11/07/2009
DIA DOS PAIS - COLOQUE SEU PAI NA CAPA
CHEIRO DE CHUVA
BEM TÍPICO
Bem típico
De quem
Não ama
Falar do amor
Que não sente
Bem típico
De do
Invejoso
Falar da vida alheia
E assim
Caminhamos
Entre os olhares
De aprovações
E as palavras
Que nos condenam
Sem razão
Bem típico
De quem não planta
Querer colher
Bem típico
De quem aponta
Defeitos
Errar na primeira esquina
E assim caminhamos
Entre farpas
E espinhos
De quem sabe tudo
E não sabe nada
NO COMEÇO
FORA DOS PADRÕES
Essa mania
De beleza
Esse jeito
De ditar regras
Como fazer
Como andar
Se vestir
Falar
Prefiro
Minhas noções
Que são fora
Dos padrões que pedem
Essa mania
De ditar
Regras
A sociedade
Não é o que se espera
Nem nunca será
Pra que falar então
Como devem ser
Os padrões
Prefiro
Meu jeito
Descolado
Fora dos padrões
Das regras impostas
Por uma sociedade medíocre
Essa velha mania de dizer o que fazer
EU TIVE SORTE
Eu tive
Sorte
De te encontrar
Em meu caminho
Nem posso
Pensar
Em reclamar
Da vida
Eu tive sorte
Quando me aceitou
Assim
Como sou
Eu tive
Sorte
Que me desse
Seu coração
Seu amor
Sua alma
Seu pensamento
E pegasse
Os meus pra você
Eu tive sorte
De ver
A semente germinando
E árvore frondosa
Nascendo
De um solo fértil
Eu tive sorte
NÃO É ESTRANHO
Não é estranho
Quando
As palavras
Saem
Enroladas
E a língua trava
Não é engraçado
Quando
Sem querer
Os olhos
Se encontram
E se perdem
Sem nenhum
Som
Sem nenhuma palavra
Não é estranho
Quando as mãos
Estão geladas, suadas
E o coração dispara
Quando derrepente
Você se depara
Com imagem de radiante beleza
Não é estranho
Que depois de tanta vida
A morte venha
E leve tudo
Sem deixar nenhum vestígio
Só saudade
VOCÊ FLUTUA
SEM PENSAR
O QUE IA DIZER
O que dia
Dizer
Antes
Que as palavras
Morressem
Na sua boca
O que ia dizer
Quando o tempo
Parou
Para ouvir
O que ia
Dizer para seu dia
Para as flores
Que insistem
Em nascer
No seu caminho
Já desgastado
Pelos seus passos
O que ia dizer
Quando o sol
Nasceu
E as estrelas
Apagaram-se
No céu
Para onde foram as
Palavras
Afiadas
O que ia dizer
A VIDA RECOMPENSA
A vida
Recompensa
Quem se esforça
Quem batalha
Quem não desiste
A vida
Recompensa
Quem tem coragem
Quem não fica de braços
Cruzados
Esperando
A sorte
A vida recompensa
Quem não
Espera
Quem vai para a guerra
Nos dias frios
Nos dias de sol
A vida
Recompensa
Aqueles que têm compaixão
Aqueles que têm amor
Demais
Recompensa quem tem
Fé e esperança
A vida sabe
Quem planta
E quem colhe
10/07/2009
DESCULPA ESFARRAPADA
Vem
Rodeando
De cabeça
Baixa
Com uma desculpa
Esfarrapada
Na ponta língua
E eu
Paciente
Finjo
Que acredito
Nas mentiras
Que conta
Vem
Sem que eu fale
Nada
Me pedindo
Desculpas
Com os olhos
Cheio de lágrimas
Meu coração
Quase se convence
Quase acredita
Na sua desculpa esfarrapada
Dizendo
Que o relógio parou
Que o celular quebrou
Que o dia clareou
Antes da hora
No fundo seu sei
Já fui como você
DEPRIMENTE
Jovens
Bêbados
Com suas motos
Morrendo
Jovens drogados
Com seus carros
Matando
Deprimente
Corpos
No chão
Culpados
E inocentes
E os pais
Vivos
Em estado de choque
Tendo
Que reconhecer
Seus filhos
Em necrotérios
Deprimente
Jovens
Largados
Querendo
Tirar da vida
O que nem a vida tem
