"Se procura prazer, poderá encontrar aqui as suas mais diversas formas. Há quem procure palavras, há quem procure belas imagens, há os curiosos, os que admiram minha maneira de escrever. Uns julgam erótico. Outros julgam ser sensual e uns apenas lêem as palavras aqui escritas. Isso é algo que não cabe a mim julgar. Sei das minhas intenções... Sei do meu amor pela poesia... Sei da minha infinita sede de escrever..."
SEJA BEM VINDO - 7 ANOS DE POESIA! ! !

FÃS DE CARTEIRINHA

3 de ago de 2016

NÓS

desatei
nós
que me prendiam

desatei
laços
que não podia

fique a sós

botões
quebrados em camisas
amassadas
nas esquinas

desatei
alguns nós
e muros caíram

meu
coração
também
se desfez
fio a fio

sem novelos
sem camisa, sem botões
nem laços
nós

ERA NATURAL

era
natural
que me sentisse
hipnotizado
pelas tuas promessas
vazias

era
natural
que teu eu
me seduzisse
por caminhos escuros

era
natural
que me perdesse
em meio
a um desejo que era só meu

era
natural
que tudo
depois de tudo
acabasse

O QUE FICA

as flores
em sementes
que plantei
floriram
há tempos
nos jardins alheios

as poesias
que espalhei
pelo caminho
estão em papéis amarelados
em alguma lixeira
do passado

os amores
que cultivei
mortos
ressecados
descuidados
esquecidos

o que fica
então
depois de tudo

TEMPOS

meus
amigos
de ontem
cresceram

uns casaram
outros devem ter morrido

outros
no entanto
sei lá

eu também
devo
ser sei la
dos meus amigos de ontem

a vida
empurra
nada fica no mesmo lugar

nem casas
nem ruas
lembranças, amigos

NÃO ESCREVO MAIS

hoje
não escrevo
mais
o amor

hoje
não tenho
mais vitalidade
e a persistência inútil
de vida

hoje
não mais creio
na natureza
cruel do amor
de quem
não ama

hoje
não mais
leio os romances
que escrevo

não leio poesias

hoje não mais
vivo mais

despedaço

AMARGOR

busco
na beleza
alheia
os disfarces
para tanta maldade
que escorre
pelas latrinas
desta cidade qua já se foi

onde
estão as flores
quanto
tempo não vejo uma borboleta

crianças
arredias

não há mais
bom dia
nem mais nos rostos
alegria

não gosto
mais
do que não quem não vejo
mais

em todos
amargor

INERTE

tudo
antes me movia
me fazia
correr
voar
querer ir

eu ia
solto
leve
disperso
feliz por estradas incertas
sem rastros
sem pegadas

tudo
antes
me acelerava
hoje
só vejo cinzas voando
por onde já voei
sem deixar rastros
sem deixar pegadas

CHATO

sou
chato
demode
arcaíco

critico
sinico
e ainda assim
amo
detalhes

sou
cercado de
mim
por todos os lados

não sou
um
há muitos em mim

tantas vezes
confuso
e sozinho
nas confusões
que sinto

sou assim
pedaços
despedaçados por ai

cada dia
mais
e mais
e mais
distante de mim

DIAS DE PAZ

vivo
agora
dias de paz

sem ninguém
com dedos sujos
apontando meus caminhos

sem olhos
sem ruas

apenas
sobrevoos
rasos
pela superficie
de cada um que não vejo

vivo
dias
de pão e água
raras
borboletas

e mais nada
dias
e dias
de sobrevoos rasos

VAZIOS DE MIM

gosto
das pessoas
mas não consigo
mais cativá-las

afasto-as

como
sem em mim
houvesse
marcas invisíveis
que já nem tento definir

há um sinal
uma marca

gosto
das pessoas
agora
distantes
em seus mundos
vazios
de mim