância
estrela cadente

OUTRA EMOÇÃO*

nasce o dia
e outra emoção
desenha-se
sempre
vem
a esperança
de que tudo
seja diferente
nasce o dia
depois
das orações
ao pé da cama
pedidos
agradecimentos
na noite
vem o dia
carregando nos ombros
outra emoção
nova esperança
de dias sempre melhores

MEDO NO OLHAR*

por que
esse medo
no olhar
de onde vem
todo esse medo
ainda somos
racionais
ainda entendemos
os sinais
que falam
por que
esse medo
estampado
ainda temos
algum sentimento
alguma compaixão
guardada
ainda somos
humanos
por que
esse medo no olhar

VALE DE LUZ*

deve
haver
aqui na terra
um vale de luz
onde
as pessoas
possam se encontrar
para conversar
sem medo
para se olharem
nos olhos
sem receio
deve
haver
aqui na terra
em algum
lugar escondido
um vale de luz
onde as sombras
não entrem
e as pessoas de bem
possam se encontrar

NOITE DE SOL*

noite de sol
a luz
aqui acesa
os mortos
em festa
celebrando a morte
noite de sol
e aqui
faz frio
sempre faz frio
à noite
noite de sol
e na rua
nenhuma alma viva
todos se escondem
protegem-se
das almas que vagam
e eu ali
entre a luz e
a noite de sol
com os pés gelados

TRAVESSIA*

eu vou
fazer minha
travessia
seja
do jeito que for
a nado
remando
afogado
não quero saber
como
nem quando
sei apenas
que farei
nem que seja
dos meus atos
o último
farei a minha travessia
de qualquer maneira
vou a pé
voando
nem que demore anos

ÁPICE*

onde vamos
parar
tudo está
cada vez pior
gente
matando gente
por um simples relógio
ou um par de tênis
chegamos
no ápice
de nossa imbecilidade
ou descemos
eu já não sei se estamos
mesmo numa
cadeia evolutiva
não se pode crescer
para baixo
não somos raízes
árvores talvez
umas de tronco forte
outras de tronco podre

CONDESCENDENTE*

daqui
pra frente
serei assim
totalmente
condescendente
não vou mais
gritar
não vou mais
esbravejar
vou calar
e aceitar
imposições
daqui
pra frente
aceitarei
tudo
cansei de brigar
discutir
querer que a vida
me dê um lugar
que não é meu

IRASCÍVEL*

ando assim
irascível
ando
com os nervos
à flor da pele
parece
que vou explodir
parece
que vou enlouquecer
ando
feito rastilho
de pólvora
que corre
para encontrar a morte
ando assim
irascível
nervos em frangalhos
ando assim
na corda bamba
uma hora não aguento
e acabo explodindo

SUSCETÍVEL*

não imaginei
que meu coração
fosse assim
tão suscetível
já amei
demais
sofri demais
e mesmo assim
coração
se encanta
coração
se entrega
coração
acredita
jamais
imaginei
que meu coração
gostasse de sofrer
que meu coração
fosse suscetível
ao amor, à paixão

07/07/2009

PRÓPRIA MISÉRIA*

quem ri
da própria
miséria
quem ri
da própria
desgraça
quem
fica
admirando
o que aconteceu
suas tragédias
que nunca
são cômicas
quem ri
do seu destino
quando
seu destino
fracassa
quem
debocha
da própria sorte
quem ri
dos acasos
da própria miséria
da falta de sorte
da falta de fé

ALTERNATIVA*

não
posso
mais esmolar
nem pedir
implorar
não posso
mais ficar
sentado
olhando
os ponteiros
não se cansam
as horas voam
vou para a rua
vou levar
na mochila
girassóis
para não me perder
uma alternativa
para que a vida
continue
acontecendo
e eu continue
vivendo
não posso deixar
tudo perdido
no vento
no passado

IMPOSSÍVEL PARAR*

impossível
parar
quando
passos
já foram dados
impossível
voltar
quando
metade do caminho
já foi
percorrido
impossível
esquecer
quando
as feridas
ainda estão abertas
e sangram
impossível
parar de pensar
quando se ama
impossível
deixar de amar
derrepente
impossível
ser outro alguém
mudar
esquecer

A VIDA ENSINA*

de um jeito
ou de outro
a vida
ensina
que nem todo
amor
é igual
que não
podemos errar
a vida
não aceita
erros
a vida ensina
o que é doce
e o que é amargo
coloca em nossas
bocas
doses diárias
do fel
e da felicidade
de um jeito
ou de outro
a vida ensina
que não somos nada
almas presas
em corpos
a vida ensina