Jovens
Matando
Jovens
Morrendo
Deprimente
Matar e morrer jovens demais
ALGUÉM ME AJUDE
Alguém
Me ajude
A dizer
O que não consigo mais
Alguém
Me ajude
A escrever
Parece que tudo
Já foi
Dito
Parece
Que tudo já foi escrito
E
Eu
Aqui
Com tantas
Coisas
Para dizer
Alguém me ajude
A contar
A falar
O que sinto
Não posso morrer
Engasgado
Sufocado
Com as palavras
Há muito
Para dizer
E já não sei como
Alguém me ajude
A achar palavras
NADA ME PERTENCE
Os versos
Que escrevo
Não são meus
Não me pertencem
O meu maor
Não é meu
Nem minhas roupas
Meu rosto
Meu corpo
Nada me pertence
Minha história
Não é minha
Nem quem eu pensei
Que fosse
Nada é meu
Nada me pertence
Os dias
As horas
Minha própria vida
Nada
É meu
Meus pensamentos
Sentimentos
Nada me pertence
De verdade
Não sou dono
Inquilino
Sem fiador
Tudo é ilusão
Dos meus desejos
Das minhas tardes
MEU LITORAL
Meu litoral
Tem praias
Desertas
Muitas ilhas
De momentos
Tem o céu
Azul
Com mexas
Cinzas
Meu litoral
Tem um mar
Imenso
Intenso
Profundo
Tem pedras
Tem encostas
Gaivotas
E palmeiras
Meu litoral
É onde
Me refugio
De mim
E dos meus azares
Onde me escondo
E me transformo
Em natureza
Onde me transformo
Em pedras
Em gaivotas
Em ilhas
E na imensidão do meu mar
ANTÍDOTO
Inventei
Um antídoto
Para
O amor
Para que a paixão
Não aconteça
Inventei
Uma forma
De me proteger
Dos olhos
Lindos
Do jeito
Gostoso
Que fascina
Ando de olhos
Fechados
Quando saio
Pelas ruas
Não abro
As janelas
Quando estou em casa
Inventei
Uma maneira
De me defender
Do amor
Que acontece
Em um momento
E da paixão
Que vem incandescente
Não saio mais
Não me arrisco mais
QUIS MORRER
O relógio
Me mostrou
Meia noite
Quando vi
Os príncipes
Se transfornando
Em sapos
E as princesas
Em farrapos
Quis morrer
Sai
Feito louco
Atrás de você
Para que não virasse
Farrapo
Para que eu
Pudesse
Evitar
Que seu coração
Sofresse
Quando vi
Que não estava
Voltei chorando
Em desespero
Sabia
Que havia se transformado
Em mais um farrapo
E seu príncipe
Em mais um sapo
Quis morrer
A MENTIRA VICIA
SUPORTÁVEL
Já não sei
Mais
O que é suportável
Meu coração
Calejou
Não se importa
Mais
Com tantas mentiras
Já não
Sei mais
O que é dor
Não sei
Mais
O que dói
Meu coração
Está
Constantemente
Anestesiado
Não sei
Mais
O que sentir
Pensar
Não sei mais
O que é dor
Nem amor
Meu coração
Se acostumou
Com tudo
Não sabe o que
É suportável
Coração triste, calejado
CONVERSA VAZIA
Já
Fiquei
Falando comigo
Já
Falei com
As paredes
Numa conversa franca
Numa conversa vazia
Já
Fiquei
Por horas
Olhando
O teto
Do meu quarto
Contando
Para o travesseiro
Os meus segredos
Falei tudo
Numa conversa vazia
Falei
Tudo o que sentia
Sem séria
As paredes não responderam
Nem questionaram
Nem o teto
Nem o travesseiro
Conversa vazia
Eu falando comigo
E com meus fantasmas
Conversa franca
Conversa vazia
09/07/2009
A VIDA ERA
NADA É DE GRAÇA
QUEM ME ENVENENA
Quem me envenena
Com palavras
Não me conhece
Quem fica
Com rodeios
Cercando-me
Não me conhece
Palavras
Não me envenenam
Ensinam-me
Revigoram-me
Alimentam-me
Quem me envenena
Com o perfume
Do tempo
Não me conhece
Não sabe
Nada de mim
Não conhece
Minhas guerras
E minhas tempestades
Quem tenta
Ludibriar-me
