5 de jan de 2018

ESPLENDOR

como
poderia
me calar
diante
de tamanha beleza

o nascer
do sol
não é nada

a grandeza do
mar
diante vós
se cala

as rosas murcham
o tempo para

como poderia
eu
deixar passar
tamanho esplendor

fiquei
ali
parado olhando
querendo
saber
se é real ou sonho

hipnotizado
fiquei
ali sem palavras

qualquer coisa
ficaria no vácuo
porque depois de vós
toda beleza ficou perdida

em vós
a grandeza
de toda a inspiração divina


4 de jan de 2018

DESARMADO

vou
para tua guerra
desarmado

sem escudo
sem espada

vou
apenas como sempre fui
de alma

vou beber
teu silêncio
ficar nos becos

estarei
entre os esquecidos
entre os nomes
que já não profere mais

vou
para tua guerra
nu

sem minhas asas
sem minha bússula
sem meus papéis

eu
por mim
crendo
no que sinto e deixando
nas trincheiras
do teu coração
os estilhaços do meu amor

TE AMAR


te amo
demais
pra te amar

não saberia
estar
em ti

não saberia
tocar
teu corpo

acho
que perderia
o doce encanto

roçar
a pele
beijar a boca
lamber os seios
tocar as coxas

não saberia
te amar
em minha cama

meu querer
está além disso
não é desejo
é apenas amor

e te amando
não saberia
te amar

UM POUCO DE TI

não quero
nada de ti

nada
que não posso
me dar

um pouco
do teu sorriso
um instante
de tua paz

eu não
quero teu amor
nem ficar
entre as artérias
de teu coração

quero ficar
ali num canto
escondido

e sentir
teu pulsar

tua respiração
e teu perfume

não quero nada
que não posso me dar
teus olhos
e um pouco
deste teu olhar


EU TE AMEI

eu te
amei
meio sem querer

encontrei
teu amor
sorrindo em minhas
esquinas

vestido
de um azul
cheio de soberba

estendi
meu chapéu
e pedi
suas migalhas

eu te
amei ao acaso
sem destino
sem hora marcada

ali
nos avessos
de tantos nós

entre gritos
e silêncio
um amor todo meu
como sempre

agora
entre as tuas ruínas
e meu passado

QUERO TEU AMOR

eu não quero
as flores
do teu jardim

quero
o amor
que existe
em teu peito

quero tuas
histórias
em minhas noites

quero
tuas aventuras
e tuas memórias

eu não quero
apenas
passar
quero ficar nos dias
que passarão

quero
ficar nas canções
que canta
e nos passos
que deixa para trás

quero estar
no passado
e no presente
presente

não quero as flores
do teu jardim
quero o amor
que arde em teu peito

POR ONDE ANDEI

por onde
andei
deixei
sempre
um pouco de mim

meus versos
sem rima

alguns papéis
com poesia

deixei amor
cicatrizes
lembranças

deixei
cigarros acessos
e copos sujos
de saudades

por onde andei
amei
mais que que fui amado
dei sorrisos
dei abraços

fiz da noite
serenata
e dos dias sem nada
carnaval

fiz festa
fiz folia
e parti
sem nada na mochila

DORES CALADAS

carrego
dores
caladas

dores
que consegui
ao longo
de minhas estradas

dores
que me mostram
por onde
andei
e quem amei
e quem me amou

carrego
dores
que não são minhas

dores
de tudo
das flores mortas
dos sorrisos esquecidos
e das cartas
que nunca foram escritas

carrego
dores
de silêncio

noites
minhas dores
ardem
meus poros dilatam

e só
fico
entre o que penso
e o que sinto

FICA EM MIM

da-me
teu colo
antes
que não
nos reste mais nada

devolve
a paz
do meu sorriso

deixe-me
ficar
com tuas boas
lembranças

abraça-me
e deixa
teu cheiro
em minha pele

arranha-me
deixe
cicatrizes

beija-me
e deixa para
a sensação
da tua boca na minha

POESIA EM BRANCO

sempre
gostei
de estar
entre as sombras
da noite

sempre
gostei
de perambular
oculto
antes de sentar
e ver o nascer
de um novo dia

sempre
gostei
da poesia crua
e sem ensaio

sem rima
transparente
sem medos
e angustias

sempre
fui
pelas manhãs
até que não houvesse vivo
nada do meu ontem

antes mesmo
do sol
tomar conta de mim

poesia em branco