Tenta me iludir
Envenenar
Não sabe
Que o veneno
É a bebida preferida
Dos poetas
ACEITO MEUS DEFEITOS
Eu
Sei tudo
De mim
E aceito
Meus defeitos
Bem mais
Que minhas
Virtude
Eu sei
De mim
O que faço
O que penso
E como
Sinto-me
Ninguém mais
Não há quem possa
Contradizer-me
Aceito
Meus defeitos
E como
A vida acontece
Sei de mim
Sei dos meus gostos
E das minhas verdades
Ninguém mais
Sabe
Nem saberá
São meus defeitos
E minhas virtudes
VIVER SEM LIBERDADE

Imagine
Andar
Por aí
De braços
Presos
Venda nos olhos
Imagine
Viver
Sem liberdade
Viver
Sem poder
Respirar
O próprio ar
Imagine
Seu corpo
Preso
Sem que possa olhar
Se mover
Imagine
Viver sem liberdade
De pensar
De sentir
Coração amarrado
Preso
Amordaçado
Aos pés
De uma cadeira
Aos pés da mesa
Viver sem liberdade
A MINHA MODA
Não esquento
O tempo
Faça
Frio
Chova
Ou faça sol
Minha moda
Eu faço
Como me sinto
Jeans
Chinelo
De dedo
Camiseta branca
Já me consolam
Já me consertam
Já fazem de mim
O que sou
Não esquento
Se pensam
Se falam
Falam de qualquer jeito
De terno Armani
Ou de pés no chão
Eu me faço
Faço a minha moda
Jeans
Camiseta
Chinelo de dedo
E minha liberdade
OVELHA DESGARRADA
BECO SEM SAÍDA
Você
Não percebe
O que você
Faz com a vida
E o que
A vida faz com você
Devagar
Vai empurrando
Ladeira abaixo
Colocando
Você
Em beco sem saída
Não entende
Os sinais
Tão visíveis
Só
Você
Não percebe
Por onde anda
Com quem anda
E o amor
Que julga sentir
Só você
Acredita
Nas mentiras
Que diz
E não percebe
As ciladas
E o beco sem saída
CONTRA A PAREDE
PAUSA PARA RESPIRAR
Todos estão insanos
Cegos
Não se vê mais nada
Um palmo
A frente do nariz
Estão todos consumidos
Pelo consumismo
Todos
Obcecados pelo tempo
Sem tempo
Para respirar
Todos
Querem
Uma pausa
Ninguém diz nada
Todos se calam
E vivem
Sem uma pausa
Para respirar
Sem uma pausa
Para sentir
O que acontece
Ao seu redor
Todos
Vão guiados
Pela falta do tempo
Sem pausa
Para respirar
Para viver
08/07/2009
ALMA DE ANJO*
PURO CANSAÇO*
os dias
vão morrendo
com eles
toda
e qualquer esperança
os dias
vão sumindo
das folhinhas
grudadas
nos ímãs das geladeiras
dias riscados
dias que engolem
os restos de mim
faço o que pede a alma
o corpo
já não sente mais
é puro cansaço
veias enrijecidas
as mãos cada vez mais calejadas
e a esperança de ver aquela luz
no fim do túnel
MADRUGADA ME DESPERTOU*
NÃO PUDE RESISTIR*
JÁ SONHAMOS MUITO*
SABEMOS DE COR*
ALGUÉM CANTOU*
O QUE A VIDA ME DÁ*
OBSTÁCULOS*
VOU SER FELIZ*
vou ser feliz
de qualquer maneira
vou ser feliz
do meu jeito
sem perguntar
se posso
ou se devo
sem perguntar
para ninguém
eu sei
nasci para ser feliz
e eu vou ser
custe o que custar
esteja onde estiver
essa tal felicidade
não vim a passeio
nem para ficar de brincadeira
vou ser feliz
ainda mais
do que já sou
tenho certeza disso
ESTRELA CADENTE*

nossa
infância
passa rápido
demais
feito estrela cadente
que corta o céu
deixando saudades
nossa infância
voa
somos crianças
ontem
e adultos sempre
ainda lembramos
dos pés descalços
e da velha bola de capotão
do pião e da pipa
por isso tudo é mais difícil
nos dias que se seguem
ainda temos saudades
da velha infância
estrela cadente













































